Legado dos Jogos Paralímpicos 2016 impulsiona nova geração
Há exatos 10 anos, Brasil sediava o megaevento e se consolidava como potência

No dia 7 de setembro de 2016, a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio marcava o início de uma campanha histórica e a consolidação do Brasil como uma potência. Dez anos depois, o impulso daquele momento encontrou terreno fértil no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, legado físico do megaevento que se tornou o motor para a formação de novas gerações de campeões.
➡️O resgate da primeira medalha paralímpica do Brasil, 50 anos depois
Dono de seis medalhas paralímpicas (um ouro, três pratas e dois bronzes) e atual presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Yohansson Nascimento reforça a importância dos Jogos de 2016 como um divisor de águas para o esporte paralímpico brasileiro. Segundo o dirigente, se as 72 medalhas não representaram um salto tão expressivo em relação ao quadro de medalhas da edição anterior, a visibilidade para os atletas mudou de patamar.
— Foram dois grandes legados: o tangível, que é essa estrutura física entregue em maio de 2016, e o intangível, que foi a visibilidade que o esporte trouxe para a população. Eu fui atleta em 2005 e nem sabia da existência do esporte paralímpico. Hoje as pessoas já conhecem, sabem nome de grandes referências - disse, em entrevista ao Lance!.
A inauguração do CT Paralímpico foi um marco fundamental nesse processo. O espaço de 95 mil metros quadrados tem instalações de 20 modalidades paralímpicas, incluindo atletismo, natação, judô, halterofilismo e canoagem, grandes pilares do desempenho brasileiro no cenário internacional. De acordo com o CPB, cerca de duas mil pessoas passam pelo local semanalmente.
Além de sediar competições oficiais, treinamentos e intercâmbios de atletas e seleções, o local também serve como ponto de encontro para a base da pirâmide. Atualmente, 560 crianças participam da rotina das "escolinhas", vivenciando o processo de iniciação esportiva ao lado de grandes referências em quem podem se espelhar. A estratégia é parte do sucesso brasileiro em impulsionar a renovação de talentos mitigar o gap de gerações, que costuma assombrar o esporte de alto rendimento.
A nadadora Alessandra Oliveira, de 18 anos, é um dos grandes exemplos recentes desse processo de renovação. Depois de vivenciar o esporte na base, foi campeã dos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023 e do Mundial de Singapura 2025, nos 100m peito, e se tornou recordista mundial da prova.
— A Alessandra é um exemplo maravilhoso que passou por todos os projetos do CPB. Ela começou na nossa escolinha, passou pelo Meeting Paralímpico, foi para as seleções de base, Paralimpíadas Escolares e se tornou campeã mundial - completa Yohansson.

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Rumo a Los Angeles: a busca pela medalha 500
Em 2026, o Brasil celebra 50 anos da conquista de sua primeira medalha paralímpica (com Robson Sampaio e Luiz Carlos, em 1976). Daquele marco histórico até hoje, o país já soma 462 pódios. O alvo agora é buscar medalha de número 500 nos Jogos de Los Angeles 2028.
Para alcançar essa marca e manter o Brasil no cobiçado top 5 mundial, a receita já está sendo aplicada. Além das potências tradicionais como atletismo (que tem 70 atletas de excelência treinando diariamente na pista do CT), natação, futebol de cegos e judô, o país aposta na integração entre veteranos e a nova geração.
— A gente acredita muito nos atletas já consagrados, que eles consigam repetir suas performances, atrelados a um projeto incrível de fomento à prática esportiva por mulheres, atletas jovens e atletas com deficiência severa - pontuou Jonas Freire, diretor de alto rendimento do CPB, ao Lance!.

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