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MP-SP investiga suposta cobrança indevida da Caixa ao Corinthians

Apuração analisa possíveis divergências nos cálculos do financiamento da Neo Química Arena

PorGuilherme LesnokSão Paulo (SP)
02/09/2026 12:20
Atualizado há 29 minutos
Neo Química Arena, casa do Corinthians
Estádio do Corinthians é alvo de apuração do Ministério Público de São Paulo (Foto: Mauro Horita/Ag. Paulistão)

O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento administrativo preparatório para apurar se a Caixa Econômica Federal cobrou valores indevidos do Corinthians relacionados à dívida da Neo Química Arena. A informação foi divulgada pela Record.

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O procedimento é conduzido pelo promotor Cássio Conserino, que determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos do financiamento do estádio. A apuração teve origem em uma representação apresentada ao órgão, que aponta uma possível divergência de R$ 255,75 milhões nos valores cobrados pela instituição financeira.

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Segundo a Record, a análise que fundamenta a representação foi elaborada por Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal investigador. O material foi produzido com base em documentos públicos relacionados ao financiamento da arena e questiona a forma como juros, multas e outros encargos foram aplicados ao longo dos anos.

Imagem da Neo Química Arena, casa do Corinthians
Neo Química Arena, casa do Corinthians, (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

Possível divergência nos valores

Cássio Conserino afirmou à Record que os juros cobrados pela Caixa nas parcelas em atraso apresentam variações significativas. Segundo ele, foram identificadas taxas que vão de 19% ao mês a quase 450% ao mês, sem um padrão definido.

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O promotor também sustenta que a Caixa teria cometido erros nos cálculos apresentados ao Corinthians, resultando, segundo sua análise, em uma cobrança adicional de mais de R$ 280 milhões. Atualizado para agosto de 2026, esse valor chegaria a aproximadamente R$ 455 milhões.

— Tem que mostrar quanto de juros eles estão cobrando nas parcelas em atraso, porque eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase, se não me engano, 450% ao mês. Não tem padrão nenhum — disse.

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— A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dando um valor a mais de R$ 280 milhões, que atualizados em agosto de 2026, chega na beira de uns R$ 455 milhões — seguiu.

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Cássio Conserino levantou ainda a possibilidade de o financiamento da Neo Química Arena já estar quitado. Atualmente, Corinthians e Caixa consideram um saldo de aproximadamente R$ 640 milhões.

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— Pela perícia encaminhada ao Ministério Público pelo representante, que diga-se de passagem também é perito, aquele documento reflete um pagamento a mais. E, por via de consequência, a Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019 — apontou.

Histórico da dívida do Corinthians

O financiamento da Neo Química Arena começou em 2013. Na época, o Corinthians obteve crédito de até R$ 400 milhões para a construção do estádio. Desde então, a dívida passou por diferentes negociações e alterações nas condições de pagamento.

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Antes de levar o caso ao Ministério Público, Castelo Branco afirma ter tentado apresentar os questionamentos a dirigentes do Corinthians. Segundo ele, em 2020 foram enviados e-mails a Andrés Sanchez, então presidente do clube, e a Alexandre Husni, que ocupava a presidência do Conselho Deliberativo. Ainda de acordo com o perito, não houve resposta às mensagens.

O Lance! procurou a Caixa Econômica Federal e o Corinthians para solicitar um posicionamento sobre o caso, mas, até o fechamento desta nota, não obteve retorno. A matéria será atualizada assim que houver uma resposta.

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