Análise tática do Guffo: os problemas da derrota do Brasil para a França
Atuação expõe limitações do 4-2-4 e levanta dúvidas sobre protagonismo da Seleção

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O Brasil não perdeu só o jogo, mas perdeu a chance de se provar protagonista. A derrota por 2 a 1 para a França expôs algo que a gente faz de conta que não quer ver: enquanto os franceses têm 181 jogos de identidade com Deschamps, Ancelotti soma apenas 12 à frente da Seleção.
Não foi apenas falta de talento, foi falta de sincronia, virada de chave e execução coletiva. A França, mesmo com um a menos no segundo tempo, controlou transições e espaços com tranquilidade.
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O primeiro gol foi um sintoma de desadaptação. Léo Pereira falha na pressão e desencadeia uma sequência de erros na saída de bola brasileira. Casemiro gira errado, perde para Dembélé, que faz uma assistência perfeita para Mbappé. Deixar o jogador mais veloz do futebol no mano a mano é covardia. É o preço de testar uma escalação nova sob pressão alta sem tempo de maturação.
Vini Jr nos holofotes 🌟
Nas redes e nos meios de comunicação, Vini Jr. virou o centro do debate. Sem bola, até incomodou a saída (Pavard e Konaté embolados, chance clara de Martinelli). Com bola? Zero impacto. Sem drible, sem criação, sem ruptura.
A entrada de Luiz Henrique (com 3 dribles certos e 2 passes chave) mudou tudo: consciência física, sustentação de pressão e dinâmica de terceiro homem. Debate sobre titularidade não é "se", mas "quando". Copa é tiro curto.
Neymar precisa entrar na conversa. Ausente por condição física, ele tem leitura e pausa que faltam ao ataque atual. Não como salvador, mas articulador, um 10 ou falso 9 para pausar o caos. Talento e bagagem para jogos grandes ele tem. Mas eu tenho a obrigação de não vender a ilusão de que Neymar, hoje como está, irá salvar esta Seleção. Pois não vai.
Favoritos são os outros 😔
O 4-2-4 de Ancelotti mostrou problemas frente a um time mais forte e estruturado. Esquema atraiu marcação (volantes avançam, criam buraco entrelinhas), mas sem rotas seguras ou sustentação posicional. França usou pontas que baixam (Dembélé como volante), laterais de força na linha de fundo e construção refinada.
O segundo gol da França prova isso: foi mais de um minuto de posse francesa, Brasil reage lento. O esquema é bom para transição, mas ruim para posse e precisa de ajustes urgentes (meia mais fixo ou laterais invertidos?).

Nós sabemos que a Copa do Mundo é um torneio muito peculiar, e um amistoso não significa muita coisa além de detalhes específicos. Esse time do Brasil pode encaixar e dar liga? Claro que pode. Mesmo sem Neymar.
A questão é que adversários como Argentina, Espanha, Inglaterra e a própria França já encaixaram faz tempo e vão para o torneio alguns passos à frente do Brasil.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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