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Ingresso para final da Copa do Mundo no mercado paralelo custa R$ 397 mil

Valor médio para fase de grupos em sites não oficiais caiu 23% em um mês

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Vicente Seda
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 13/05/2026
10:00
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Reprodução do site Viagogo com preços de ingressos para a Copa do Mundo
imagem cameraReprodução do site Viagogo.com mostra preços de revenda no mercado paralelo de ingressos para final da Copa do Mundo

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O cenário de venda de ingressos e ocupação hoteleira para a Copa do Mundo, pelo menos no território americano, é de preocupação. Enquanto alguns ingressos são vendidos a preços exorbitantes em mercados paralelos — uma entrada para a final em local privilegiado no MetLife, em Nova Jersey, chega a custar US$ 80.820 (R$ 397.045 na cotação atual) —, a média de preço das entradas para a fase de grupos vem caindo desde que a Fifa abriu a sua última fase de vendas. O declínio, em um mês, chega a 23%.

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Apesar da indicação de queda na procura em mercados não oficiais, de acordo com a Fifa, a Copa do Mundo tem um total de cerca de seis milhões de ingressos para os seus 104 jogos e, destes, cinco milhões já foram vendidos. Na Copa do Mundo de Clubes, também nos EUA, no ano passado, a Fifa divulgou que um total de 2,5 milhões de torcedores estiveram nas partidas, com alcance global de 2,7 bilhões de pessoas que assistiram à competição — o que foi considerado um grande sucesso pela entidade, a despeito das imagens de arquibancadas vazias em alguns jogos, especialmente da fase de grupos.

Reprodução do site Viagogo com venda de ingressos para a Copa do Mundo
Reprodução do site Viagogo com o preço de entradas para a Copa do Mundo no mercado paralelo

Em relação ao setor hoteleiro, no início deste mês, a AHLA (American Hotel and Lodging Association) publicou um relatório no qual demonstra ceticismo, e até certo pessimismo, em relação às previsões iniciais de ocupação dos hotéis nos EUA para o Mundial. A associação monitorou os mercados hoteleiros em todas as cidades-sede do país, e a conclusão é que as reservas feitas por turistas domésticos estão ultrapassando as de visitantes estrangeiros.

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Entre as causas para a questão, a AHLA enumera os seguintes pontos:

- 80% dos que responderam aos questionamentos disseram que as reservas estão abaixo das previsões iniciais.

- 65-70% dos entrevistados em diversos mercados disseram que barreiras de vistos e preocupações com a situação geopolítica estão suprimindo de forma relevante a demanda.

- O bloqueio de acomodações feito antecipadamente pela Fifa, de acordo com a AHLA, foi superestimado e criou uma demanda antecipada inflada artificialmente e que, desde então, vem sendo recalibrada, com quase metade dos entrevistados no mercado hoteleiro reportando que houve liberação de acomodações previamente bloqueadas pela entidade.

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De acordo com a associação, somente um subgrupo limitado no mercado hoteleiro, que engloba cidades já com forte demanda turística por lazer ou que hospedarão seleções durante a Copa do Mundo, registra aumento nas reservas de acomodações. Este subgrupo representa entre 25% e 30% do total de entrevistados.

— Uma série de fatores atenuou o otimismo inicial, embora os indicadores antecipados mostrem que ainda existem oportunidades significativas pela frente. Para concretizar plenamente esse potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e sem complicações aos viajantes internacionais. Isso significa evitar aumentos desnecessários nos custos de vistos e transportes de e para os jogos, e dissuadir as autoridades locais de aplicar aumentos de impostos de última hora que prejudiquem os jogos e os consumidores — afirmou Rosanna Maietta, presidente e diretora executiva da AHLA, no relatório publicado no site da associação.

Outra preocupação é o alto custo previsto para os turistas durante o evento. De acordo com a US Travel Association, visitantes internacionais da Copa do Mundo esperam gastar mais de US$ 5 mil por pessoa, o que equivale a quase o dobro dos gastos em viagens internacionais típicas aos EUA.

