Artur Jorge x Domínguez: estratégias em jogo no clássico entre Cruzeiro e Atlético
Treinadores de filosofias diferentes fazem duelo à parte na beira do campo

Cruzeiro e Atlético iniciam, nesta terça-feira (25), a disputa pelas quartas de final da Copa do Brasil. Além da rivalidade dentro de campo, o clássico coloca frente a frente dois treinadores com estilos, estratégias e filosofias diferentes: Artur Jorge, do lado celeste, e Eduardo Domínguez, no comando do Galo.
Os estilos do Cruzeiro de Artur Jorge
Agente de transformação na temporada do Cruzeiro, o técnico Artur Jorge modificou totalmente a equipe, não muito na formação, mas principalmente na atitude. A equipe que chegou a ser frágil psicologicamente com Tite tem se mostrado muito mais resiliente sob o comando do português.

Na formação, a Raposa tem utilizado o tradicional 4-3-3, mas algumas peças podem alterar as características do time. No geral, o elenco tem mostrado alguns padrões. As principais questões estão nas laterais.
Seja com a dupla titular que for, o Cruzeiro conta com forte apoio dos laterais no ataque. Isso porque, quando eles sobem, costumam dar amplitude e profundidade, cedendo espaço para os pontas infiltrarem, pisarem na área ou aguardarem uma oportunidade para finalizar de fora da área. Além disso, também oferecem opção para triangulações com pontas e meias.
Apesar de não priorizar grandes números de posse de bola, o time de Artur Jorge sabe trabalhar com passes curtos, mas também explora a velocidade. Em qualquer uma das situações, o jogo passa pelos pés de Matheus Pereira.

O camisa 10 é quem dirige o Cabuloso, está sempre entre os jogadores mais participativos da equipe e distribui as jogadas no ataque. Quando a escolha é pela transição, atua em velocidade ao lado de Kaio Jorge. Nos jogos em que o plano é trabalhar melhor a bola, joga ao lado de Gerson, procurando os atacantes e finalizações de fora da área.
A principal preocupação do Cruzeiro para o duelo decisivo na Copa do Brasil é a postura dos jogadores. Em mais de uma oportunidade (inclusive no clássico pelo Brasileirão), a equipe se impôs tecnicamente, mas deixou a desejar nos combates e na intensidade sem a bola.
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Outro ponto de atenção para a Raposa é o jogo aéreo. Frequentemente, a equipe encontra dificuldades admitidas por Artur Jorge nas bolas altas. Sob o comando do português, o time sofreu oito gols de bola parada.
O Atlético com a cara de Eduardo Domínguez
Eduardo Domínguez vive o melhor momento de seu trabalho à frente do Galo. O treinador completou seis meses no comando técnico do Atlético e, aos poucos, parece ter conseguido implementar suas ideias e filosofia de jogo na equipe.
O Atlético de Domínguez é marcado pela forte organização defensiva e pela intensidade sem a bola. O time mantém um sistema compacto e organizado para dificultar as ações dos adversários e, a partir disso, aproveita os espaços nas transições para chegar ao ataque.
O treinador, que por muito tempo teve fama de ser mais defensivo, demonstra confiança nesse modelo de jogo. A equipe resiste às investidas dos adversários e se mantém competitiva mesmo em longos períodos sem a posse de bola.
Por outro lado, essa característica pode se tornar um problema. Em alguns momentos, o Atlético abdica do jogo ofensivo para priorizar a proteção defensiva, o que pode fazer o time sofrer maior pressão. Apesar disso, o modelo tem funcionado nos últimos jogos e ajudado o Galo a construir sequência positiva.
O Atlético chega ao clássico com 11 partidas de invencibilidade, muito por Domínguez ter encontrado uma formação que oferece equilíbrio à equipe. O sistema com três jogadores na defesa, incluindo Natanael, dá força, combatividade e presença no jogo aéreo, além de velocidade para pressionar e recompor.
No meio-campo, o treinador montou um setor forte, com dois jogadores centrais e dois alas que têm liberdade para avançar. Eles dão amplitude e profundidade ao ataque, mas também são importantes na recomposição defensiva.
Na frente, os jogadores que atuam pelos lados têm liberdade para se movimentar, buscar espaços por dentro e se aproximar do centroavante. A movimentação ajuda o Atlético a criar alternativas ofensivas sem abrir mão da organização defensiva.
No primeiro turno do Campeonato Brasileiro, Domínguez levou a melhor sobre Artur Jorge. O Atlético venceu o Cruzeiro por 3 a 1, no Mineirão, em partida na qual o Galo apresentou atuação bastante organizada. A equipe manteve as linhas compactas, dificultou a criação do rival e aproveitou as transições rápidas para construir o resultado.
Repetir a atuação daquele confronto é o que o Atlético busca nesta terça-feira. O Galo pretende novamente impor dificuldades ao Cruzeiro, explorar as transições e sair do Mineirão com resultado positivo para levar vantagem na disputa por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.
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