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Maria Clara Pacheco: de promessa a candidata ao ouro em 2028

Eliminada nas quartas em Paris, brasileira se tornou líder do ranking do taekwondo

PorBeatriz PinheiroSão Paulo (SP)
07/09/2026 11:56
A brasileira Maria Clara Pacheco exibe a medalha de ouro conquistada no Grand Prix de Roma de Taekwondo
A brasileira Maria Clara Pacheco exibe a medalha de ouro conquistada no Grand Prix de Roma de Taekwondo (Foto: Reprodução/ Instagram)

A pouco menos de dois anos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, o Brasil tem em Maria Clara Pacheco, atleta do taekwondo, uma de suas principais esperanças de medalha de ouro. Atual campeã mundial da categoria até 57kg, a paulista de 23 anos lidera o ranking olímpico e, ao longo do ciclo, vem se consolidando como nome a ser batido.

➡️Maria Clara Pacheco é ouro no Grand Prix de Taekwondo

Para entender como a lutadora deixou para trás o status de promessa, vale voltar no tempo até os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Na época, aos 21 anos, Maria Clara era a 11ª colocada do ranking e já somava um bronze mundial em seu currículo. Após estrear com vitória sobre a australiana Stacey Hymer, a eliminação veio nas quartas de final, após derrota para a chinesa Luo Zongshi, então número 1 do mundo.

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O resultado não poderia ser considerado essencialmente negativo, por se tratar de uma atleta de 21 anos em sua estreia olímpica. Mas Maria Clara sentiu o gosto da frustração pela queda sem sequer passar pela repescagem. Foi então que optou por uma mudança geral para buscar o topo: primeiro, passou a ser treinada por José Carlos Júnior, que também é o namorado da atleta. Depois, apostou em uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicóloga e preparador físico.

Na visão da atleta, o trabalho mental e evolução de postura no combate foi o que mais impactou o salto de desempenho, e a mudança de estilo na hora da luta. Em entrevista exclusiva concedida ao Lance! em 2025, Maria Clara revelou que dedicou uma atenção especial ao psicológico.

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— A parte tática é o que mais mudou, a maneira de me impor na luta. A questão do psicológico me afetava bastante, eu tinha uma dificuldade maior de lidar, mas hoje eu consido ver o taekwondo como o meu trabalho, mas como uma diversão. Entro na luta querendo ganhar, mas para me divertir, sem a pressão ou expectativa de alguém sobre mim - contou.

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A brasileira Maria Clara Pacheco em ação durante p Grand Prix de Taekwondo de Muju, na Coreia do Sul
A brasileira Maria Clara Pacheco (azul) em ação durante p Grand Prix de Taekwondo de Muju, na Coreia do Sul (Foto: World Taekwondo)

Domínio no topo

A sede de ganhar não ficou só no discurso de Maria Clara, mas se tornou rotina neste novo ciclo olímpico. Em junho 2025, conquistou seu primeiro título de Grand Prix com direito a revanche: a luta pelo ouro foi justamente contra a chinesa Luo Zongshi, algoz em Paris. Vitória da brasileira por 2 rounds a 0.

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Em agosto, mais um ouro em Grand Prix, desta vez em Muju, sobre a anfitriã e atual campeã olímpica Kim Yu-jin. Ela repetiria o triunfo sobre a sul-coreana dois meses depois, na decisão do Mundial de Taekwondo, em Wuxi, na China. Além de cumprir o objetivo de trocar a cor da medalha após o bronze de 2023, colocou seu nome entre as principais esportistas do país: desde a conquista de Natália Falavigna, em 2005, uma brasileira não conquistava o título mundial do taekwondo.

As medalhas a credenciaram como nova número 1 do mundo, posto que defende na temporada 2026. Maria Clara Pacheco vem sustentando a invencibilidade nas competições internacionais que disputou até aqui, com títulos do Grand Prix de Roma, em junho, e o mais recente ouro em Muju, no último domingo (6).

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Maria Clara Pacheco exibe medalhas conquistadas em 2025
Maria Clara Pacheco exibe medalhas conquistadas em 2025 (Foto: Reprodução/ Instagram)

Caminho para o ouro

Os resultados, portanto, já permitem olhar para Maria Clara Pacheco de uma maneira diferente. Se em Paris-2024 ela chegava aos Jogos como uma jovem promessa que ainda buscava espaço entre as principais atletas da categoria, hoje a brasileira ocupa justamente o lugar que perseguia: está no topo do ranking, é campeã mundial e vem acumulando vitórias sobre adversárias que também estarão na disputa por medalhas em Los Angeles.

Mais do que a quantidade de títulos, o que chama atenção é a capacidade de Maria Clara de repetir esse desempenho contra nomes da elite. Desde Paris, ela derrotou duas vezes a chinesa Luo Zongshi, número 1 do mundo que a eliminou na Olimpíada, e venceu quatro vezes consecutivas a sul-coreana Kim Yu-jin, atual campeã olímpica.

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É claro que, com metade do ciclo olímpico pela frente, o caminho pode reservar surpresas. Mas já é possível dizer com segurança que Maria Clara Pacheco se consolidou entre as melhores do mundo e é uma das candidatas mais fortes ao ouro em 2028.

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