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Análise tática do Guffo: Renato Gaúcho é a escolha certa para o Grêmio

A quinta passagem de Renato pelo time começa com duas missões objetivas

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
14/09/2026 19:24

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Renato Gaúcho no jogo entre Botafogo x Grêmio, pelo Brasileirão
Renato Gaúcho está de volta ao Grêmio (Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

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Renato Gaúcho é a escolha certa para o Grêmio, e o argumento vai além de apenas o carinho da torcida com o maior ídolo da sua história. A quinta passagem de Renato pelo Tricolor começa com duas missões objetivas: tirar o time do Z4 no Brasileirão e sobreviver à semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG. Renato chega exatamente no tipo de cenário em que sempre funcionou: clube grande caindo às pressas, elenco sem confiança e um trabalho anterior que deixou escombros.

Para entender por que ele foi chamado, é preciso entender por que Luís Castro foi demitido. O português tentou implantar um jogo posicional engessado num elenco que não sustentava esse modelo. O Grêmio dependia de lampejos individuais porque não tinha relação entre os jogadores. Sem bola, o problema era pior: marcação por zona sem nenhuma agressividade, bloco baixo que não mordia e uma das piores defesas do campeonato. Os números não mentem. Um time que sofre gols em cascata e não produz nada com a bola é o retrato de um trabalho perdido.

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Histórico de Renato no Grêmio

O retrospecto de Renato no clube explica a decisão. A primeira passagem, em 2010, pegou o Grêmio na 18ª colocação com duas vitórias em 13 jogos e terminou em recuperação e vaga na Libertadores. A segunda, em 2013, entregou um vice-campeonato brasileiro com 65 pontos. Ele não é o técnico das grandes reconstruções de longo prazo; é o especialista em ressuscitar time grande em chamas. E esse é exatamente o contexto de agora.

A prova definitiva está na terceira passagem, entre 2016 e 2021. Ao pegar um time muito bem montado e treinado por Roger Machado, Renato ajustou alguns pontos e encerrou o jejum de 15 anos sem títulos grandes com a Copa do Brasil de 2016, a Libertadores de 2017 e a Recopa de 2018. Virou o treinador com mais jogos na história do clube e ganhou estátua na esplanada da Arena. Depois veio o Vasco, e ali ele mostrou de novo a assinatura tática que interessa ao Grêmio hoje: jogo relacional, aproximação entre linhas, valorização da posse e agressividade na marcação pós-perda.

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Um mestre do ambiente de vestiário

Assumir depois de um trabalho tão ruim é fácil ou difícil? Depende do ângulo. É fácil no sentido de que a régua está no chão, e qualquer melhora salta aos olhos. É difícil porque o elenco está anestesiado, sem confiança e com deficiências estruturais no meio-campo. Renato tem a vantagem de mexer primeiro no ambiente, e nisso ele é um dos melhores do país. A gestão de grupo dele muda o humor do vestiário antes mesmo de mudar o desenho em campo, e num grupo emocionalmente destruído isso vale pontos.

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No campo, a mudança mais importante é a postura sem bola. O Grêmio de hoje se coloca em bloco baixo e não marca ninguém. Renato traz perseguição mais próxima, encaixes individuais e pressão após a perda. O risco aparece exatamente aí: quando o time pressiona alto e não recupera, sofre na transição. É o preço de sair da passividade. Com bola, ele vai recuperar a figura do 10 e do 9, peças que Renato geralmente adora trabalhar, e potencializar quem tem capacidade de associação, como Krovinovich e Villasanti.

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As chances na Copa do Brasil passam pelo encaixe rápido da marcação, porque o Atlético-MG é um adversário de imposição física que pune o passe errado na saída. Contra o rebaixamento, a conta é mais simples: basta tirar a passividade sem bola que o time já sobe de patamar. O cenário é de recuperação imediata no ambiente e de evolução tática em semanas, não em meses. O risco é a exposição defensiva nas transições, sobretudo com um elenco que precisa de reforços e já mostrou fragilidade no miolo. A expectativa é que o Grêmio saia do Z4 com folga e chegue competitivo à semifinal. Se Renato acertar a marcação agressiva sem abrir espaço demais nas costas, a Copa do Brasil deixa de ser sonho e vira objetivo real. E, num clube onde ele manda de forma inconteste, ignorar esse histórico seria um erro grave.

Renato Gaúcho - Grêmio 2x3 Atlético-MG - Brasileirão
Renato Gaúcho comanda o Grêmio pela quinta vez (Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA)
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