Após prisões, Jô, ex-Corinthians, fala sobre mudanças nos padrões de vida
Último clube do jogador foi o Itabirito, de Minas Gerais

Em entrevista ao Ge, o ex-atacante Jô falou sobre sua vida atual após mais de duas décadas de carreira no futebol profissional, com passagens por Corinthians, Atlético-MG e Seleção Brasileira. O ex-jogador detalhou a nova fase pessoal e revelou que precisa reaprender a viver sem o mesmo poder aquisitivo que acumulou ao longo dos anos nos gramados.
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Outros pontos abordados foram as suas cinco prisões, sendo a última realizada em junho de 2026, os problemas com o álcool e o relacionamento com os oito filhos que teve com cinco mulheres diferentes. Jô também comentou sobre seus planos para a aposentadoria do futebol.

Prisões e mudanças no padrão de vida
Preso cinco vezes desde 2024, com a última ocorrência em junho deste ano por falta de pagamento de pensão alimentícia, o ex-jogador do Corinthians revelou que os compromissos financeiros com as mães de seus filhos foram um dos seus maiores entraves. De acordo com João Alves, os valores eram esperados com base em seus elevados ganhos ao longo da carreira, cifras que, segundo ele, já não correspondem à sua realidade atual.
— Fui um atleta bem-sucedido na minha carreira. Quando ela acaba, financeiramente você muda de patamar, não tem como manter o nível. Ouvi uma entrevista do Ronaldo Fenômeno dizendo que apenas 1% dos jogadores de futebol no mundo consegue manter um padrão financeiro alto após a carreira. Teve essa queda. Aí entra a questão do entendimento das outras pessoas, que são as mães. Elas dizem: "Ah, mas você jogou no City, no CSKA...". Tudo bem, joguei, só que agora não jogo mais. Tenho outro padrão de vida, tenho que diminuir, estou com 39 anos — relatou.
Longe dos gramados, Jô explicou como lida com ganhos expressivamente inferiores aos da época em que atuava como atleta. Acostumado a salários milionários ao longo da carreira, o ex-jogador detalhou a gestão de suas finanças atuais, mesmo ainda sem um caminho profissional definido para o futuro.
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– Não é quebrar, mas você diminui seu padrão de vida, não tem como. Um exemplo: eu ganhava R$ 300 mil, hoje sou um jogador aposentado, não ganho mais R$ 300 mil. Tenho meus investimentos, as minhas coisas. Eu sei da minha condição de vida, sei da minha capacidade; agora é administrar o pós-carreira, para ver qual o caminho que vou seguir e começar a ajustar as coisas — explicou.
Mensagem pros filhos
Ao ser questionado sobre qual lição gostaria de deixar aos oito filhos, Jô afirmou que deseja que eles não repitam os erros que cometeu ao longo da vida, mas que se inspirem em seus acertos. O ex-atleta destacou que carrega ensinamentos de seu próprio pai e que gostaria de transmiti-los aos filhos.
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– O que quero passar, e sempre procuro passar, é o que meu pai me ensinou: entender a vida, ter princípios, independentemente de como tudo aconteceu. Eu, como pai, vou procurar passar toda a educação possível, todos os ensinamentos possíveis. Tem aquele ditado: "faça o que eu falo, não faça o que eu faço". É isso que vou passar para eles. Passei por várias dificuldades, e o meu testemunho já é um ensinamento para eles. O que o pai fez de certo e deu resultado está aqui. O que o pai fez de errado e não quer que vocês repitam também está aqui — disse Jô.
Problemas com o álcool
Jô também comentou sobre os problemas que a bebida trouxe ao longo de sua trajetória. De acordo com o ex-centroavante, ele jamais se considerou um dependente químico, mas entende que tinha dificuldades para estabelecer limites. Outro momento destacado ocorreu durante sua passagem pelo Internacional, quando brigou com companheiros de equipe e teve o desempenho em campo afetado pelo consumo de álcool.
— Acho a palavra "alcoólatra" muito forte; o caso era mais de que não tinha controle. Não era todos os dias (que bebia), mas, quando acontecia, eu não tinha freio: "não, espera aí, já deu, vamos parar aqui". Talvez os profissionais de saúde digam: "mas isso aí é alcoolismo". No meu entendimento como ser humano, acho que não era. Hoje, graças a Deus, tenho esse controle, mas foi bem complicado — afirmou.
— Simplesmente por não jogar, eu descontava fora de campo, e isso me atrapalhava lá dentro. Costumo dizer que houve um desequilíbrio. Quem me conhece sabe que sou um cara tranquilo, muito boa-praça, mas, naquele momento, comecei a brigar com treinador, presidente, diretor... Até o Fernandão, que Deus o tenha, que era um cara que me abraçou quando cheguei. No decorrer das coisas, comecei a culpá-lo também. Enfim, foi um período difícil — complementou.
Aposentadoria
Quando o assunto foi a aposentadoria dos gramados, citou novamente a maneira de lidar com o dinheiro. De acordo com João, o Jô, jogador, não existe mais na prática e agora precisa trabalhar e viver de outra forma.
– É, exatamente. Por exemplo, se você for a um restaurante e pegar três Cocas, já não pode mais pegar três Cocas, tem que pegar uma. Essa situação você tem que começar a administrar, é difícil. A gente vê na história do futebol, ou até do mundo, pessoas que realmente têm dificuldade de entender isso e entram em depressão, há uma série de coisas que acontecem. Agora sou outra pessoa, sou um outro Jô, tenho uma outra vida, outro rendimento, tenho que trabalhar de uma outra maneira. O Jô, o jogador de futebol, ficou para trás. Agora é o João Alves, linkado com o Jô, para poder seguir a vida — disse o ex-jogador.
Questionado sobre em que área pretende atuar, afirmou que tem de estar dentro do futebol. Apesar de não descartar outras possibilidades, a decisão passa, fundamentalmente, pelo costume e conhecimento que tem no ambiente do esporte.
– Eu tenho que estar dentro do futebol. A gente que passa muitos anos dentro do futebol... Não que outras coisas não possam surgir, mas ainda me imagino e penso muito dentro do futebol, minha vida inteira.
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