Flu x Libertad (PAR) põe emergentes frente a frente

Fluminense e Libertad (PAR), adversários desta quinta no Engenhão, podem ser perfeitamente comparados a alpinistas sociais. A cada ano, a dupla perde um pouco mais a timidez, o jeitão de penetras em festas de público seleto, casos de Libertadores e Sul-Americana. No duelo das oitavas de final, dois estilos diferentes de ascensão serão postos à prova: a força financeira dos brasileiros contra o poder político e de influência do paraguaios.
Da Série C até hoje, o caminho do Fluminense rumo à partida contra o Libertad foi aberto graças aos grandes investimentos de seu patrocinador. A estimativa de que recebe, em forma de ajuda no pagamento dos salários de seus jogadores, aproximadamente R$ 60 milhões por temporada, o coloca muito acima da média salarial de qualquer adversário sul-americano. Não há patrocínio igual ao do Fluminense à disposição no mercado – já admitiu mais de uma vez o presidente do clube, Peter Siemsen.
Do outro lado, o Libertad conta com a força de seu presidente, Horacio Cartes. Desde que o empresário com negócios no ramo de bancos, cigarros, cervejas e refrigerantes assumiu o clube, o time saiu do jejum de 26 anos sem títulos para ser o paraguaio mais bem-sucedido na Libertadores há cinco anos. Tudo com a bênção de Nicolás Leoz, presidente da Conmebol e ex-presidente do clube.
– O Libertad, sem dúvida alguma, tem uma rica história, mas voltou a vencer com o novo presidente – afirmou Ruben Céspedes, editor do jornal paraguaio ABC Color.
CITAÇÃO EM CPI BRASILEIRA
No Paraguai, o presidente do Libertad é uma figura controversa. É apontado ironicamente por muitos como o Midas do país, pois consegue ser bem-sucedido em todas as frentes em que se aventura, incluindo o comando do clube paraguaio, adversário do Fluminense.
Por trás da ascensão meteórica ao poder, tanto no esporte quanto na política, o empresário Horacio Cartes conta com uma citação nada honrosa na CPI da Pirataria, comissão parlamentar de inquérito da Câmara de Deputados de Brasília que investigou a entrada de produtos ilegais no país.
De acordo com o relatório, a empresa Tabesa, de Cartes, situada em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, é uma das principais responsáveis pelo contrabando de cigarros paraguaios ao país vizinho.
Em 2002, ele teve o nome ligado a narcotraficantes em reportagem publicada pelo jornal "La Nación".
COM A PALAVRA
RUBENS CÉSPEDES - EDITOR DO ABC COLOR (PAR)
"O presidente quer governar a república"
Com o presidente Horacio Cartes, o Libertad voltou a vencer. Desde 2007, ele é também presidente do comitê de seleções da Associação Paraguaia de Futebol. Sob sua presidência, o Libertad ganhou sete campeonatos paraguaios. O clube consegue contratar bons jogadores, treinadores estrangeiros e também o melhor do futebol local. Além disso, é um dos clubes que despertam o interesse dos jovens jogadores por conta dos bons salários que paga.
O presidente Cartes também se jogou na arena política e deseja ser presidente da república. Ele fez com que o Partido Colorado, agora na oposição após 60 anos de governo, alerasse seus estatutos para que ele, com um ano de filiação, pudesse participar das eleições internas para nomeação do candidato do partido. Anteriormente era exigido dez anos de filiação. Ele então ganhou a eleição, derrotando os líderes mais tradicionais do partido.
Horacio Cartes é um homem de grande poder econômico, e em entrevistas não nega que financia líderes políticos de outros partidos.
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