Vida na Austrália e ligações com treinador: os bastidores da volta de Etiene Medeiros
Nadadora campeã mundial está de olho nos Jogos de Los Angeles 2028

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O técnico de natação Fernando Vanzella iniciava sua rotina diária às cinco e meia da manhã. Enquanto pedalava na varanda de casa, telefonava para Etiene Medeiros que, a mais de 13.000 km de distância, na Austrália, preparava o jantar e colocava o filho Kaleu para dormir. Nas ligações, que viraram rotina, os dois conversavam sobre a vida, a natação brasileira, e começavam a cogitar a retomada da parceria duradoura no esporte. Uma experiência marcante em Paris e a mudança no programa olímpico deram o empurrão definitivo para que a atleta decidisse voltar ao cenário do alto rendimento.
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A última competição oficial de Etiene havia sido o Troféu José Finkel, em 2022. Depois disso, abraçou o sonho do marido de viver na Austrália. Fábio, parceiro da nadadora desde 2014, é preparador físico, surfista e apaixonado pelo país. Os dois se estabeleceram em Queensland, no litoral próximo a Gold Coast, um dos principais picos da World Surf League (WSL). Foi lá que nasceu Kaleu, que Etiene chama de "canguruzinho".
— É só praia, andar descalço, cafézinho, empurrava Kaleu todo dia de manhã... Eles encaram a vida com simplicidade. Eu frequentei espaços onde tinham atletas olímpicos, lugares sofisticados, e as pessoas eram simples - relembrou a atleta.
Na Austrália, Etiene aperfeiçoou o inglês e trabalhou como professora de natação, abrindo os horizontes para o pós-carreira. Em um país em que a natação é um dos esportes preferidos da população, a brasileira era constantemente reconhecida e adotou uma nova perspectiva sobre a trajetória como atleta.
— Eu lembro quando fui abrir uma conta no banco e a recepcionista olhou pra mim e falou "você tem aros olímpicos? Você é atleta olímpica?". Quando eu confirmei, ela parou tudo e anunciou que tinha uma atleta olímpica ali. No Brasil, é muito difícil que isso aconteça, então lá aprendi muito a valorização do que a gente é. O australiano se valoriza muito em relação a isso, não só os atletas e comissão técnica, a sociedade olha dessa forma - contou.

De Paris a Los Angeles
Em julho de 2024, Etiene ainda estava grávida quando viveu os Jogos Olímpicos de Paris de uma maneira diferente: ela foi anfitriã do podcast do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Mesmo fora das piscinas, a atleta não resistiu a assistir às provas da natação e testemunhou a conquista da medalha de ouro pelo francês Léon Marchand nos 200m medley. O momento foi descrito pela nadadora como "surreal", desde as arquibancadas até a festa nas ruas e metrô da capital francesa.
— Ali começou a me mexer, senti que tinha alguma coisa dentro de mim que não tava resolvida. E aí eu trocava ideia com o Vanzella, sobre como tava o nível da natação brasileira, as coisas que estavam acontecendo... A princípio eu levantei pra ele a ideia de nem pensar em Jogos Olímpicos, só pensar em nadar - contou.
Enquanto lidava com os primeiros meses da maternidade e os próprios questionamentos sobre a carreira, veio o anúncio do programa olímpico para Los Angeles 2028, com a inclusão das provas de 50m estilos, em que a pernambucana é especialista. Foi o momento em que Etiene conversou com a família, traçou um novo planejamento de vida e decidiu retornar ao Brasil e às competições.

"Buscando o balde"
Voltar à rotina de uma atleta de alto rendimento após um longo hiato não é fácil. Agora, pela primeira vez, Etiene terá que conciliar o cronograma de treinos e competições com a agenda de Kaleu, que completou um ano no final de 2025. O bebê não é apenas o xodó da família, mas também dos companheiros de Sesi. Durante a coletiva de apresentação no clube, Kaleu foi paparicado pelo treinador Fernando Vanzella e pelos demais nadadores da equipe.
— Hoje eu sou mãe, tenho vários braços. O Fábio bota ele (o filho) na borda da piscina, o Vanzella dá o cronômetro pra ele, fica aquela brincadeira, e isso representa muito. Eu vou ter que treinar muito pra, durante a competição, olhar pro meu treinador, olhar pro meu marido e olhar pro meu filho sem ficar emotiva, e sim motivada - disse.
Um dos principais desafios no retorno é a questão física já que, nos últimos anos, os treinos de Etiene eram compostos apenas por caminhadas tranquilas e tentativas de se equilibrar sobre uma prancha de surfe. Uma "trégua" da rotina puxada ao longo dos últimos 20 anos.
— Tô buscando meu balde. E buscar o balde dói bastante. Mas sei que isso vai me deixar mais forte pra daqui a seis meses, daqui a um ano. Ser mãe me deu muita força e ao mesmo tempo muitos ensinamentos de desafio, de todo dia ser flexível - finalizou.
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