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'Fim do futebol': clubes da Série A defendem mercado regulado de bets no Brasil

Medida Provisória do governo federal pode proibir jogos de cassino online e afetar financiamento do futebol nacional

PorFernanda GondimRio de Janeiro (RJ)
17/09/2026 19:33
Atualizado há 1 minutos
'Fim do futebol': clubes da Série A se posicionam contra proibição das bets
Clubes da Série A se posicionam contra proibição das bets no Brasil (Foto: Reprodução/X)

Oito clubes da série A do futebol brasileiro publicaram, na noite desta quinta-feira (17/9), um manifesto conjunto em defesa do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil. O documento é uma reação direta à possibilidade de o Governo Federal editar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line no país. A decisão foi tomada em uma reunião com representantes oficiais dos clubes na sede da Ferj nesta quinta.

O manifesto foi assinado por Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, além da Federação Paulista de Futebol e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Os textos foram publicados nos perfis oficiais dessas entidades nas redes sociais.

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BAP, presidente do Flamengo, em reunião para defesa do mercado regulado de bets no Brasil
BAP, presidente do Flamengo, em reunião para defesa do mercado regulado de bets no Brasil (Foto: Vicente Seda/Lance!)

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Para dirigentes de alguns dos grandes clubes do Brasil, a consequência imediata seria uma redução no volume de investimento das empresas de apostas no futebol. Estima-se que as bets paguem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios aos clubes da Série A do Brasileirão.

No manifesto, os signatários ressaltam que os recursos das operadoras não beneficiam apenas os grandes clubes. "Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento", diz o documento. Confira a nota oficial na íntegra contra a proibição das bets no Brasil ao fim da página:

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Remo, Mirassol, Chape, Athletico, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, RB Bragantino, Vitória, Atlético Mineiro e Corinthians publicaram o texto em suas redes sociais.

➡️ 188 Bets autorizadas no Brasil: lista oficial (setembro/2026)

Nota oficial contra a proibição das bets no Brasil

O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

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Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.

O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

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Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.

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Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.

Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.

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Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.

Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

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