Uefa mantém boicote à Fifa; Conmebol fica em cima do muro
Europeus querem investigar plano de Infantino; sul-americanos pedem união

Apesar de o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ter engavetado o projeto de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo, e de ter emitido um comunicado oficial na quarta-feira (5) pedindo desculpas pela forma como a proposta foi feita, a Uefa decidiu manter o boicote às competições da entidade. A Conmebol, por outro lado, afirmou "celebrar" a decisão de Infantino de não dar prosseguimento ao projeto e se manteve neutra, fazendo apenas "um chamado à preservação da unidade da família do futebol".
➡️Presidente da CBF, sobre plano de Infantino para a Copa: 'Um pouco contra'
Os posicionamentos das entidades que comandam o futebol europeu e sul-americano foram apresentados nesta quinta-feira (6), um dia depois que Gianni Infantino se reuniu com alguns dos principais integrantes da cúpula da Fifa em Rabat, no Marrocos. O encontro, que se estendeu por várias horas, foi uma tentativa de reaglutinar forças, em um momento em que o presidente da Fifa é atacado por todos os lados.
Em nota divulgada no início da noite, assinada por Gianni Infantino e pelo secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, a Fifa admitiu erros na condução do processo de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), pediu desculpas às 211 federações filiadas e reafirmou apoio total à gestão de Infantino.
A Uefa, contudo, não se mostrou satisfeita e, em comunicado divulgado à imprensa internacional nesta quinta-feira, reiterou o boicote.
"As associações da Uefa foram muito claras quanto às condições associadas à não participação em competições da Fifa. Em primeiro lugar, as propostas de privatização das principais competições tiveram de ser retiradas e, em segundo lugar, é preciso garantir que tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais se repitam", diz o texto, que afirma ainda que "essas condições não foram cumpridas".
A confederação europeia ainda reiterou que mantém o tom da nota divulgada no sábado (1), quando afirmou ter perdido a confiança na administração de Gianni Infantino. "Essa posição permanece inalterada", ressaltou a Uefa.
A entidade promete fazer uma investigação independente para saber se os valores propostos por Infantino no projeto também estavam abaixo do esperado, o que poderia indicar favorecimento.

Conmebol mantém neutralidade em relação à polêmica com a Fifa
Enquanto a Uefa se mantém firme na oposição à Infantino, a Conmebol emitiu nota nesta quinta-feira em que procura se manter neutra.
"Diante dos acontecimentos que afetam a família do futebol, o Conselho da Conmebol, reunido nesta data, celebra a decisão da Fifa de retirar a proposta Fifa Forward Enterprise", diz texto publicado na manhã desta quinta.
A entidade sul-americana diz ter "preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação", mas não cita Infantino ou nenhum outro nome.
"A Conmebol não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais", acrescenta o texto, que pede apenas "um chamado à preservação da unidade da família do futebol, à atuação com responsabilidade institucional, ao fortalecimento do diálogo e ao pleno respeito aos mecanismos de governança".

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