Diretor da CBF analisa futuro dos estaduais e possível adequação do calendário à Europa
O dirigente disse que distribuir a competição ao longo da temporada traria impactos esportivos

O diretor de competições da CBF, Julio Avellar, afirmou que a entidade não defende o fim dos campeonatos estaduais e vê dificuldades para uma eventual adaptação do calendário brasileiro ao modelo europeu. Durante participação na Rio Innovation Week, nesta quinta-feira (6), o dirigente argumentou que os estaduais seguem importantes para o futebol nacional e disse que distribuir a competição ao longo de toda a temporada, embora seja possível do ponto de vista matemático, traria impactos financeiros e esportivos.
➡️ Tudo sobre os maiores craques no seu WhatsApp! Entre no Lance! Futebol Internacional!
Avellar defendeu a manutenção dos estaduais e afirmou que a redução de datas promovida pela CBF buscou equilibrar o calendário entre clubes das diferentes divisões do país.
— Não acho que o estadual tenha que acabar. Se você comparar o Brasil com a Europa, é quase do mesmo tamanho. Se pegarmos nossos 27 estados, temos basicamente 27 países com suas importância para o futebol brasileiro. O calendário novo aumentou o número de partidas disputadas no interior. Se você pega a Série D, são 32 vagas a mais. Isso gera oportunidade de emprego. Aumentamos o número de partidas onde podíamos, e reduzimos na Série A, enxugando os estaduais desses times. Quem gosta de comparar, é só olhar a Alemanha, a Itália, a Inglaterra. A base da pirâmide, as divisões inferiores tem mais times. E nos estamos nesse processo, com investimento financeiro, cota de participação e ajuda em transporte e logística dos clubes menores.
O diretor também comentou a possibilidade de os estaduais serem disputados de janeiro a dezembro. Segundo ele, apesar de viável em teoria, a mudança criaria dificuldades para clubes de menor investimento e perderia força diante da ampliação das competições internacionais.
— Matematicamente, é possível (ter os estaduais de janeiro a dezembro). Não sei se é o melhor caminho, porque diluir ainda mais afeta os times de menor investimento em manter o plantel e o plajamento. A parte financeira não fecha. Antes da reforma do calendário, só 14% dos clubes tinham calendário nacional. Agora, 112 vagas a mais foram criadas, com investimento de CBF. Agora, mais adianta nada a gente fazer esse movimento de reduzir o calendário, enquanto as competições internacionais aumentam suas competições e nos apertam ainda mais. É complexo.
As declarações foram dadas durante painel sobre o futuro do futebol brasileiro na Rio Innovation Week, em que Avellar abordou as mudanças promovidas pela CBF no calendário nacional e os desafios para conciliar competições estaduais, nacionais e internacionais.

