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Federação sul-coreana se desculpa por favores sexuais a árbitros

KFA admitiu pagamento de "entretenimento sexual" para árbitros entre 2011 e 2012

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
08/08/2026 17:04
Fachada da Associação Sul-Coreana de Futebol
Fachada da Associação Sul-Coreana de futebol (Foto: GREG BAKER / AFP)

A Federação de Futebol da Coreia do Sul (KFA) divulgou neste sábado (8) um pedido público de desculpas pelas sucessivas crises que atingem a entidade após a participação da seleção na Copa do Mundo de 2026. A manifestação veio depois de uma audiência parlamentar, de uma operação policial de busca e apreensão e da retomada de um relatório que aponta o uso de recursos da federação para financiar "entretenimento sexual" destinado a árbitros estrangeiros entre 2011 e 2012.

O documento, elaborado em 2016 pelo Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, descreve despesas realizadas com cartões corporativos da KFA em casas de massagem e outros estabelecimentos adultos de Seul e de cidades que receberam partidas internacionais. Segundo a auditoria, os pagamentos ocorreram antes e depois de jogos das Eliminatórias para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e da Copa do Mundo de 2014.

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A denúncia foi revelada na última quinta-feira pela emissora JTBC, que citou ao menos sete ocasiões em que árbitros visitantes teriam recebido serviços pagos pela associação. As partidas ocorreram entre março de 2011 e março de 2012, período que incluiu confrontos das Eliminatórias da Copa do Mundo e do torneio olímpico de futebol.

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Ex-dirigentes ouvidos pela emissora afirmaram que alguns árbitros teriam solicitado a ida a locais desse tipo. Também disseram que atender a esse tipo de pedido era tratado como uma prática comum dentro da entidade naquela época. O relatório do governo, por sua vez, registrou que os gastos classificados como entretenimento inadequado incluíam valores relacionados a serviços sexuais.

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Em nota, a KFA afirmou lamentar a preocupação provocada por diferentes episódios que vieram à tona nas últimas semanas. A federação citou a audiência parlamentar, a operação policial considerada sem precedentes e os relatos sobre acontecimentos de mais de uma década atrás, dos quais muitos integrantes atuais da organização sequer tinham conhecimento.

— Pedimos sinceras desculpas por ter causado preocupação em relação a várias questões envolvendo a federação, que vieram à tona a partir de uma audiência parlamentar e de uma operação de busca e apreensão sem precedentes, bem como de relatos sobre eventos ocorridos há mais de uma década, dos quais até mesmo muitos membros da organização não tinham conhecimento — declarou a entidade.

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A associação também procurou delimitar o episódio ao passado e assegurou que práticas semelhantes deixaram de fazer parte de sua rotina.

— A associação deixa claro que condutas inadequadas desse tipo, ou o uso de cartões corporativos para tais fins, absolutamente não estão ocorrendo atualmente — completou a federação.

A revelação reacendeu uma discussão sobre a cultura administrativa que predominava na federação durante a década passada. O caso envolve árbitros internacionais, jogos de seleções e competições classificatórias, circunstâncias que ampliam o peso institucional das suspeitas e colocam em dúvida os mecanismos de controle adotados pela KFA naquele período.

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Polícia investiga escolha de treinador da Coreia

A polícia realizou buscas na sede da KFA, em Cheonan, e em instalações da entidade em Seul. A operação faz parte de uma investigação sobre o processo que levou Hong Myung-bo ao comando da seleção masculina da Coreia do Sul em 2024.

Carro da polícia deixa a sede da Associação Sul-Coreana de futebol
Carro da polícia deixa a sede da Associação Sul-Coreana de futebol (Foto: GREG BAKER / AFP)

Os investigadores apreenderam documentos para verificar se houve interferência indevida, favorecimento ou obstrução durante a escolha do treinador. A apuração também alcança dirigentes que participaram do processo, entre eles o ex-presidente Chung Mong-gyu, além de outros integrantes da estrutura administrativa e técnica da federação.

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Hong Myung-bo e Chung Mong-gyu foram chamados a depor em uma sessão parlamentar realizada em 30 de julho, quando deputados cobraram explicações sobre a condução da entidade e sobre o desempenho da Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026. A seleção foi eliminada ainda na fase de grupos, resultado que aumentou a pressão sobre a comissão técnica e sobre a direção do futebol sul-coreano.

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A polícia também investiga se as regras internas foram respeitadas durante a contratação de Hong Myung-bo e se dirigentes da federação interferiram em atribuições reservadas ao Comitê da Seleção Nacional e ao conselho da entidade. O treinador chegou a ser ouvido como suspeito no curso da investigação, enquanto o caso passou a reunir diferentes denúncias relacionadas à nomeação.

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A escolha de Hong Myung-bo já vinha sendo questionada antes da operação policial. A comissão responsável pela busca por um novo técnico teria sido acusada de não seguir todas as etapas previstas, enquanto membros da direção foram pressionados a explicar contatos e decisões tomadas antes da formalização do processo.

Uma federação sob pressão

O pedido de desculpas divulgado neste sábado tenta responder a uma crise que deixou de ser restrita ao resultado esportivo da Coreia do Sul na Copa do Mundo. A sucessão de episódios — envolvendo a administração atual, decisões tomadas em 2024 e despesas realizadas há mais de dez anos — expôs uma federação obrigada a prestar contas em diferentes frentes ao mesmo tempo.

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A investigação policial ainda está em andamento, e o relatório de 2016 voltou ao centro do debate depois das reportagens da JTBC. Até o momento, a KFA reconheceu a necessidade de se desculpar pelo financiamento dos serviços descritos na auditoria e afirmou que não há atualmente uso de cartões corporativos para finalidades semelhantes. As responsabilidades individuais e eventuais consequências legais dependerão do avanço das apurações.

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