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OPINIÃO: a Seleção ainda precisa encontrar seu camisa 10

Novo ciclo ainda carece de um jogador capaz de ditar o ritmo da Seleção

PorMárcio Iannacca•Rio de Janeiro (RJ)
27/09/2026 14:03

Raphinha é o camisa 10 da Seleção Brasileira. A numeração está definida, o jogador também. Mas existe uma diferença importante entre vestir a camisa 10 e exercer, dentro de campo, o papel que historicamente se espera dela.

E é justamente aí que Carlo Ancelotti ainda tem uma questão para resolver.

Na próxima terça-feira (6), contra a Austrália, em Brisbane, às 7h (de Brasília), a Seleção vai novamente a campo sem um camisa 10 de ofício no meio-campo. Bruno Guimarães, Danilo Santos e Gabriel Bontempo são jogadores de características diferentes. Todos têm qualidade, intensidade, capacidade de conduzir e chegar ao ataque. Mas nenhum deles é aquele meia cerebral, capaz de receber entre as linhas, diminuir a velocidade da partida e colocar o jogo no ritmo que interessa ao Brasil.

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+OPINIÃO: escolha do camisa 10 é o primeiro erro de Ancelotti em novo ciclo do Brasil

Não é que Ancelotti precise encontrar um novo Rivaldo, Neymar ou Ronaldinho Gaúcho. O futebol mudou. A função do camisa 10 também. E o próprio Raphinha, escolhido para vestir a 10 depois da saída de Neymar, tem características que permitem pensar em uma Seleção mais móvel, com atacantes trocando de posição e menos dependência de um armador centralizado.

Mas o Brasil deveria, sim, procurar esse jogador.

E a resposta pode estar mais perto do que parece.

Matheus Pereira, do Cruzeiro, é um nome que merece ser observado. Aos 29 anos, talvez seja hoje uma das opções mais próximas daquele meia que pensa o jogo antes de executá-lo. Tem passe, visão, capacidade de jogar entre as linhas e, principalmente, uma característica cada vez mais rara: sabe dar pausa.

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Outro nome poderia ser o de Gustavo Scarpa. O meia do Atlético-MG já vestiu a 10 e tem repertório técnico para criar, cruzar, encontrar passes e participar da construção ofensiva. Mas não vem atuando constantemente com a camisa do Galo, retornando de uma recente cirurgia no joelho. Houve, inclusive, conversa com o São Paulo durante a temporada, embora a transferência não tenha acontecido. É um jogador que poderia oferecer uma alternativa diferente ao meio-campo de Ancelotti.

E existe uma resposta dentro da própria convocação atual: Breno Bidon.

O jogador do Corinthians tem 21 anos, está no banco nesta Data Fifa e é justamente um meia de características mais próximas do que se procura nessa discussão. Não significa que esteja pronto para ser o dono da posição. Mas, se Ancelotti quiser conhecer as opções para o próximo ciclo, Bidon precisa estar nessa conversa.

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Gabriel Bontempo também está nesse processo. Ele é um meio-campista moderno, mais dinâmico, capaz de percorrer espaços, pressionar e chegar à frente. É muito interessante, mas não é o armador clássico para esta discussão. No Santos, inclusive, veste a camisa 8.

E aí entra uma indicação ainda mais pensando no futuro: Isaque, do Shakhtar Donetsk.

Revelado pelo Fluminense, o meia é um dos jogadores da nova geração que mais se aproximam desse perfil de armador criativo. Aos 19 anos, já acumulou experiência na Europa e terminou sua primeira temporada no Shakhtar com sete gols e seis assistências. No começo da atual temporada, soma dois gols e três assistências em sete partidas.

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Isaque também está integrado ao processo da Seleção Sub-20. E esse talvez seja o ponto mais importante: se o Brasil entende que precisa recuperar jogadores capazes de pensar o jogo pelo centro, não basta procurar soluções imediatas. É preciso trabalhar essa característica desde a base.

A Seleção pode jogar sem um camisa 10 clássico. Ancelotti já mostrou que pretende construir uma equipe com muita mobilidade e diferentes formas de ocupar o campo. Raphinha pode ser o camisa 10, mesmo atuando mais adiantado. Bruno Guimarães pode ser o primeiro construtor. Bontempo pode ganhar espaço. Bidon pode aparecer. E outros nomes ainda podem surgir.

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Mas não deixaria essa busca de lado.

Porque uma coisa é não precisar de um camisa 10. Outra, bem diferente, é não ter um jogador capaz de pensar o jogo. O Brasil sempre teve esse jogador. Zico, Rivaldo, Kaká, Ronaldinho, Neymar, entre tantos outros, foram referências em diferentes momentos e com características distintas.

Agora, talvez seja hora de descobrir quem será o próximo. A camisa 10 já tem dono. O papel de camisa 10, ainda não.

Gabriel Bontempo durante coletiva de imprensa da Seleção Brasileira
Gabriel Bontempo deve começar jogando diante da Austrália, neste terça-feira (29) (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
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