No Barcelona, Gabriel Jesus volta a desafiar imagem de 'atacante que não faz gols'
Brasileiro deixa o Arsenal após passagem marcada por lesões e pouco protagonismo

O atacante Gabriel Jesus acertou transferência surpreendente para o Barcelona e, aos 29 anos, tem a chance de um recomeço na Europa. Após período conturbado, marcado por lesões graves, o brasileiro quer retomar o protagonismo em um clube que confiou na sua capacidade técnica e tática. Com a camisa de um gigante acompanhado no mundo inteiro, o ex-Palmeiras também pode vencer a desconfiança no seu país natal, consequência do desempenho decepcionante em Copas do Mundo.
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Atacante que não faz gols?
Depois de começo de carreira avassalador com a camisa do Palmeiras e chegada com impacto imediato ao Manchester City, Gabriel Jesus assumiu o posto de camisa 9 titular de Tite na Seleção Brasileira. No entanto, a participação sem gols na Copa do Mundo de 2018 mudou a sua imagem entre os torcedores brasileiros. O papel tático executado não foi suficiente para justificar o seu jejum a quem já teve Ronaldo Fenômeno e Romário.
O otimismo sobre o atacante diminuiu no fim do ciclo seguinte, o desempenho caiu e a impaciência aumentou. Já na reserva de Richarlison no Mundial de 2022, o centroavante novamente passou em branco nas suas três oportunidades no maior torneio de seleções do planeta. E tudo piorou em sua última chance com a Amarelinha, na reta final de 2023, quando declaração sobre os gols não serem seu ponto forte repercutiu mal entre os torcedores.
— Tem coisas que eu não controlo. Eu treino, busco, tento, me movimento, ajudo a equipe. O gol é inevitável. Eu acredito que não seja meu ponto forte, porém eu faço gols e estou lá para fazer gols. Quando voltar, vai acontecer. É trabalhar. Eu trabalho quieto, não sou de rebater crítica, não sou de ficar feliz por elogio. Já fiquei, não fico mais — disse na ocasião.

