'As últimas serão as primeiras': a jornada olímpica das tenistas Stefani e Pigossi, bronze nos Jogos Olímpicos
Em menos de 15 dias, as paulistanas saíram de 'não classificadas' à medalhistas olímpicas, fazendo história para o tênis brasileiro

"As últimas serão as primeiras", foi assim que Laura Pigossi profetizou sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, ao lado de Luisa Stefani. A dupla brasileira, que fez história neste sábado ao conquistar a medalha de bronze para o Brasil, teve em Tóquio uma das mais impressionantes jornadas olímpicas possível.
O caminho até o bronze de Stefani e Pigossi começa quase dois meses antes, quando Luisa Stefani levou um susto na França e foi submetida às pressas a uma cirurgia de apendicite. Melhor brasileira ranqueada na WTA, 23º do ranking de duplas, Luísa perdeu a disputa de Wimbledon e pôs em cheque uma possível ida à Tóquio, que precisaria de muitas desistências.
>Confira todas as medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio
A equipe brasileira, comandada por Jaime Oncins e Daniel Melo, inscreveu Stefani na chave de duplas ao lado de Luisa Stefani, 188ª nas duplas. O ranking de corte e classificação era o de 28 de maio, prévio a Roland Garros.
As chances eram pequenas, mas a esperança lá esteve até o último segundo. Pigossi e Stefani entraram na lista olímpica na última atualização, a menos de 8 dias completos do início da disputa do esporte na Olimpíada.
- Estávamos fora da lista e entramos na última hora. Lembro que eu brinquei que 'as últimas serão as primeiras', revelou ela ao site da ITF.
Laura Pigossi estava competindo no Cazaquistão, Luísa Stefani treinando e se preparando para o US Open nos Estados Unidos. Pigossi contou que recebeu a notícia e acordou a parceira:
- Ela estava dormindo. Não acordava por nada e eu dizia 'que merda!', quero acordá-la. Quando ela atendeu, nem queria falar, mas aí avisei que era urgente.
E com urgência e de última hora, elas se organizaram para ir aos Jogos Olímpicos.
A campanha épica
O sorteio da chave não foi muito positivo ao olhar dos mais céticos, de cara teriam pela frente as sétimas favoritas, as canadenses Gabriela Dabrowski, dona de 2 títulos do Grand Slam em duplas mistas e que jogará o circuito regular com Stefani nesse segundo semestre, e Sharon Fichman.
Na sequência, a dupla da República Tcheca, a nação que nos últimos 10 anos tem dominado o tênis feminino de simples e duplas, com nove jogadores entre as 30 melhores do mundo (simples e duplas), fora os 6 títulos da Billie Jean King Cup, maior torneio entre nações do tênis feminino, neste período. A pedreira tcheca responde pelo nome da ex-número 1 do mundo em simples e que vinha do vice-campeonato de Wimbledon, Karolina Pliskova, e a embalada Marketa Vondrousova, vice-campeã em Roland Garros 2019.
O jogo foi duríssimo, e as brasileiras precisaram salvar quatro match-points, fecharam a partida em 2/6 6/4 13/11 para se garantirem nas quartas de final, o que já configurava a melhor campanha feminina de duplas do país em Olimpíada.
Nas quartas, outra pedreira, as americanas Jessica Pegula e Bethanie Mattek Sands, ex-número 1 do mundo nas duplas, dona de 5 títulos do Grand Slam nas duplas femininas, outros 3 em duplas mistas e ouro nas mistas no Rio de Janeiro. Outro jogo duríssimo, nova vitória de virada 1/6 6/1 10/6.
Garantidas na semifinal, Stefani e Pigossi tinham pela frente as suíças Belinda Bencic e Viktorjia Golubic. Exatamente 1h30 antes do duelo, Bencic encarou uma batalha de quase 3h para ir à final olímpica em simples. Com uma rival inspirada e muita luta por parte das brasileiras, a derrota veio apertada 7/5 6/3, numa virada das suíças que abriram o jogo perdendo de 4/0.
Era então que Luisa Stefani e Laura Pigossi repetiam o feito de Fernando Meligeni, que em Atlanta 1996 lutou pelo bronze, mas acabou derrotado pelo indiano Leander Paes.
Desta vez, com muita luta, como foi da primeira, a vitória veio e foi gigantesca, de virada e diante da atual campeã olímpica nas duplas femininas (Rio 2016), a russa Elena Vesnina, que jogou ao lado da jovem compatriota Veronika Kudermetova. Aos 34 anos, Vesnina é ex-top 10, dona de 3 Grand Slams nas duplas femininas e outros 3 nas duplas mistas e voltou ao circuito após 3 anos, para disputar Tóquio.
E foi assim, novamente diante de adversárias virtualmente favoritas e muito vencedoras que Luisa Stefani e Laura Pigossi conquistaram sua terceira virada, salvando outros 4 match-points com placar de 4/6 6/4 11/9.
Essa campanha deu ao Brasil sua primeira medalha olímpica no tênis.
*Por Ariane Ferreira

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