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Em Grand Slam inclusivo, Brasil conquista prata no judô adaptado

O torneio de Lausanne, na Suíça, entrou para a história do Circuito Mundial ao reunir atletas do judô olímpico, do parajudô, do judô para surdos e do judô adaptado

PorDavi CaldasSão Paulo (SP)
30/08/2026 19:09

Supervisionado porThiago Fernandes,
João Vitor Ferreira (na esquerda) foi medalha de prata no histórico Grand Slam de Lausanne (Foto: Instagram)
João Vitor Ferreira (na esquerda) foi medalha de prata no histórico Grand Slam de Lausanne (Foto: Instagram)

A primeira edição do Grand Slam de Judô de Lausanne, na Suíça, entrou para a história do Circuito Mundial ao reunir, pela primeira vez em uma mesma competição, atletas do judô olímpico, do parajudô, do judô para surdos e do judô adaptado. O torneio disputado na cidade-sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) teve três dias de lutas, encerradas neste domingo (30), e contou com uma medalha brasileira no judô para atletas com deficiência intelectual.

Formato inédito no circuito

Apesar da estreia de Lausanne no calendário dos Grand Slams, a grande novidade do evento foi a decisão da Federação Internacional de Judô (FIJ) de unir, sob a mesma estrutura e com a mesma visibilidade, modalidades que raramente dividem um palco de tão alto nível. Em entrevista exclusiva ao Lance!, Paulo Wanderley Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), disse que o torneio representa mais do que uma inovação organizacional de uma competição.

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- É um momento muito importante para o judô mundial. Lausanne mostra que é possível reunir diferentes vertentes do nosso esporte em um grande palco, no mesmo lugar, com a mesma visibilidade, estrutura e reconhecimento. É uma afirmação dos valores do judô: respeito, inclusão, igualdade e oportunidade para todos.

O dirigente também apontou o alcance simbólico da escolha pela cidade que abriga o COI: "Para nós, enquanto Confederação, é muito significativo ver o judô sendo apresentado dessa forma em uma cidade tão simbólica para o esporte mundial". O presidente ainda afirmou que este Grand Slam deixa uma mensagem clara para o futuro do judô, no qual a excelência esportiva e a inclusão não são caminhos diferentes.

Na visão de Teixeira, a iniciativa amplia a visibilidade, aproxima diferentes públicos e mostra a força do judô como uma modalidade universal. "Espero que esse espírito inspire novas iniciativas nos próximos ciclos, sempre respeitando as características de cada competição e de cada país", conclui.

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Inclusão fora do discurso

Leonardo Gonçalves, número 1 do ranking mundial na categoria até 100 kg, refletiu sobre a convivência com atletas de outras modalidades nos bastidores do evento. "No dia a dia, a gente acaba vivendo muito dentro da nossa própria realidade, e ter a oportunidade de conviver com atletas que também dedicam a vida ao judô, mas enfrentam desafios diferentes, certamente vai trazer muitos aprendizados. No fim, todos estamos aqui pela mesma paixão e pela vontade de evoluir por meio do judô", explica.

- A mensagem é muito forte: o judô é para todos. O esporte tem um papel enorme na sociedade e, quando o judô coloca todos esses atletas no mesmo palco, mostra que inclusão não deve ser apenas um discurso.

A inclusão, segundo Leandro, está presente na prática, dentro de uma grande competição internacional. De acordo com ele, ver todos os atletas juntos no evento mostra que não existem limites para aquilo que o judô pode representar.

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Para o judoca, um Grand Slam é sempre uma competição muito importante na carreira de um atleta, por ser o torneio no qual os melhores do mundo irão se encontrar, testar o seu nível e viver situações que fazem o competidor crescer. Contudo, Gonçalves descreveu Lausanne como algo que vai além dos pontos no circuito. "Tem um significado ainda maior porque é uma competição histórica. Poder estar aqui, na primeira edição de um Grand Slam na Suíça e fazendo parte desse momento, é algo que vou levar comigo para a minha carreira", declarou o atleta.

Leonardo Gonçalves também é medalhista olímpico, com o ronze nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 na disputa por equipes mistas de judô (Foto: Instagram)
Leonardo Gonçalves também é medalhista olímpico, com o ronze nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 na disputa por equipes mistas de judô (Foto: Instagram)

Na disputa em si, porém, Gonçalves encerrou sua participação nas oitavas de final. Depois de vencer Boris Georgiev, da Bulgária, por ippon na estreia, o brasileiro foi derrotado por Ernazar Sarsenbaev, do Uzbequistão, também por ippon, despedindo-se do torneio antes do pódio.

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O resultado contrastou com o de Daniel Cargnin, que conquistou o ouro na categoria até 73 kg. O medalhista olímpico superou Danil Lavrentev na final e chegou ao segundo título em Grand Slam na carreira. No primeiro dia de competição do judô olímpico, o Brasil já havia subido ao pódio com três bronzes, com Clarice Ribeiro, Rafaela Rodrigues e Michel Augusto.

Medalha do Brasil no judô adaptado

João Vitor Silva Ferreira, do judô adaptado, foi responsável por mais uma medalha brasileira no evento. O atleta terminou o torneio com a prata da categoria Nível Sênior 2 de até 81 kg.

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Após convite oficial da FIJ para a participação do brasileiro, a sua ida ao torneio foi viabilizada após uma mobilização solidária que arrecadou os recursos necessários para custear as passagens aéreas até Lausanne. João tinha garantidas a hospedagem, a inscrição e a alimentação pela Federação Internacional, mas dependia com urgência do valor das passagens para viajar. Nas redes sociais, o judoca agradeceu aos que o ajudaram financeiramente.

O atleta tornou-se campeão mundial na categoria, em outubro de 2017, no Campeonato Mundial de Judô para pessoas com deficiência intelectual, o primeiro da história chancelado pela FIJ. Na ocasião, João venceu todas as suas seis lutas por ippon, garantindo a pontuação máxima.

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O judô adaptado abrange atletas com deficiência intelectual, paralisia cerebral e outras limitações cognitivas ou motoras. Enquanto isso, o parajudô, modalidade que integra o programa paralímpico, é voltado a atletas com deficiência visual (cegos ou com baixa visão).

O judô para surdos, por sua vez, é destinado a competidores com perda auditiva de ao menos 55 decibéis no melhor ouvido. A modalidade, diferente do parajudô, não participa dos Jogos Paralímpicos, tendo o seu principal palco nas Surdolimpíadas.

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