Prata no Mundial indica renovação da canoagem brasileira
Pela primeira vez, o país conquistou medalha mundial sem Isaquias Queiroz

Desde que fez sua estreia olímpica nos Jogos Rio 2016, Isaquias Queiroz tem sido o grande nome da canoagem velocidade brasileira. E não era para menos, já que, até o último fim de semana, o baiano havia participado da conquista de todas as medalhas masculinas do país em mundiais. A prata de Jacky Godmann e Gabriel Nascimento no Mundial de Poznan mudou essa história e indicou um momento de renovação na modalidade.
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Apesar de não serem exatamente da mesma geração, os dois passaram a competir juntos no início de 2025 e têm formado uma parceria promissora mesmo fora das competições — logo após a conquista da medalha, Jacky fez questão de destacar que os filhos dos dois canoístas costumam brincar juntos, uma prova do entrosamento da dupla.
Jacky surgiu como uma promessa no Mundial Júnior de 2017 e desde então se tornou um nome consolidado na seleção brasileira adulta. O baiano viveu a sensação do "quase" nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando ficou em quarto lugar do C2 1000m ao lado de Isaquias Queiroz. Hoje, aos 27 anos e com outra participação olímpica no currículo, finalmente sentiu o gosto de estar entre os melhores do mundo.
Gabriel foi a peça que se encaixou perfeitamente nos planos. Revelação que despontou no Mundial Júnior de 2023, o baiano de 20 anos teve sua cota de "quase pódio" ao lado de Jacky. No Mundial de Milão, em 2025, a dupla terminou em quarto lugar, a apenas 25 centésimos da medalha.
O caminho da medalha ficou mais quente na temporada de 2026. Antes do vice-campeonato mundial, Jacky e Gabriel já haviam conquistado um bronze na Copa do Mundo de Szeged, na Hungria. Além de somar pontos no ranking olímpico, a dupla vai consolidando seu espaço como esperança para os Jogos de Los Angeles.

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De olho em LA 2028
Para além da medalha inédita, a ascensão de uma equipe forte no C2 500 metros amplia as chances de pódio para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Assim como acontecia em Mundiais, todas as cinco medalhas do país conquistadas até hoje na canoagem velocidade tiveram a participação de Isaquias Queiroz, seja sozinho ou em dupla. Vale lembrar que a prova do C2 500 metros esteve fora do programa olímpico após os Jogos de Pequim e retornou apenas em Paris 2024, ou seja, durante grande parte da "era Isaquias".
A conquista de Jacky e Gabriel ganha ainda mais relevância ao olhar para os atletas com quem os brasileiros dividiram o pódio em Poznan. Foram apenas 58 centésimos de distância para os russos Zakhar Petrov e Ivan Shtyl, que conquistaram o bicampeonato consecutivo com uma parceria perfeitamente equilibrada. De um lado, Petrov soma seis títulos mundiais e uma participação olímpica aos 24 anos. De outro, Shtyl tem uma prata olímpica e 20 títulos mundiais aos 40 anos.
A equipe que os brasileiros ultrapassaram na reta final da prova também é uma protagonista do cenário mundial ao longo deste ciclo olímpico. Foram justamente os húngaros Kristof Kollar e Istvan David Juhasz que "tiraram" o pódio de Jacky e Gabriel no Mundial do ano passado.

Surge um sucessor?
Ainda é cedo para apontá-lo como tal, mas Gabriel Nascimento vem dando mostras de que pode ser o próximo protagonista brasileiro da modalidade. Integrante da seleção brasileira adulta desde o ciclo olímpico de Paris, ele vem alcançando marcas importantes no cenário mundial.
O principal resultado veio em julho de 2026, na Copa do Mundo de Montreal no Canadá, quando Gabriel foi campeão do C1 200 metros. Apesar de o título vir em uma prova que não faz parte do programa olímpico, a conquista fez de Gabriel o primeiro brasileiro a levar uma medalha de ouro em Copas do Mundo após dez anos. Até então, o único a realizar esse feito havia sido Isaquias Queiroz.
No mesmo mês, Gabriel voltou ao lugar mais alto do pódio na mesma prova, desta vez pelo Campeonato Pan-Americano da modalidade. Além das marcas ao lado de Jacky, o jovem ainda somou um bronze no C1 500 metros na Copa do Mundo de Brandemburgo, na Alemanha.
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