Se, por um lado, a entidade comemora o número como oportunidade para os americanos, a US Travel Association não se furta também a alertar que "preocupações com a segurança, percepções políticas e barreiras à entrada podem limitar a capacidade dos Estados Unidos de tirar pleno partido desta oportunidade".

Em relação aos preços no mercado paralelo, o site Trackdata.com, que rastreia os valores em sites não oficiais de revenda, mostra que, nos últimos 30 dias, o preço médio das entradas para jogos da fase de grupos da Copa do Mundo vem caindo de forma consistente, chegando a 23% de queda no período. O número mostra enfraquecimento da procura, já que os preços no mercado paralelo são determinados pela demanda.

Reprodução do site Ticketdata.com mostrando queda nos preços dos ingressos para a Copa do Mundo em mercado não oficial
Queda nos preços em mercados não oficiais rastreada pelo site Ticketdata.com indica enfraquecimento

O alto preço das entradas chamou atenção até do presidente americano, Donald Trump. Indagado sobre o valor dos bilhetes pelo New York Post, comentou, no último dia 8:

— Eu certamente gostaria de estar lá, mas também não pagaria isso, para ser honesto com você — disse Trump, sobre as entradas para a estreia da seleção dos EUA na competição, contra o Paraguai.

Questionada pelo Lance! sobre a liberação das acomodações bloqueadas para a competição, a Fifa respondeu:

— Antes do Mundial, a FIFA reserva um grande número de quartos em vários hotéis com bastante antecedência em relação ao torneio. À medida que nos aproximamos do torneio e os números relativos à afluência se tornam mais concretos, a Fifa ajusta esse inventário em conformidade, uma vez que temos uma ideia mais clara do inventário real de que iremos necessitar. Estes quartos foram reservados para o pessoal da Fifa, organizações de comunicação social, delegações das equipes e partes interessadas na organização do torneio.

De acordo com a entidade, o ajuste está previsto em contrato e não é a primeira vez que ocorre para uma edição de Copa do Mundo.

— A Fifa aplicou uma cláusula contratual padrão, em consonância com eventos globais de grande escala. A Fifa já aplicou cláusulas de rescisão semelhantes em edições anteriores.

Metlife
Estádio MetLife, em Nova Jersey, será o palco da final da Copa do Mundo (Foto: Divulgação)

A reportagem do Lance! também questionou a entidade sobre medidas em cooperação com autoridades dos países-sede para coibir preços exorbitantes sendo cobrados em mercados paralelos.

— A Fifa está empenhada em garantir um acesso equitativo ao nosso desporto e disponibilizou bilhetes para a fase de grupos a partir de 60 dólares, um preço muito competitivo para um grande evento desportivo mundial nos EUA. A estratégia de preços da FIFA abrange uma ampla gama de faixas de preço e categorias, refletindo a procura do mercado para cada jogo. Os bilhetes foram disponibilizados em várias fases de venda, como a Categoria 4, com o preço mais acessível, e um mínimo de 1.000 bilhetes a 60 dólares para cada jogo através das equipes participantes, incluindo a final.

A entidade destacou ainda que a revenda de ingressos pode ser feita através do site oficial de forma segura:

— O Mercado de Revenda da Fifa proporciona um ambiente seguro, transparente e protegido para os torcedores venderem ou transferirem ingressos para outros torcedores. As taxas de facilitação de revenda aplicáveis estão alinhadas com os padrões da indústria nos setores desportivos e de entretenimento da América do Norte. Ao contrário das entidades por trás das plataformas de venda de bilhetes de terceiros, que têm fins lucrativos, a Fifa é uma organização sem fins lucrativos. As receitas geradas pela Copa do Mundo são reinvestidas para apoiar o desenvolvimento do futebol masculino, feminino e juvenil em todas as 211 federações-membro da FIFA, todos os dias do ano.

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