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Corinthians tenta renegociar dívida com a Caixa e evitar bloqueio de receitas

Objetivo da diretoria é ampliar a margem financeira para pagar obrigações e evitar retenções

PorGuilherme LesnokSão Paulo (SP)
22/07/2026 06:00
Imagem da Neo Química Arena, casa do Corinthians
Neo Química Arena, casa do Corinthians, (Foto: Guilherme Lesnok/Lance!)

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O Corinthians segue tentando renegociar a dívida com a Caixa Econômica Federal referente ao financiamento da Neo Química Arena. O acordo firmado durante a gestão de Duilio Monteiro Alves mantém receitas e parte da administração financeira do clube sob forte influência do banco estatal.

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Na prática, caso o Corinthians não cumpra os compromissos previstos no contrato, receitas importantes para o fluxo de caixa, como valores provenientes de vendas de jogadores e premiações, podem ser bloqueadas pela Caixa para amortização da dívida.

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Segundo apuração do Lance!, o Corinthians negocia com a instituição financeira uma flexibilização do acordo para evitar o bloqueio de receitas futuras. Esses recursos são considerados fundamentais pelo clube para quitar pendências que impedem a retirada do transfer ban, além de manter em dia o pagamento de salários e direitos de imagem dos atletas.

Em 2026, o Corinthians estima pagar cerca de R$ 50 milhões à Caixa. Em 2025, o valor destinado ao banco foi de aproximadamente R$ 160 milhões, sendo R$ 120 milhões provenientes dos cofres do clube e R$ 41.420.844,19 arrecadados por meio da campanha de arrecadação organizada pela torcida para ajudar na quitação da dívida da Neo Química Arena.

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O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, acena durante treino da equipe na Neo Química Arena
Osmar Stabile, presidente do Corinthians (Foto: Peter Leone/Ofotográfico/Folhapress)

Como foi costurado o acordo entre Caixa e Corinthians?

O acordo original, firmado em 2013, não foi cumprido pelo Corinthians. À época, a Caixa Econômica Federal concedeu um financiamento de até R$ 400 milhões para a construção da Neo Química Arena, utilizada na Copa do Mundo de 2014. O clube permaneceu inadimplente até 2019, quando iniciou as negociações para reestruturar a dívida. Com a renegociação e a saída da Odebrecht da operação, foi criado um novo arranjo jurídico para viabilizar o pagamento.

Com isso, o valor da dívida passou de R$ 400 milhões para cerca de R$ 700 milhões, montante que engloba o principal financiado, juros e encargos. A taxa de remuneração é baseada na Selic acrescida de 2%, o que atualmente representa um custo próximo de 18% ao ano.

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O financiamento é quitado em parcelas trimestrais, que variam entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, com vencimentos previstos até dezembro de 2041. O contrato prevê um modelo de amortização progressiva, que começa em 0,25% em 2025, aumenta gradualmente até 3,5% em 2040 e retorna a 2% em 2041, como mecanismo para reduzir o risco de nova inadimplência.

Além das condições financeiras, a Caixa estabeleceu uma série de garantias contratuais. Uma delas impede a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) sem autorização do banco até 2041. Pelo contrato, qualquer operação que afete, direta ou indiretamente, as garantias depende de aprovação prévia da instituição financeira. Isso inclui mudanças na estrutura societária, cessão de receitas, reestruturações financeiras e operações que alterem o controle ou a destinação dos recursos do clube.

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Entre as garantias oferecidas estão as receitas de bilheteria, exploração comercial da arena, naming rights, premiações esportivas, cotas de transmissão, vendas de jogadores e até o Parque São Jorge, sede social do Corinthians. A mesma lógica se aplica a uma eventual recuperação judicial. Nesse cenário, a Caixa pode antecipar cobranças, executar garantias e ampliar a retenção de receitas. O Parque São Jorge também poderá ser objeto de penhora.

Os contratos ainda preveem mecanismos de intervenção indireta por meio da administração das contas do clube. Em caso de descumprimento das obrigações, o banco pode bloquear contas, reter valores arrecadados e direcionar os recursos diretamente para a amortização da dívida.

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Carlos Antônio Vieira e Duílio Monteiro Alves lado a lado
Carlos Antônio Vieira, presidente da Caixa, e Duílio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians (Foto: Rubens Machado/Corinthians)

Um dos principais instrumentos é a cessão fiduciária, pela qual o Corinthians transferiu como garantia a totalidade de suas receitas esportivas. Na prática, o clube depende de autorização da Caixa para movimentar esses recursos.

Esse modelo explica, por exemplo, o bloqueio de 50% dos cerca de R$ 77 milhões recebidos pelo título da Copa do Brasil. Os recursos foram destinados a uma conta vinculada à Caixa e, em caso de inadimplência, podem ser integralmente retidos pelo banco. A mesma regra se aplica às receitas obtidas com transferências de jogadores.

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No caso da bilheteria, o contrato estabelece retenções progressivas:

  • 50% entre 2022 e 2024;
  • 55% entre 2025 e 2027;
  • 58% a partir de 2028, até a quitação da dívida.

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