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Análise Tática do Guffo: o Botafogo de Tite começa agora

Treinador tem 16 dias para transformar o elenco antes do fim da temporada

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
21/09/2026 16:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Tire comandando o Botafogo durante jogo contra o Mirassol
Tire comandando o Botafogo durante jogo contra o Mirassol (Foto: Alex Pelicer/Ag. F8/Folhapress)

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Tite estreou no Botafogo com derrota, mas a noite em Mirassol entregou mais informação do que o placar de 2 a 0 sugere. O time ensaiou ser protagonista no segundo tempo e deixou pistas de que existe uma esperança ali na frente. A resposta real, porém, vem nas próximas duas semanas, quando o clube ganha 16 dias sem jogos para transformar uma intertemporada inteira em identidade. O momento cobra isso: o Botafogo está a nove pontos da zona da Libertadores e a sete do rebaixamento, com três técnicos no mesmo ano e uma torcida cansada de esperar.

O primeiro tempo em Mirassol foi o retrato fiel do problema herdado. O time encerrou os 45 minutos iniciais com 55% de posse de bola, cinco finalizações e a sensação de controlar um jogo que não existia. Passes longos, transições lentas e cruzamentos forçados na área montaram o cenário perfeito para o Mirassol: um adversário com a bola e sem saber o que fazer com ela, vulnerável nas costas.

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Um primeiro tempo previsível

E foi nas costas que o Botafogo sangrou duas vezes. O primeiro gol nasceu de um cruzamento atrás de Alex Telles; o segundo repetiu a jogada pela mesma faixa do campo. Repare no mecanismo: a pressão sobre o portador era tímida, os meias não chegavam na disputa e a recomposição deixava o lateral sozinho contra o mundo. Quem não marca o dono da bola e não corre para trás toma gol assim, e o Mirassol, adversário dos mais humildes da Série A, encontrou esse caminho com facilidade assustadora.

O segundo tempo, aí sim, mostrou o que Tite quer construir. Com Edenílson, Júnior Santos e Zieych em campo, o Botafogo virou uma blitz, com presença ofensiva constante e o Mirassol encurralado no próprio campo. Zieych acionou Medina na direita, o argentino invadiu a área costurando a marcação e finalizou nas mãos do goleiro. Controle de bola aliado a volume, dinâmica no meio e profundidade pelos lados. O placar não mudou, mas o caminho apareceu.

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Porque o modelo de Tite é conhecido e o elenco do Botafogo tem as peças para executá-lo. Linha de quatro, um primeiro volante e dois meias na construção, três homens na frente e uma obsessão por atacar com gente: sete, oito jogadores chegando na área. A triangulação pelo lado é a senha (ou gatilho, como preferem), com o lateral espetado, o ponta vindo por dentro para abrir o corredor e o meia infiltrando. Foi assim que Luiz Henrique e Almada renderam com Artur Jorge, e é esse encaixe que Vitinho e Alex Telles podem repetir, com Zieych e Medina dando ao meio a dinâmica que faltou na estreia.

O risco, no entanto, é tão conhecido quanto a receita. Nos trabalhos de Flamengo e Cruzeiro, Tite apresentou exatamente os dois defeitos que o Mirassol explorou no primeiro jogo: falta de pressão sobre o portador da bola e dificuldade real de correr para trás. É a tal bola descoberta, o time postado atrás, mas sem conseguir encostar em quem carrega a jogada. E é incômoda a coincidência: o Botafogo tomou dois gols da mesma forma como o Cruzeiro e o Flamengo sofreram tantos nos últimos dois anos.

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Tite e Bellão em Mirassol x Botafogo
Tite e Bellão em Mirassol x Botafogo (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

Dezesseis dias para construir identidade

A esperança mora na matemática do calendário. Os 16 dias sem jogo funcionam como uma pré-temporada no meio da briga, tempo raro para um treinador que chega na esteira dos desgastes corrigir recomposição, gatilhos de pressão e organização de bloco. A expectativa, porém, precisa ser realista: Tite foi contratado pelo currículo, mas carrega dois trabalhos recentes abaixo da média em elencos tão bons ou melhores que o atual do Botafogo. Ele pede paciência, e paciência é o que a tabela não costuma dar.

Então, o que esperar? O Botafogo de Tite deve trocar a posse burocrática por um jogo mais vertical, com os laterais como armas e o meio transformando controle em criação. A condição para que isso aconteça é única: resolver a recomposição defensiva e marcar quem tem a bola. Se a intertemporada curar esse defeito, o time se afasta do Z-4 e volta a sonhar com o G6 nas dez rodadas finais; se não, o histórico recente avisa que Mirassol se repetirá em versões mais caras. Torcedor do Botafogo, segure a ansiedade e observe os 16 dias: é ali que o Tite real aparece, e é ali que o time decide se vira projeto ou mais um capítulo de reconstrução.

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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