US Open: Queda de Alcaraz gera críticas e mudanças no ranking
Partida encerrada na madrugada reacende revolta por horários do Grand Slam e custa 1600 pontos a Alcaraz, que vê rivais encostarem no topo

Ben Shelton eliminou Carlos Alcaraz nas quartas de final do US Open na madrugada desta quarta-feira (9). O americano venceu por 3 sets a 2, com parciais de 6-7(5), 6-1, 6-3, 1-6 e 7-6(10-7), após 4h28 de jogo no Arthur Ashe Stadium, em Nova York.
A partida encerrou a programação da quadra central às 3h33 no horário local, batendo o recorde de jogo mais tarde finalizado na história do torneio. O recorde anterior pertencia ao próprio confronto entre Alcaraz e Jannik Sinner, nas quartas de final de 2022, encerrado às 2h50.
Campeão inédito e consequências no ranking
A eliminação do espanhol, atual terceiro do mundo e bicampeão do US Open (2022 e 2025), garantirá um novo campeão na edição de 2026. Alcaraz era o último ex-campeão ainda vivo no chaveamento masculino. O torneio vive sem um bicampeão desde Roger Federer, que defendeu o título cinco vezes consecutivas entre 2004 e 2008.
A derrota também pesará no ranking. Alcaraz defendia 2000 pontos como campeão e somará apenas 400, uma perda líquida de 1600. Sinner, que não disputou o torneio, descartou 1.300 pontos do vice-campeonato de 2025 e vai a 11.500. O espanhol ficará com 5.560, distância superior ao dobro em relação ao líder.
Shelton pode se aproximar de Alcaraz no ranking. Com a semifinal garantida, o americano sobe para a quarta posição, com 4.180 pontos. Se conquistar o título, chegará a 5.380, podendo ultrapassar o espanhol. Alexander Zverev, com 8.090 pontos, pode alcançar 9.690 em caso de título, chegando a menos de 2.000 pontos de Sinner.

Críticas ao horário do US Open
A edição de 2026 vem acumulando partidas noturnas tardias. Zverev encerrou duas de suas disputas depois das 2h da manhã no horário local, também com duração superior a 4h30.
O ex-tenista italiano Paolo Bertolucci, comentarista da Sky Italia e ex-número 12 do mundo, criticou a programação do torneio. "Decidiram acabar com o tênis", escreveu. "Mais de quatro horas de uma partida que termina às 3h30 da manhã. Depois, lamentam as ausências por lesão. Uma vergonha!!!"
Em outras publicações, Bertolucci foi além. "Pedir a um atleta que jogue às 3 da manhã significa seguir um plano diabólico arquitetado para destruir o tênis", afirmou. "Um ano sem Rune e Draper. Meses longe das quadras para Alcaraz, Musetti e Sinner. Por favor, continuem assim…"
Greg Rusedski, finalista do US Open em 1997 e ex-top 4 do mundo, já havia levantado o mesmo problema antes da partida entre Alcaraz e Shelton. "É uma situação realmente complicada para os torneios, mas acredito que deve haver uma solução, pois não deveríamos ter atletas jogando tão tarde da noite. Não existe outro esporte no mundo que faça isso", disse o britânico.
Alcaraz satisfeito com volta às quadras
Apesar da eliminação, Carlos Alcaraz demonstrou satisfação com o desempenho. "Meu objetivo era competir, jogar esse tipo de partida e, acima de tudo, fazer isso estando saudável. Foi muito equilibrado. Então, não vou ficar desapontado por não ter conseguido a vitória no final. Estou feliz e orgulhoso de mim mesmo, de como lutei durante toda a partida. Estava jogando contra um dos melhores; Shelton é uma fera. O mais importante é que estou saindo daqui saudável", declarou.
Alcaraz agora se prepara para a gira asiática, que começa na última semana de setembro. Na semifinal do US Open, Shelton enfrenta o compatriota Frances Tiafoe na sexta-feira (11), com horário a definir.
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