De fato, Gabriel Jesus nunca foi um goleador da primeira prateleira mundial. Não é um centroavante "à moda antiga", fixo entre os zagueiros. Por outro lado, entrega não só aplicação tática, mas qualidade fora da área, com visão de jogo, dribles e movimentação constante. E, sim, marca os seus gols. Talvez mais do que o torcedor pensa ou do que ele mesmo tenha passado a acreditar após tantas críticas.
Quando o ex-Palmeiras assumiu a titularidade da Seleção Brasileira com Tite e empolgou o país, foi também pelos números. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, marcou sete gols em dez jogos, o que justifica a frustração com o jejum no Mundial logo depois.
Na carreira, o centroavante tem 155 gols e 68 assistências em 442 partidas. Bons números, mas que são melhores do que aparentam quando se olha para o tempo de jogo, uma vez que, ao longo de sua passagem pelo Manchester City, mesmo nas melhores fases, não conseguiu barrar o ídolo do clube Sergio Agüero.
Na temporada 2018/19, por exemplo, Gabriel Jesus marcou 21 gols em 47 jogos. No entanto, só disputou 41% do total de minutos possíveis. Portanto, em outra perspectiva, o brasileiro anotou 0,83 gols a cada 90 minutos, uma marca expressiva. A sua longa passagem pela equipe, então comandada por Pep Guardiola, foi marcada pelas dúvidas se o desempenho era atrapalhado pelas oportunidades limitadas ou se as chances recebidas representavam o seu teto no clube.
Em julho de 2022, o jogador buscou novos ares no Arsenal. Por lá, os primeiros jogos foram brilhantes. No entanto, logo após queda de desempenho, sofreu lesão no joelho e ficou ausente por mais de 100 dias. Entre outras contusões, o atacante rompeu o ligamento cruzado no ano passado e permaneceu mais 319 dias fora dos gramados. O momento fisicamente delicado impediu grandes sequências como titular, e a passagem se encerrou com números razoáveis, mas pouco protagonismo.
Gabriel Jesus na Europa:
| Temporada | Jogos | Gols |
|---|---|---|
Manchester City (16/17) | 11 (9 como titular) | 7 (0,85 por 90 mins) |
Manchester City (17/18) | 42 (29 como titular) | 17 (0,59 por 90 mins) |
Manchester City (18/19) | 47 (21 como titular) | 21 (0,83 por 90 mins) |
Manchester City (19/20) | 53 (34 como titular) | 23 (0,63 por 90 mins) |
Manchester City (20/21) | 42 (30 como titular) | 14 (0,44 por 90 mins) |
Manchester City (21/22) | 41 (28 como titular) | 13 (0,46 por 90 mins) |
Arsenal (22/23) | 33 (27 como titular) | 11 (0,42 por 90 mins) |
Arsenal (23/24) | 36 (21 como titular) | 8 (0,38 por 90 mins) |
Arsenal (24/25) | 27 (13 como titular) | 7 (0,52 por 90 mins) |
Arsenal (25/26) | 27 (9 como titular) | 6 (0,55 por 90 mins) |
Em sua carreira no futebol europeu, Gabriel Jesus talvez não tenha marcado mais gols por contextos complicados, de concorrência pesada e lesões, e não só por características de jogo. No entanto, receberá outra chance em um gigante do Velho Continente, credenciado novamente por aliar capacidade técnica e dedicação tática.
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Gabriel Jesus no Barcelona de Hansi-Flick
O técnico alemão Hans-Dieter Flick promoveu uma mudança profunda no futebol do Barcelona. A equipe catalã passou a não se notabilizar apenas pela posse de bola e qualidade técnica, mas também pela intensidade altíssima, com linhas elevadas e pressão constante na defesa adversária. Quem simboliza o perfil desejado pelo comandante é outro brasileiro, Raphinha, que consegue entregar números fenomenais e energia impressionante na mesma medida.
Confiante em sua forma de atuar, o Barça foi atrás de outros atacantes de velocidade no mercado: o inglês Anthony Gordon e o alemão Karim Adeyemi. Agora, Gabriel Jesus se junta ao grupo. As valências táticas do brasileiro, às vezes erroneamente confundidas com falta de capacidade com a bola, garantiram mais uma oportunidade de ouro ao atacante. Por mais que não chegue ao atual campeão espanhol com status de titular, o jogador tem boas perspectivas.

Após as saídas de Robert Lewandowski e Ferrán Torres, o Barcelona se frustrou na negociação dos sonhos, o argentino Julián Álvarez. Neste início de temporada, quem ocupa a função de camisa 9 improvisado é Raphinha, que já soma cinco gols em três partidas, com a companhia de Lamine Yamal, Fermín López e Gordon (ou Adeyemi).
Sem tanto espaço no Arsenal, Gabriel Jesus surgiu como oportunidade de mercado para ocupar justamente a lacuna de "homem-gol", mas sem sacrificar os princípios do técnico alemão. Durante os jogos, o brasileiro poderá ser acionado quando a equipe precisar de um centroavante. E, em uma das equipes mais goleadoras da Europa, não faltarão oportunidades para marcar.
— Gabriel Jesus não é um centroavante estático. Ele pode aparecer em todas as zonas da área e também cair pelos lados. E isso é precisamente o que Hansi quer: que eles troquem de posição constantemente. O bom que ele tem é que é muito trabalhador. É um jogador de equipe e trabalha muito a primeira pressão. Quando precisa pressionar, se envolve de verdade. É um jogador muito bom tecnicamente: se orienta bem com as duas pernas, conduz bem a bola e reage muito rápido em espaços reduzidos — explicou Bojan Krkic, coordenador de futebol do Barcelona, ao jornal "Sport".

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