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Fair play financeiro da CBF se inspira em regras europeias, mas não terá caráter intervencionista

O Lance! detalha qual liga é a mais parecida com o que será aplicado no Brasil; confira as tabelas detalhadas

PorVinicius Barbosa HarfushSão Paulo (SP)
27/11/2025 20:30
Atualizado em 28/11/2025 11:43
CBF tenta avançar na implantação de Fair Play Financeiro
CBF apresentou o Fair Play Financeiro durante Summit da CBF Academy (Foto: Marcio Dolzan/Lance!)

O novo modelo de controle financeiro do futebol no Brasil utiliza como referência regras, aplicações e punições já estabelecidas por fair plays de ligas europeias e até mesmo pela Uefa, entidade que gere a modalidade no Velho Continente. Durante a apresentação oficial do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostrou comparações com o trabalho feito na Espanha, França, Inglaterra e a própria federação continental. A entidade brasileira, no entanto, garante que o modelo segue um padrão menos intervencionista, chamado de corretivo.

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Esse padrão de regras se assemelha com o que é feito na Premier League, da Inglaterra, e na Uefa, enquanto a La Liga, na Espanha, e a Ligue 1, na França, atuam de forma preventiva. Caio Resende, Diretor Acadêmico da CBF Academy, comandou a apresentação ao lado de César Grafietti, economista especializado no mercado esportivo, e explicou que a CBF instaurou o fair play financeiro para padronizar as exigência no setor financeiro dos clubes e potencializar o nível de competitividade da modalidade no país.

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O fair play financeiro da CBF é composto por quatro principais pilares, que têm semelhanças e distinções daquilo que é aplicado na Europa. O Lance! separou os quatro temas para apresentar qual país ou liga mais se aproxima do cenário que será apresentado no Brasil a partir de janeiro de 2026. As quatro vertentes são: o Controle de Dívidas, Equilíbrio Operacional, Controle de Custo do Elenco e Controle do Endividamento de Curto Prazo. Veja as tabelas na sequência.

Samir Xaud discursou durante plenária sobre Fair Play Financeiro
Samir Xaud discursou durante uma das plenárias sobre Fair Play Financeiro (Foto: Staff Images/CBF)

➡️ CBF apresenta regras e como funciona o fair play financeiro no Brasil; veja detalhes

Controle de dívidas em atraso

Como foi anunciado na quarta-feira, a CBF aplicará um sistema de fiscalização periódico, onde a cada três meses o órgão responsável, chamado de Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) fará a análise da situação das equipes quanto as dívidas em aberto. As datas são 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro de cada temporada.

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Dos quatro modelos europeus de referência, apenas a Uefa faz a fiscalização de dívidas três vezes ao ano. Na França a regra é analisada todos os meses, enquanto na Espanha é realizada uma análise semestral. Na Inglaterra, o processo acontece uma vez ao ano.

Ao lado do Brasil, a Inglaterra e a Uefa levam em consideração na fiscalização as dívidas com outros clubes, funcionários e autoridades públicas. No caso da França, todas as dívidas são analisadas. A La Liga, como foi destacado na apresentação da CBF, tem o fair play mais rigoroso, onde não são admitidos passivos em aberto. Para isso, a liga estabelece e analisa previamente a situação financeira dos clubes, antes da temporada começar, e isso dita como cada equipe poderá usar seu dinheiro ou administrar seus gastos.

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LigaPeriodicidade de fiscalizaçãoItens avaliados

Brasil

3x ao ano

Clubes, Atletas e Fisco

Uefa

3x ao ano

Clubes, Atletas e Fisco

Inglaterra

Anual

Clubes, Atletas e Fisco

França

Mensal

Todos os pagamentos

Espanha

2x ao ano

Sem passivos autorizados

Equilíbrio Operacional

O segundo pilar é aquele que indica que os clubes necessitam ter um superávit dos resultados de suas operações, que precisa ser maior ou igual a zero. No Brasil, o resultado dessa vem do abatimento das dívidas das receitas anuais, mas há um mecanismo de aprovação com o resultado trienal. Se na avaliação anual o Clube apresentar déficit, será considerado monitoramento, e os cálculos de avaliação serão feitos pela soma dos resultados nos últimos três anos.

