A última cartada da Fifa para valorizar os direitos de transmissão da Copa do Mundo Feminina

Insatisfeito, Gianni Infantino ameaça não exibir torneio em cinco países europeus

PorLance!Rio de Janeiro (RJ)
02/05/2023 13:46
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Copa do Mundo Feminina será na Austrália e na Nova Zelândia (Foto: Divulgação/FIFA)

Fifa, órgão regulador do futebol mundial, ameaça não exibir a Copa do Mundo Feminina 2023 em cinco países europeus: Alemanha, França, Inglaterra, Espanha e Itália. Esta é a última tentativa da entidade para valorizar os direitos de transmissão do evento. O motivo é a insatisfação com as ofertas atuais das emissoras desses países.

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Em um evento em Genebra, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que as propostas feitas nos últimos meses são "muito decepcionantes". Ele voltou a fazer uma espécie de apelo aos grupos de mídia interessados para que paguem um "preço justo" pelos direitos.

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- As ofertas das emissoras, principalmente dos países europeus do Big 5 [Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França], ainda são muito decepcionantes e simplesmente inaceitáveis ​​com base em quatro critérios. Em primeiro lugar, 100% de qualquer taxa de direitos paga irá direto para o futebol feminino, em nosso movimento para promover ações em prol da igualdade de condições e remuneração. Em segundo lugar, as emissoras públicas, em particular, têm o dever de promover e investir no esporte feminino - disse Infantino, antes de completar:

- Em terceiro lugar, os números de audiência da Copa do Mundo Feminina são 50-60% da Copa do Mundo Masculina, que por sua vez são os mais altos de qualquer evento, mas as ofertas das emissoras nos países europeus são de 20 a 100 vezes menos do que para o Mundial Masculino. Enquanto as emissoras pagam US$ 100-200 milhões pela Copa do Mundo Masculina, elas oferecem apenas US$ 1-10 milhões para a Copa do Mundo Feminina. É um tapa na cara de todas as grandes jogadoras da Copa do Mundo Feminina e, na verdade, de todas as mulheres do mundo.

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Um dos motivos para a falta de interesse das emissoras é o fuso horário. A Copa do Mundo será disputada na Austrália e na Nova Zelândia, o que impede que as partidas de sejam transmitidas ao vivo nos horários nobres dos países europeus. Ainda assim, a Fifa espera uma valorização nas ofertas até o início do torneio, em 20 de julho.

Gianni Infantino, presidente da Fifa
Infantino quer valorizar direitos do Mundial Feminino (Foto: FRANCK FIFE / AFP)

 Para deixar bem claro, é nossa obrigação moral e legal não subestimar a Copa do Mundo Feminina da Fifa. Portanto, se as ofertas continuarem não sendo justas, seremos obrigados a não transmitir o torneio para os países europeus do Big 5. Convido, portanto, todos os jogadores, mulheres e homens, além de torcedores, dirigentes de futebol, presidentes, primeiros-ministros, políticos e jornalistas de todo o mundo a se juntarem a nós e apoiarem este apelo por uma remuneração justa do futebol feminino. As mulheres merecem. Simples assim - finalizou Infantino.

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Cabe destacar que, caso a Fifa não chegue a um acordo com as emissoras, os torcedores desses países poderão assistir aos jogos da Copa do Mundo Feminina pelo Fifa+, o serviço de streaming do órgão regulador.

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Detentores dos direitos no mercado brasileiro

Ao contrário dos países europeus, a transmissão da Copa do Mundo Feminina no mercado brasileiro está definida. O Grupo Globo adquiriu o principal pacote de direitos e poderá exibir jogos do torneio na TV aberta, na TV fechada (Sportv) e na internet (ge e Globoplay). Algumas partidas também serão transmitidas de forma gratuita na Cazé TV, tanto no YouTube quanto na Twitch.

Recorde de premiação

O futebol feminino vive momento de valorização no âmbito mundial. Uma prova é o aumento da premiação da Copa do Mundo Feminina 2023. De acordo com Gianni Infantino, presidente da Fifa, o torneio distribuirá US$ 150 milhões (cerca de R$ 792 milhões) entre as seleções participantes - número três vezes maior que na edição de 2019 e dez vezes maior que na edição de 2015.

O montante, no entanto, ainda é significativamente menor do que os US$ 440 milhões (R$ 2,3 bilhões) pagos em premiações na Copa do Mundo masculina, no Qatar. Para ser exato, o prêmio feminino representa apenas 35% do total destinado às seleções masculinas. O objetivo da Fifa é igualar as premiações no próximo ciclo.

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