Ídolos revelam emoção em dia que pode decretar queda do Palmeiras

São 11 jogadores, 90 minutos, mais de 15 milhões de torcedores e a possibilidade de um capítulo vergonhoso ser incluído na quase centenária história alviverde.

Às 17h deste domingo, a bola rola no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), para o confronto entre Palmeiras e Flamengo, duelo que pode sacramentar o retorno do Verdão à Série B dez anos e um dia depois do primeiro vexame, no Brasileiro de 2002 (veja todas as combinações de resultados necessárias abaixo).

Há quatro meses, o Palmeiras, dono do século 20, isolava-se como maior campeão nacional do país com dez conquistas ao faturar a Copa do Brasil de forma invicta. Nesta tarde, o palmeirense pode ter o pior dos pesadelos, inimaginável em julho, quando Marcos Assunção ergueu a taça na festa paulista em Curitiba.

Por isso, não é só o torcedor comum que sofre com a péssima fase do Palmeiras. Ídolo máximo e multicampeão com a camisa alviverde, Ademir da Guia é quem melhor representa a figura do palmeirense: cheio de títulos, a dor é grande:

– A tristeza é muito grande. A torcida está sofrendo muito. Espero não chorar assistindo ao jogo – declarou ao LANCENET! o Divino, aos 70 anos, sendo 16 deles esbanjando elegância e categoria com o 10 verde nas costas.

Assim como os palmeirenses, Ademir da Guia não perderá um minuto da partida. Todos, claro, com o coração alviverde a mil por hora, com o fio de esperança de quem se acostumou a festejar muitas taças.

Poucas delas foram tão comemoradas como a do Paulistão de 1993, sobre o arquirrival Corinthians, que decretou o fim da fila. Alegria essa que passou muito pelos pés goleadores de Evair, atualmente incomodado com a equipe na lama.

– Vejo algumas piadas em alguns lugares que me deixam chateado, porque sei o quanto é difícil vencer dentro do Palmeiras, o quanto é difícil saborear uma vitória e uma grande conquista. Dá tristeza ver as pessoas falando que o Palmeiras vai ser campeão da Segunda Divisão de novo – declarou.

Dos pés divinos aos pênaltis convertidos pelo Matador, são inúmeras as glórias nos 98 anos de Palmeiras. Que joguem pela história!

Cai ou não cai?

Não cai domingo
Verdão seguirá na luta contra a queda se vencer o Fla, com derrotas ou empates de Bahia (contra a Ponte Preta) e Portuguesa (contra o Grêmio). Se empatar no em Volta Redonda, Bahia ou Lusa precisarão perder os seus jogos hoje.   

Cai domingo
Uma derrota para o Flamengo decreta o rebaixamento, não importa os resultados dos concorrentes. Caso vença ou empate a partida, a queda também estará selada caso Bahia e Portuguesa vençam os seus oponentes na rodada de hoje.    

Bate-Bola: Ademir da Guia, ídolo máximo do Palmeiras, ao LANCENET!

Acredita na salvação?
Está muito difícil para escapar. Tem que ganhar do Flamengo, porque ainda estamos respirando. Se ganhar do Flamengo, vai ser uma vitória muito importante, como teria sido se tivéssemos vencido o Fluminense, o Botafogo. O pior é que a gente não vê uma melhora da equipe, que está cada vez mais nervosa, ansiosa. Enquanto houver essa possibilidade de escapar tem que lutar muito. O Flamengo é difícil? É difícil, mas dá para ganhar, porque o time está jogando bem, não tem feito os gols, foi muito prejudicado pela arbitragem, com muitos erros contra.

Por que o time está tão mal?
São vários os motivos: a saída do Felipão, ter deixado o Brasileiro em segundo plano quando disputou a Copa do Brasil, a euforia por ter ganho o título. Tudo isso é motivo, porque deixamos um pouco esse Brasileiro de lado e esse campeonato é muito difícil, com muitos clássicos, e a equipe não estando bem...

Tem acompanhado os jogos?
Tenho acompanhado alguns jogos, sim. Sempre ligado na televisão. Venho sofrendo, e a torcida toda também sofre. Às vezes nem acredito no que está acontecendo, é uma realidade muito cruel.

Como é o Ademir da Guia no momento de torcedor?
Eu não sou um torcedor muito bom, não pulo, não grito e nem fico muito agitado durante o jogo.

Chegou a chorar em 2002?
Fiquei triste naquela época, mas não me lembro se eu chorei. Já faz dez anos, é muito tempo.

Como recebe as piadas rivais?
Isso faz parte do esporte. Teve uma época em que o Palmeiras também brincou com as outras torcidas, e hoje é o contrário. A violência tem que estar fora de cogitação. Enquanto não houver violência vai ser normal. Já brincamos com os corintianos, agora os corintianos brincam com a gente, são-paulino também. O ruim é quando tem violência, existe morte, depredam as coisa. Aí não é legal. Até para a imprensa ter esse tipo de coisa é uma coisa sadia.

Como é ver o time atual poder manchar a história de um clube que você recheou de títulos?
O mais importante é o clube conseguir se reerguer no ano que vem, voltar para a Primeira Divisão, se de fato for rebaixado mesmo. Não vejo como uma mancha na história no clube. O principal é conseguir retornar. Na minha época existia o passe, então o jogador ficava muito mais tempo no clube e criava um vínculo afetivo onde ele jogava. Eu, por exemplo, joguei 16 anos no Palmeiras e consegui muitos títulos com os companheiros. Hoje os jogadores têm empresários, as negociações são diferentes e eles acabam ficando pouco tempo nas equipes.

Qual recado aos jogadores?
Se eu pudesse falar com algum deles eu pediria muita garra e dedicação. Vão ter que demonstrar muito empenho, porque é o jogo da vida deles. Ainda existe a chance de eles darem uma alegria para os palmeirenses nesse fim de ano.


Bate-Bola: Evair, Um dos maiores ídolos do Palmeiras, ao LANCENET!

Qual a análise da situação?
É uma situação inesperada. Um time que há quatro meses ganhou um título importante e chega a um momento como esse, a três partidas do fim do campeonato, com 99% de chance de cair. É muito inesperado isso. Qualquer pessoa que dissesse há três meses que isso iria acontecer, todo mundo iria dizer que seria quase impossível de isso acontecer.

O que levou a essa crise?
São situações que vêm se acumulando há muito tempo. Desde o início do ano o Palmeiras sofre com contusões, com jogadores que não entram em forma, machucados, troca de comissão técnica. São situações que vieram já desde o início do ano, e o Palmeiras deixa claro que está faltando o lado psicológico tranquilo nas partidas.

O elenco não está sabendo administrar a pressão, então?
Jogar no Palmeiras é difícil, porque a pressão é grande e nos momentos de dificuldade ela fica maior ainda. A adaptação no Palmeiras é mais importante do que você ter um grande futebol. Se adaptar à pressão e ter o lado psicológico bom é mais importante do que você estar bem preparado, ser um jogador tecnicamente superior a qualquer outro. O Palmeiras tem essa particularidade. Mas na hora que o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil eu não achei que era um supertime e agora que está para cair vejo que o time poderia ter se salvado no campeonato.

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