CAMPO NEUTRO: Rota brasileira se abre para Ancelotti

José Inácio Werneck fala sobre assuntos em alta no mundo do esporte

PorLance!Avon (EUA)
17/05/2023 19:05
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Real Madrid de Ancelotti foi goleado pelo Manchester City na semifinal da Champions (Foto? Oli SCARFF / AFP)

O Real Madrid não foi derrotado hoje pelo Manchester City na semifinal da Champions League: foi achatado, humilhado, amassado.

Quatro a zero para o time dirigido por Pep Guardiola. Foi o novo contra o velho. Um time bem armado contra uma equipe que desde o início da partida mostrou que se sentia inferior.

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Perder faz parte da história de qualquer outro time, mas não do Real Madrid. Sobretudo perder como perdeu, praticamente levando uma lição de como se joga futebol.

E, sobretudo, o Real Madrid não aceita perder assim, ser humilhado assim, na Champions League, o campeonato - que desde antes, quando ainda era chamado de Copa da Europa - define a sua história, sua trajetória, sua tradição.

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Ancelotti é, sim, um dos mais vitoriosos técnicos da história do Real Madrid. Ancelotti tem um contrato com o Real Madrid até meados de 2024.

Antes da partida, dizia-se que mesmo uma derrota para o Manchester City na segunda partida da semifinal deste ano na Champions League não abalaria sua posição.

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Mas isto foi antes do time levar, como se dizia em outros tempos no Brasil, um baile. Uma aula de futebol.

A verdade ficou clara desde os primeiros momentos: domínio total do Manchester City. Em alguns instantes os números mostravam algo como 75% de posse de bola para o Manchester Cty, algo em torno de cem passes certos para o Manchester City contra 13 ou 14 para o Real Madrid.

Quando, lá pelo meio do segundo tempo, Carlo Ancelotti tirou Luka Modric, passou Alaba para a lateral esquerda e colocou Camavinga no meio-de-campo, ficou claro que as opções do Real Madrid eram poucas ou inexistentes. Que espécie de alternativa restaria para o time quando o homem que durante anos foi o seu cérebro no meio-de-campo saía como uma confissão que nada do que Ancelotti planejara para aquele setor - se é que planeja alguma coisa além de correr atrás dos adversários - dava certo.

O que se viu, pouco antes do Manchester City marcar seu terceiro gol, foi Vinícius fingir que tinha sido empurrado dentro da área adversária. Era uma confissão de impotência e se sentia que o Manchester City, depois de diminuir um pouco seu ritmo no segundo tempo, tinha reservas para se impor de novo em campo quando lhe conviesse.

Foi o que aconteceu. Quatro a zero, nenhuma discussão possível.

Não vejo como Florentino Pérez vá aceitar uma derrota tão acachapante.

Com todas as suas glórias, Carlo Ancelotti está a um passo de ser defenestrado.

O que é um desastre para o Real Madrid pode ser um benefício para o Brasil.

Carlo Ancelotti tem um convite da CBF e as possibilidades de que ele o aceite agora aumentaram muito.

Um técnico estrangeiro será bom para o Brasil? E Ancelotti, com sua aura diminuída, daria conta do recado?

Este é um tema para outro dia. Mas que a rota brasileira se abre para Ancelotti, disto não
tenho dúvida.

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