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Camisa de Ceuta gera polêmica após gesto de Vini Jr, Mbappé e Konaté no Real Madrid

Jogadores não se pronunciaram sobre o boicote

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
16/09/2026 11:01

Supervisionado porNathalia Gomes,
Vini Jr e Mbappé usando a camisa "TodosSomosCaballas" (Foto: Reprodução/X)
Vini Jr e Mbappé usando a camisa "TodosSomosCaballas" (Foto: Reprodução/X)

Vini Jr, Mbappé e Konaté chamaram atenção antes da partida entre Elche e Real Madrid, na terça-feira (15), por uma postura diferente dos demais jogadores em relação a uma camisa de apoio a Ceuta. Os três entraram no gramado com a peça, mas a mantiveram enrolada, sem deixar completamente visível a mensagem "Todos somos caballas". Vini Jr e Mbappé retiraram a camisa antes do cumprimento entre as equipes, enquanto Konaté também não exibiu o slogan por inteiro.

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A cena ganhou repercussão porque a camisa fazia parte de uma campanha lançada em meio a uma crise migratória que atingiu Ceuta no fim de julho. A cidade autônoma espanhola, localizada no norte da África e na fronteira com o Marrocos, recebeu dezenas de milhares de pessoas que tentaram atravessar o território em uma das maiores entradas migratórias de sua história recente.

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O que aconteceu em Ceuta?

Nos dias 30 e 31 de julho, cerca de 72 mil pessoas tentaram entrar em Ceuta a partir do Marrocos. A maioria atravessou por mar, nadando em direção ao território espanhol, enquanto outros tentaram superar as barreiras da fronteira. A dimensão do movimento surpreendeu as autoridades e provocou uma crise humanitária na cidade.

A travessia também teve consequências fatais. Pelo menos 82 migrantes morreram no lado espanhol, enquanto o Marrocos confirmou outras 14 mortes. Entre as vítimas estavam pessoas que tentavam chegar a Ceuta pelo mar.

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Grande parte dos migrantes retornou posteriormente ao Marrocos, mas milhares permaneceram em Ceuta. Segundo autoridades locais, entre 5 mil e 8 mil pessoas ainda estavam no território semanas depois da entrada em massa, incluindo crianças e pessoas que solicitaram asilo. A estrutura de acolhimento ficou sob pressão, e grupos de moradores realizaram protestos contra a permanência dos migrantes.

A crise também provocou uma disputa sobre as circunstâncias que levaram à entrada em massa. Documentos divulgados pelo governo espanhol mostraram que o serviço de inteligência do país havia alertado, um dia antes do episódio, sobre planos de uma grande travessia. O governo espanhol afirmou posteriormente que não tinha sido informado sobre a dimensão que o movimento alcançaria.

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O Marrocos, por sua vez, rejeitou acusações de envolvimento na entrada dos migrantes e afirmou que não havia evidências que comprovassem participação das autoridades marroquinas.

A localização de Ceuta ajuda a explicar por que o episódio ganhou uma dimensão maior. Apesar de estar no continente africano, a cidade é um território espanhol e possui uma fronteira terrestre com o Marrocos. O país vizinho não reconhece a soberania espanhola sobre Ceuta e Melilla. Foi nesse cenário que surgiu a campanha que chegou aos jogos de La Liga.

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De onde veio a camisa de Ceuta?

A ação foi criada pela Associação Valenciana de Empresários (AVE), entidade empresarial presidida por Vicente Boluda, que também já comandou o Real Madrid. A campanha recebeu o nome de #TodosSomosCaballas e foi apresentada pela associação como uma demonstração de solidariedade aos moradores de Ceuta e de apoio à coesão territorial e social da Espanha.

A expressão "caballas" é o gentílico usado para os habitantes de Ceuta. Assim, "Todos somos caballas" significa, em referência à campanha, "Somos todos ceutenses".

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Vini Jr e Mbappé usando a camisa "TodosSomosCaballas" (Foto: Reprodução/X)
Vini Jr e Mbappé usando a camisa "TodosSomosCaballas" (Foto: Reprodução/X)

As camisas utilizadas pelos jogadores tinham a frase na parte da frente. Nas costas, apareciam o nome de Ceuta e o escudo da Espanha.

A iniciativa não foi criada pela La Liga. A associação apresentou a proposta aos clubes, e a competição autorizou a utilização das peças nos protocolos que antecedem as partidas. Na sexta rodada do Campeonato Espanhol, jogadores de Levante, Villarreal, Betis, Elche e Real Madrid participaram da ação.

O Barcelona foi uma exceção entre os clubes envolvidos. A equipe não utilizou as camisas antes da partida contra o Levante, enquanto os jogadores do clube valenciano participaram da homenagem.

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No confronto entre Elche e Real Madrid, os atletas receberam as peças antes da entrada no gramado. A maior parte dos jogadores dos dois times manteve a camisa visível durante os momentos que antecederam a partida. Vini Jr, Mbappé e Konaté fizeram diferente.

O que Vini Jr., Mbappé e Konaté fizeram?

Os três jogadores do Real Madrid receberam a camisa e chegaram a entrar no gramado com a peça. Vini Jr e Mbappé, porém, a mantiveram enrolada até a região do peito e a retiraram antes do cumprimento protocolar entre os jogadores. Konaté também apareceu com a camisa enrolada, sem permitir que a mensagem principal fosse vista integralmente.

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O comportamento chamou atenção justamente porque os outros jogadores do Real Madrid e do Elche mantiveram a peça aberta e visível. A diferença ficou registrada pelas imagens da transmissão e rapidamente passou a ser discutida na imprensa espanhola.

O Real Madrid havia concordado com a participação na iniciativa. Segundo informações publicadas por veículos espanhóis, o clube considerou que a decisão sobre utilizar ou não a camisa integralmente caberia a cada jogador, sem que isso representasse uma mudança na posição institucional do clube.

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Não houve, até o momento, uma explicação pública de Vini Jr, Mbappé ou Konaté sobre a decisão. Por isso, não é possível atribuir aos três uma motivação específica para terem escondido ou retirado a peça.

O episódio ocorreu depois de outra controvérsia envolvendo a campanha. Ez Abde, atacante marroquino do Betis, utilizou a camisa antes da partida contra o Villarreal e passou a receber críticas e ameaças nas redes sociais.

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A repercussão foi especialmente forte por causa da nacionalidade do jogador e da relação entre Ceuta e Marrocos. Abde se manifestou sobre o caso e afirmou que havia entendido a iniciativa como uma mensagem social, e não como uma manifestação política ou uma provocação ao país onde nasceu.

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