Outras respostas de Julio Avellar no Rio Innovation Week
Reformulação do calendário
— Primeiro ponto era revisitar o calendário e fazer as alterações que precisavam. Segundo ponto era o fair play financeiro, e a terceira a arbitragem. Foi um exercício enorme reformular o calendário, pois constatou-se que os clubes de maior investimento tinham o calendário mais cheio, enquanto aqueles de Série C e D tinham maior demanda de oportunidade de jogos. Então, o desafio era esse, reduzir o número de partidas para os clubes de elite e aumentar para os times de divisões inferiores, por meio do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, como foi feito.
— Foi a tempestade perfeita. Com a chegada de um presidente mais novo, com uma gestão mais profissional, o processo foi facilitado. Acho que faltava vontade política. Foi tudo conversado com as federações.
Pressão sobre o calendário
— O calendário vem sofrendo pressão há um tempo. Fifa e Conmebol estão aumentando suas competições, e, do outro lado, nós tentamos reduzir os estaduais. Além disso, tínhamos muitas críticas pois todo ano há um evento que paralisa o calendário. A CBF era muito criticada por não parar as competições nas Datas Fifa, pois prejudicava os clubes. Então, implementamos as pausas de meio de ano. Nos estaduais, redução de 16 para 11 datas. Muitos perguntam: "Por que não começar a Série A depois dos estaduais?". A resposta está nos contratos dos jogadores, que tem no mínimo três meses. Por isso, resolvemos entrelaçar as primeiras rodadas do Brasileirão. Mas tudo isso é um processo, estamos estudando tudo isso e as consequências que isso tem.
Relação com Conmebol e Fifa
— Existe um diretor de competições na Conmebol e um na Fifa. Temos um diálogo constante, até porque fazemos as mesmas coisas em escalas diferentes. O alinhamento é fundamental, principalmente com a Conmebol, que é semanal. Mas a parte decisória é feita por cada entidade, pensando no que é melhor para sua esfera.
Competições de base
— As principais mudanças (na base) foram na Copa do Brasil sub-20, de 32 para 64 clubes. A outra foi a introdução do sub-15, que acabou de ter sua competição nacional. Esse processo de criação durou, pelo menos, quatro anos e meio. É fundamental para o desenvolvimento que o atleta da base tenha essas oportunidades. Quando você aumenta a oportunidade de mais clubes jogarem nacionalmente, temos uma troca importante. Ainda mais no sub-15, que você, por exemplo, quase não sai do Rio Grande do Sul. Se você olha o sub-15, possivelmente você pode ter um jogador ali na próxima Copa do Mundo. E esse jogador não tinha sequer uma competição nacional para disputar.
Futebol feminino
— No feminino, foram dois movimentos. No profissional, aumentamos a Série A1 e a A2. Na A2, aproximamos do formato no A2. Na base, e muita gente não percebeu isso, a CBF criou o programa "CBF transforma". Assim, fomentamos os estaduais sub-15, sub-17, e assim temos mais campeonatos femininos de base. Isso fomenta os times adultos, e faz com que os times femininos consigam obter mais oportunidades de calendário nacional.
Profissionalização da arbitragem
— Minha área não é arbitragem, quero deixar claro. Nos participamos de alguns processos, como a instalação do semiautomático e diálogo com os clubes. O movimento de fazer os árbitros profissionais é parecido com a da Premier League, por exemplo. Se você olhar a segunda divisão lá, a arbitragem é um pouco diferente. Esse processo é complexo e estamos implementando aos poucos.
— Foi feito um estudo olhando vários modelos, na Espanha, Inglaterra, Itália e outros países. A partir disso, foi analisado o cenário em que o Brasil se encaixa nas principais partes da arbitragem.
Fair play financeiro
— Vamos ver o resultado disso (fair play) agora. Possíveis sanções e como isso pode afetar os clubes nas competições. Quando acontecer, vamos poder falar melhor, temos que esperar maturar.
Profissionalização dos clubes
— Não é só o comportamento (dos dirigentes) que tem mudado, mas o tipo de profissional envolvido. Comecei no futebol em 2004, e era completamente amador. Hoje, todos os clubes da Série A tem reforços fora de campo, profissionais técnicos de excelência. Mudou muito. Os presidentes, seja de SAF ou assossiativo, se cercam cada vez mais de profissionais especializados. Isso mexe com qualquer tema a ser trataso e facilita o diálogo. Claramente isso ajudou no dia a dia.
Infraestrutura dos estádios
— Às vezes as pessoas olham para o futebol brasileiro e só vem crítica. Nenhuma federação do mundo faz o que a CBF faz de subsidiar 27 das suas 28 competições. Isso é muito bom. A CBF tem feito um trabalho de infraestrutura, pois temos muitos estádios, mas estádios aptos para receber partidas de futebol é complicado. Será criado um benchmark para os estádios, com tudo de infraestrutura que eles tem de oferecer.
— Vai melhorar (o gramado a infraestrutura), porque a experiência dos clientes e dos patrocinadores vai melhorar. Não é só o gramado, mas também como a transmissão é feita. Olha a Premier League, o gramaso verdinho. O pessoal sabe que eles ajustam a coloração? Não digo que estão burlando algo, mas deixando mais bonito. Temos que ter mais cuidado com o produto, desde esta parte até a infraestrutura. Acredito que estamos no caminho certo.
Exigências para os estádios
— As inspeções nos estádios foram quase concluídas, falta um estádio. Acredito que até setembro conseguimos publicar um estudo das condições dos estádios da Série A. A partir disso, podemos fazer uma série de requerimentos. Claro, não vai ser de uma hora para outra, e sim um processo com exigências a partir de 2027, 2028 e 2029.
Formato do Campeonato Brasileiro
— Não acho que temos que mudar (de pontos corridos para mata-mata) Os aspecto do mata-mata já é suprido pela Copa do Brasil. Entendo que talvez essas competições tragam mais audiência, então comercialmente talvez seria bom. Mas, pelo calendário, para o time se planejar, é bom ter os pontos corridos. E muitos falam de começar a Série A só em março, mas pouco falam que isso atrasaria as cotas de TV. Isso é outro ponto.
Copa do Brasil
— Financeiramente, nenhuma Copa nacional paga o que a CBF paga. Isso reflete no mercado. Talvez essa necessidade de algumas pessoas por um Brasileirão em mata-mata afetaria um produto muito consolidado como a Copa do Brasil. Ela ficou ainda mais democrática após essa mudança. Colocar os times da Série A ajuda em vários aspectos, como desafogar o calendário e garantir times de maior investimento em fases mais adiantadas, o que atrai mais patrocinadores. A Copa do Brasil está super consolidada e temos que valorizar o produto.
➡️ Siga o Lance! no Google para saber tudo sobre o melhor do esporte brasileiro e mundial
📲 De olho no Lance! e no Futebol Internacional. Todas as notícias, informações e acontecimentos em um só lugar.
🔥 Ganhe R$100 de volta se sua aposta perder na Esportivabet — aposte R$100 e confira as regras
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições.
Tudo sobre

