Mercado da bola é marcado por 'corrida' pela Copa do Mundo
Janela é "tudo ou nada" para jogadores em busca de convocação

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O mercado da bola é marcado no Brasil e no mundo pela corrida por vaga na Copa do Mundo. A cinco meses do torneio, a última janela de transferências pré-Mundial exige cautela e decisões assertivas de jogadores e empresários na definição dos rumos de carreira: um movimento correto pode reacender as esperanças de presença no maior torneio do planeta, enquanto um passo errado pode comprometer as chances de quem parecia garantido.
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Transações que fortalecem clubes brasileiros tiveram influência dessa disputa. Gerson, por exemplo, era nome certo nas convocações de Carlo Ancelotti antes da mudança para a Rússia. Agora, chega ao Cruzeiro com claras pretensões de assegurar um lugar no plantel verde-amarelo, como dito por seu pai durante início das negociações com a equipe mineira.

O lateral-esquerdo Renan Lodi já foi figurinha carimbada na equipe nacional, mas perdeu espaço. Quando vivia ótima fase no Al Hilal, chegou a reclamar que era preterido devido ao "preconceito com a liga saudita". Agora, volta ao Brasil para jogar no Atlético-MG e quer impressionar Ancelotti no próximo semestre.
Os movimentos de repatriação não são coincidência. A proximidade com torcedores e imprensa brasileiros pode ser um trunfo para a convocação, como explica o empresário Guilherme Momensohn, que atua em parceria com a Bertolucci Sports, uma das maiores agências do ramo.
— A gente busca um espaço onde o treinador queira o jogador e estuda os mercados em evidência. O Ancelotti convocou jogadores que hoje atuam na Arábia e na Rússia, mas eu penso que a maioria se esconde nesse mercado. É melhor jogar no Campeonato Brasileiro, que a imprensa acaba criando uma "pressão" (por convocação) quando o atleta está bem. Jogar a Champions league também facilita muito — analisou ao Lance!.
A liga de atuação é um fator importante, mas de nada adianta estar em um clube que atrai holofotes sem tempo de jogo para mostrar o seu melhor futebol. Isso motivou o empréstimo do jovem Endrick, antes presença certa na Seleção e hoje "esquecido", do Real Madrid para o Lyon. Em sua apresentação no time francês, o atacante admitiu que conversou com Carlo Ancelotti antes de tomar uma decisão.
Thiago Freitas, empresário da Roc Nation, agência responsável pelas carreiras do ex-Palmeiras e outros astros como Vini Júnior e Lucas Paquetá, exemplificou como a janela impacta movimentos ao redor de todo o mundo do futebol.
— Hoje, lidamos com dois exemplos interessantes sobre a influência da Copa neste processo. A chegada de Endrick ao Lyon, onde a perspectiva de atuar regularmente tende a elevar as chances de ser convocado, e o momento de Armando González, um dos mais jovens da seleção mexicana, destaque da liga nacional e celebridade em um dos maiores clubes do país (Guadalajara). Ele vem atuando regularmente, com ótimos números, e pondera a cada dia se uma mudança para a Europa pode interromper essa sequência de jogos que o levou à seleção do seu país — contou.

Apesar de terem se intensificado na atual janela, os movimentados que visam à Copa do Mundo acontecem desde o último período de negociações. É o caso do volante Danilo, que trocou o Nottingham Forest, da Inglaterra, pelo Botafogo, antes treinado por Davide, filho de Carlo Ancelotti. A possibilidade de impressionar o auxiliar da Seleção às vésperas da Copa foi um fator considerado ao firmar a transação. Pelo mesmo motivo, o seu agente não vê com bons olhos uma transferência para a Rússia ou até um retorno à Premier League para um time em que não terá tempo de jogo expressivo.
Principal astro brasileiro dos últimos anos, Neymar também entendeu que atuar em solo brasileiro era o melhor caminho para retornar à Seleção. Agora, Gabigol será seu companheiro no Santos. Reserva no Cruzeiro, o atacante deve ter mais destaque no Peixe e, em sua apresentação, o presidente alvinegro Marcelo Teixeira chegou a destacar que projetava sua volta à "Canarinho".
E por que jogar a Copa do Mundo é tão importante?
Disputar a competição mais prestigiada do futebol é um sonho para todos os atletas. Além disso, marcar presença no torneio pode transformar o rumo de uma carreira e garantir oportunidades de contratos impressionantes. O contrário, claro, também pode acontecer. Em uma competição assistida por todo o planeta, mesmo que tão rápida, o desempenho incentiva fãs a pressionarem seus clubes a favor ou contra a chegada de jogadores.
O cenário se repete após todas as edições da Copa do Mundo: destaques são disputados no mercado da bola e mudam de clube logo depois da realização do torneio. Em 2022, foram diversos casos, com exemplos positivos e negativos. Campeão mundial, Enzo Fernández trocou o Benfica pelo Chelsea, onde hoje é referência técnica e liderança. Já o marroquino Amrabat, que fez campanha irretocável com Marrocos, saiu da Fiorentina para o Manchester United, mas não teve sucesso no gigante inglês. Atualmente, defende o Bétis, da Espanha.

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Seleção Brasileira: quem vai se arriscar no mercado da bola?
Em seus primeiros meses como treinador da Amarelinha, Ancelotti já convocou 48 jogadores diferentes. Dez deles trocaram de clube na última ou atual janelas. Outros movimentos ainda podem acontecer: exemplos são Lucas Paquetá, que negocia com o Flamengo, e o goleiro Bento, que esteve próximo de acerto com o Genoa, da Itália.
Os convocados que se transferiram desde julho/25:
- Ederson: do Manchester City para o Fenerbahçe, em setembro de 2025
- John: do Botafogo para o Nottingham Forest, em agosto de 2025
- Wesley: do Flamengo para a Roma, em julho de 2025
- Gerson: do Flamengo para o Zenit, em julho de 2025, e do Zenit para o Cruzeiro, em janeiro de 2026
- Andreas Pereira: do Fulham para o Palmeiras, em agosto de 2025
- Matheus Cunha: do Wolves para o Manchester United, em julho de 2025
- Estêvão: do Palmeiras para o Chelsea, em julho de 2025
- João Pedro: do Brighton para o Chelsea, em julho de 2025
- Samuel Lino: do Atlético para o Flamengo, em julho de 2025
- Igor Jesus: do Botafogo para o Nottingham Forest, em julho de 2025

A atual janela, portanto, é um "tudo ou nada" para jogadores encontrarem o lugar ideal para provarem seu valor. Ancelotti já destacou a importância de tempo de jogo nas melhores condições físicas e técnicas, independentemente da liga de atuação. Convocou, por exemplo, o lateral Douglas Santos, do russo Zenit, e o volante Fabinho, do saudita Al Ittihad. No entanto, atletas em ligas de mais prestígio buscam encontrar suas melhores formas para, quem sabe, passarem à frente dos concorrentes.
O italiano diz ter 18 dos 26 atletas definidos. O treinador ainda convocará a Seleção para dois amistosos em março, contra França e Croácia, últimos testes antes da chamada final para a Copa do Mundo, que será realizada entre junho e julho.
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