'Fim do futebol': clubes da Série A defendem mercado regulado de bets no Brasil
Medida Provisória do governo federal pode proibir jogos de cassino online e afetar financiamento do futebol nacional

Oito clubes da série A do futebol brasileiro publicaram, na noite desta quinta-feira (17/9), um manifesto conjunto em defesa do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil. O documento é uma reação direta à possibilidade de o Governo Federal editar uma Medida Provisória que proibiria os jogos de cassino on-line no país. A decisão foi tomada em uma reunião com representantes oficiais dos clubes na sede da Ferj nesta quinta.
O manifesto foi assinado por Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, São Paulo, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, além da Federação Paulista de Futebol e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Os textos foram publicados nos perfis oficiais dessas entidades nas redes sociais.

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Para dirigentes de alguns dos grandes clubes do Brasil, a consequência imediata seria uma redução no volume de investimento das empresas de apostas no futebol. Estima-se que as bets paguem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios aos clubes da Série A do Brasileirão.
No manifesto, os signatários ressaltam que os recursos das operadoras não beneficiam apenas os grandes clubes. "Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento", diz o documento. Confira a nota oficial na íntegra contra a proibição das bets no Brasil ao fim da página:
Remo, Mirassol, Chape, Athletico, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, RB Bragantino, Vitória, Atlético Mineiro e Corinthians publicaram o texto em suas redes sociais.
➡️ 188 Bets autorizadas no Brasil: lista oficial (setembro/2026)
Nota oficial contra a proibição das bets no Brasil
O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

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