Mochileiro do Acre faz do mundo sua arquibancada para torcer pelo Brasil
Lucas Calegari vive uma rotina de sonho para muitos torcedores

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Morador de Porto Acre, no Acre, cidade com cerca de 18 mil habitantes, Lucas Calegari transformou a paixão pelo esporte em rotina de arquibancada. Apaixonado pelo Brasil desde a infância, cresceu acompanhando o país em todos os esportes, do futebol às corridas de Rubens Barrichello nas manhãs de domingo, passando por Guga, Marta, e hoje é como um cidadão do mundo, atravessando o planeta atrás do Brasil e dos atletas brasileiros.
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Nascido em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Lucas mudou-se com os pais para o Acre aos 9 anos. A distância dos grandes eventos esportivos fez com que sua estreia em um torneio de grande porte acontecesse apenas em 2014, quando assistiu ao histórico Bélgica x Estados Unidos, partida em que o goleiro Tim Howard, do time norte-americano, registrou o maior número de defesas em uma só partida na história das Copas. A partir daí, o caminho estava semeado e os frutos seriam colhidos pouco depois.
— Na Olimpíada no Rio eu era universitário. Então eu consegui comprar na categoria mais barata, meia-entrada. Então eu tive ingresso que eu paguei R$ 20. Eu só não fui a algum evento em dois dias. Via medalha de ouro do Robson Conceição no boxe, a vitória na semifinal do Alisson e Bruno no vôlei de praia. E um dos momentos mais emocionantes foi na final do futebol. Não tinha ingresso, então eu fui com meus tios para o Píer Mauá, onde havia vários telões e foi muito emocionante. Não cabia mais ninguém, e ver o Brasil ganhar o ouro. E ainda lembrei que o Weverton (goleiro titular daquela seleção) é do Acre — recorda Lucas.
A partir daí, o engajamento cresceu ainda mais, até que, em 2018, ele se encontrou ao conhecer o Movimento Verde Amarelo (MVA), torcida organizada criada em 2008 para apoiar atletas brasileiros em diferentes modalidades ao redor do mundo.

Jornalista esportivo desde 2019, ele se aproximou do MVA durante a Copa do Mundo da Rússia, depois de assistir nas redes sociais a vídeos da festa promovida pelos torcedores brasileiros nas arquibancadas. Admirador do ambiente de estádio e frequentador de jogos desde a infância, enxergou na iniciativa uma forma de acompanhar o Brasil de maneira organizada e permanente.
— Meu primeiro jogo de seleção brasileira, por exemplo, foi em 2019. A estreia do Brasil na Copa América contra a Bolívia no Morumbi. Quando eu morava em São Paulo e teve o jogo de abertura lá e eu consegui ter a oportunidade de ir — lembra Lucas.
Ainda em 2019, participou de um amistoso entre Brasil e Argentina da seleção feminina, no Pacaembu, na estreia da técnica Pia Sundhage. Foi naquele jogo que teve o primeiro contato presencial com integrantes do Movimento Verde Amarelo e percebeu que a torcida tinha o objetivo de crescer e acompanhar o Brasil em diferentes competições.
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Durante a pandemia, Lucas retornou ao Acre para ficar próximo da família, mas manteve participação ativa no grupo. Mesmo à distância, passou a colaborar na organização de ações virtuais promovidas pelo movimento durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. O MVA, reconhecido pelo Comitê Olímpico do Brasil como torcida oficial do Time Brasil, realizou transmissões ao vivo durante as madrugadas para acompanhar atletas brasileiros em diversas modalidades.
Com o envolvimento cada vez maior, ele assumiu funções dentro da organização e se tornou capitão de tênis do movimento, modalidade da qual é fã. Desde 2023, passou também a atuar profissionalmente no MVA, grupo que hoje organiza presença de torcedores brasileiros em competições internacionais.

Em 2024, porém, ele conseguiu ter a experiência que quase todo apaixonado por esporte gostaria de viver. Acompanhou uma Seleção Brasileira campeã mundial. Sozinho, rumou para o Uzbequistão, onde rolava a Copa do Mundo de Futsal. O Brasil, que buscava o hexacampeonato depois de anos de fracasso, jogava em um país a mais de 13 mil quilômetros de distância. A probabilidade de ter um torcedor brasileiro na competição era pequena. Mas Lucas esteve lá. Mas não sem antes passar por um perrengue típico de mochileiro.
— Entre a fase de grupos e o mata-mata, resolvi conhecer o país. As viagens de trem eram muito baratas, então aproveitei. E sempre viajo à noite para economizar uma diária no hotel. Só que, em uma dessas viagens, o horário não batia, e em muitos países não dá para fazer check-in nos hotéis de madrugada. Quando cheguei na estação em Tashkent (capital do Uzbequistão), não tinha horário, estava tudo fechado. Fui andando pela estação, subi uma escada, encontrei umas cadeiras e não tive dúvidas: dormi ali mesmo — conta, aos risos.
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A aventura foi bem recompensada.
— Eu levei uma corneta que tinha comprado em Bolonha, na Itália, durante a Copa Davis. E quando cheguei ao ginásio, toquei a corneta e comecei a gritar Brasil, até os jogadores da seleção se espantaram — lembra Lucas.
Com o passar dos jogos, a presença constante fez com que Lucas virasse quase que parte integrante da seleção.
— No fim, com o título, fui chamado para a festa dos jogadores e fui recebido pelo técnico Marquinhos Xavier, que falou que a festa também era para mim — vibra Lucas.

Agora, os preparativos são para a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Com a participação no MVA, Lucas conseguiu acesso aos ingressos da categoria "Siga Meu Time", que dá direito a ingressos mais baratos para torcedores identificados com um país. Se essa seleção for eliminada, o torcedor perde o direito aos ingressos restantes.
O movimento ganhou ainda mais relevância após ser reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol como principal torcida organizada do Brasil para a Copa do Mundo de 2026. A entidade passou a permitir que o MVA organizasse parte da distribuição de ingressos destinados aos torcedores brasileiros, ampliando a participação do grupo nos eventos da seleção.
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