Está difícil! Narração não é meme…

Entre gritos, bordões e conversas paralelas, a narração perdeu espaço para aquilo que realmente importa: explicar o jogo

PorRaul Costa Jr.
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
28/07/2026 07:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Campo de futebol: qual o tamanho oficial pelas regras da FIFA? (Foto: FIFA)
Campo de futebol: qual o tamanho oficial pelas regras da FIFA? (Foto: FIFA)

Domingo. Você está com a família vendo seu time ou algum jogo na TV e/ou streaming e o narrador faz o brilhante comentário sobre um dos times que está perdendo: "O time tal está tentando empatar o jogo".

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Brilhante. Impressionante. Um time está perdendo e tenta empatar. Nunca vi disso em futebol. Kkkkk. Só rindo.

Essa é só uma das brilhantes participações que vi hoje acompanhando diversos jogos (como sempre faço). Tem mais: narrador e comentaristas conversam sobre tudo, contam episódios que viveram, mas nada de analisar o jogo. Falam, falam, falam e esquecem do jogo.

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Há poucos dias, um narrador quase esqueceu de narrar um gol. Foi por detalhe que não virou meme. Assunto não falta. Análise que é bom, explicando as jogadas, antecipando movimentos dos técnicos e objetivos das equipes? Nada. Nada mesmo.

Em dois jogos dos muitos que vi, ninguém explicou por onde as equipes pretendiam atacar e como a outra equipe poderia se defender. Ninguém antecipou jogadas ou posicionamentos. Parece que estão ali para uma conversa entre amigos que mostre descontração.

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Outras "pérolas" que ouvi: narrador diz que juiz marcou lateral, deu toda uma explicação e era falta, tendo que se explicar de novo. Ainda nem falei sobre gritos desnecessários e muitas outras "peripécias".

Não sou chato, mas me considero exigente e admito que, por conhecer um pouco de transmissão de futebol, fico chocado com o que estou vendo nas transmissões.

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Narração de futebol para streaming ou para TV é complemento das imagens. Costumo dizer que só se admite construção de imagem quando é rádio, onde o ouvinte obviamente não está vendo a partida e precisa imaginar o lance.

O narrador não pode e não deve descrever o que já está sendo visto pelo espectador, não pode ser redundante. É preciso melhorar urgentemente a qualidade das transmissões e alguém tem que dizer isto. Então digo eu.

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Não dá para ser uma gritaria generalizada, onde lateral vira quase gol, onde um passe vira "sensação". Óbvio que não sou contra dar emoção aos lances. Emoção é uma coisa. Gritar é outra.

Narradores excepcionais, como sempre tivemos no Brasil, sabem muito bem modular o tom e gritar nos momentos que realmente importam. Hoje parece que gritaria é o que vale, assim como expressões criadas ou salientadas, ou gritadas, para virar meme de internet ou corte para as redes sociais de quem narra.

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Quero lembrar que o fã do futebol está sempre em primeiro lugar, e não os cortes ou memes.

Não sei como são feitas as avaliações atualmente e nem se as chefias têm condições reais (gente disponível, tempo etc.) ou critérios claros para avaliar, mas o resultado desses processos internos não está dando certo.

É hora de reavaliar e acompanhar muito de perto as equipes, criando conceitos e objetivos claros de melhoria.

Conversa não é narração.

Gritaria não é emoção.

Torcida do São Paulo no Maracanã
Torcedores no Maracanã (Foto: Izabella Giannola/ Lance!)

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