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Análise tática do Guffo: Dorival encontrou seu São Paulo ideal

A vitória sobre o Atlético-MG foi a resposta que Dorival vinha devendo desde que chegou

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
07/09/2026 18:06

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Luciano, do São Paulo, comemora gol contra o Atlético-MG pelo Brasileirão
Luciano, do São Paulo, comemora seu gol contra o Atlético-MG (Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress)

A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG no Morumbis foi a resposta que Dorival Júnior vinha devendo desde que chegou. O 13º time diferente em 13 jogos assusta quem lê o número solto, mas esconde a verdade: pela segunda partida consecutiva, o São Paulo repetiu o sistema com três zagueiros, e a repetição virou identidade. Contra um adversário invicto havia 14 jogos, o Tricolor finalizou 21 vezes contra duas do Galo. Número de um jogo dominado, não de quem ganhou na sorte.

O mecanismo começa na estrutura. Com Sabino, Arboleda e Domingos Duarte na linha de três, Dorival liberou os alas, e foi ali que o jogo ganhou forma. Lucas Ramon, o ala direito, virou o parceiro ofensivo que Artur não tinha no sistema anterior: deu a assistência do gol anulado e a do gol de Iago. A lógica dos três zagueiros é essa, o lateral que cruza e o lateral do lado oposto fechando, e o São Paulo executou o conceito com uma clareza rara no futebol brasileiro.

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Organização defensiva impecável

Sem a bola, o time sufocou o Galo. A marcação alta, com o balanço bem feito, impediu que o Atlético-MG saísse jogando pelo chão, e a recuperação no campo ofensivo virou arma. O primeiro gol nasceu exatamente desse sufoco: roubo alto, cruzamento de Artur, cabeceio de Luciano, com três jogadores atacando a segunda trave contra dois marcadores. Pressão que vira gol tem desenho tático por trás.

Dorival também acertou nas peças. Gustavo Santana, o jovem, deu movimentação ao ataque, alternando a referência de área com o lado esquerdo, enquanto Luciano flutuava como falso 9. Artur, apagado no primeiro tempo, chamou o jogo na segunda etapa e decidiu. E Iago Borduchi entrou, participou da jogada do primeiro gol e fez o segundo. Aí vem a pergunta que o torcedor faz: Iago ou Wendel? Pelo momento, Iago está à frente. O impacto que ele entrega nesse sistema é maior do que o que Wendel vem entregando no São Paulo. Nos jogos que importam, a vaga é dele.

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Será que 2026 está só começando?

E o que esse time pode aspirar? No Brasileirão, a resposta honesta é meio de tabela com margem para olhar para cima. O sistema devolveu segurança ao time, mas o campeonato cobra regularidade que esse elenco ainda não provou. O teste de verdade, porém, tem nome e data: Boca Juniors, terça-feira, pelas quartas da Sul-Americana. Um jogo com clima de final de Libertadores, capaz de transformar a temporada.

O risco mora na exigência do próprio sistema. Três zagueiros pedem alas em dobro, intensidade de marcação e elenco para sustentar o ritmo. Contra o Boca, o nível sobe, e a margem de erro encolhe. Se o São Paulo repetir a imposição do Morumbis, a Sul-Americana vira caminho real de título, e um título em 2026 muda o conceito da temporada inteira.

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Dorival encontrou o seu time. Agora a pergunta é se o time consegue se manter encontrado. As próximas semanas respondem se este São Paulo é apenas um time que escapou da crise ou um projeto que aprendeu a competir. A vantagem é que, pela primeira vez no ano, ele tem uma ideia para defender.

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(Foto: Marco Miatelo/Photo Premium/Folhapress)
Partida entre São Paulo e Atlético-MG pelo Campeonato Brasileiro (Foto: Marco Miatelo/Photo Premium/Folhapress)

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