São Paulo
Festa Junina do São Paulo fica R$ 3 milhões abaixo do orçamento
Há 1 hora
Atlético Mineiro
Kevin Castaño no Atlético: Paulo Bracks abre o jogo sobre negociação
Há 1 hora
Fora de Campo
Jornalista da CazéTV detona eliminação do Fluminense: 'Vergonha'
Há 1 hora
São Paulo
São Paulo mira receita milionária em acordo com a Ticketmaster
Há 1 hora
Fora de Campo
Lucho Acosta vira assunto em eliminação do Fluminense: 'Nunca será'
Há 2 horas
Futebol Nacional
Copa do Brasil terá impedimento semiautomático nas quartas de final
Há 2 horasMais LANCE!

Torcida do Flamengo reage a contratação de Almada no River: 'Maluco'

Atitude de Zubeldía em Fluminense x Vasco viraliza: 'Incrédulo'

Franclim estuda opções para o Botafogo com desfalque de Huguinho

Que horas é o jogo entre Corinthians x Internacional pela Copa do Brasil?

Leonardo Jardim e Filipe Luís são sombras um do outro à frente de Flamengo e Monaco

ANÁLISE: Cruzeiro faz jogo mais agressivo da era Artur Jorge contra Chapecoense

Saída de atacante pode abrir espaço para Ryan Francisco no São Paulo

ANÁLISE: Eliminação escancara um Fluminense que não se sustenta sem brilhos individuais

Copa do Brasil pode dar respiro financeiro ao Corinthians em meio a dívidas

Jogos de hoje: quem joga no futebol e onde assistir ao vivo – quinta-feira (06/08/2026)

Quanto o Vasco recebeu de premiação com a classificação na Copa do Brasil?

Primeiro jogador venezuelano a atuar no Brasil