Essa regra é usada na Inglaterra e Uefa, enquanto a França e a Espanha usam como referência apenas o resultado operacional de cada temporada. Isso reforça que o caráter das duas ligas é mais intervencionista e preventivo do que no Brasil. O SSL no Brasil determina, por exemplo, que clubes da Série A podem ter, no máximo, um défict de R$ 30 milhões (ou 2,5% das receitas) no triênio.

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LigaModeloItens avaliados

Brasil

Prospectivo

Resultado anual ≥ 0 + Triênio Acumulado

Uefa

Prospectivo

Análise do triênio acumulado

Inglaterra

Prospectivo

Análise do triênio acumulado

França

Preventivo

Orçamento anual com resultado ≥ 0

Espanha

Preventivo

Orçamento anual com resultado ≥ 0

Controle de custo de elenco

Neste pilar, o fair play financeiro avalia o controle de gastos com os elencos dos clubes. A entidade levará em consideração quatro subitens: salários, encargos, direitos de imagem e amortizações. O limite é que esses custos fiquem abaixo de 70% do valor das receitas obtidas pelo clube, somadas os valor garantido com transferências e aportes financeiros.

O percentual limite é o mesmo imposto pela Uefa e pela Ligue 1, na França. Entretanto, o SSF terá ainda uma "vantagem" de levar em consideração aportes financeiros que os clubes recebam, o que pode ser um ponto decisivo para a aprovação nesse pilar. Isso não acontece em nenhum dos quatro modelos. Na Inglaterra o limite de custo do elenco precisa ser menos que 85% das receitas, levando em consideração o que a equipe faturar com as transferências. Na Espanha, o limite de comprometimento das receitas com gastos de elenco é individualizado e é analisado clube a clube por uma comissão de La Liga.

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LigaItens avaliadosLimite

Brasil

Soma dos Salários + Encargos + Direitos de Imagem + Amortizações

< 70% das Receitas + Transferências + Aportes financeiros

Uefa

Soma dos Salários + Encargos + Direitos de Imagem + Amortizações

< 70% das Receitas + Transferências

Inglaterra

Soma dos Salários + Encargos + Direitos de Imagem + Amortizações

< 85% das Receitas + Transferências

França

Soma dos Salários + Encargos + Direitos de Imagem + Amortizações

< 70% das Receitas + Transferências

Espanha

Soma dos Salários + Encargos + Direitos de Imagem + Amortizações

Análise individual para se enquadrar no orçamento de cada clube

Controle de endividamento de curto prazo

A CBF explica que a regra do limite de endividamento do clube no Brasil se dá pela divisão da dívida líquida de curto prazo e da receita relevante. O resultado dessa divisão precisa ser menor ou igual a 45%. Esse sistema é diferente de todos os outros quatro usados como referências para os estudos. Este item é o que apresenta maior disparidade entre todos os fair plays analisados. Na Inglaterra, por exemplo, não há regras para endividamento.

Na Uefa, a regra é simples: o patrimônio líquido do clube precisa ser maior ou igual a zero. Na França, a divisão entre o patrimônio líquido pelo patrimônio elegível precisa ser maior ou igual a um. A La Liga, na Espanha, determina que o patrimônio líquido precisa ser maior ou igual a 40% do passivo (gastos) com vencimento de até cinco anos, enquanto o passivo ajustado precisa ser menor ou igual a 80% da receita líquida da temporada.

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  • Patrimônio líquido: valor total obtido após abater os gastos do que a equipe fatura
  • Patrimônio elegível: são ativos que podem usados como garantias para o clube ter mais flexibilidade e não ser reprovado no fair play (fundos internos ou capacidade de investimento servem como ativos para alavancar o uso desse gatilho)
  • Passivo ajustado: no caso da La Liga, o termo se refere ao passivo (gastos) ajustados após as regras individuais serem aplicadas a cada clube. Esses ajustes servem para trazer mais fidelidade à realidade cada clube seu potencial financeiro dentro do fair play da liga
LigaRegra aplicada

Brasil

Dívida Líquida de Curto Prazo / Receita Relevante ≤ 45%

Uefa

Patrimônio Líquido ≥0

Inglaterra

Inglaterra Não possui

França

Patrimônio Líquido / Passivo Elegível ≥1

Espanha

Patrimônio Líquido ≥ 40% do passivo com vencimento ≤5 anos
Passivo Ajustado ≤ 80% da receita líquida da temporada

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