Do sonho de ginasta à Olimpíada no skate: Gabi Mazetto mira LA
Em entrevista exclusiva ao Lance!, skatista relembra transição da ginástica para o skate e revela como nasceu o sonho de disputar os Jogos

Antes de sonhar com uma vaga nos Jogos de Los Angeles, Gabi Mazetto já carregava o desejo de disputar uma Olimpíada. O primeiro caminho escolhido para isso foi a ginástica, modalidade que praticou dos seis aos 12 anos. A história, porém, tomou outro rumo quando a atleta encontrou o skate e, anos depois, conseguiu realizar o sonho olímpico em Paris.
Em entrevista exclusiva ao Lance!, Gabi relembrou os primeiros passos no esporte, contou como deixou a ginástica após enfrentar situações de bullying e explicou por que o skate acabou se tornando o caminho para realizar um sonho que nasceu ainda na infância.
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A transição entre as modalidades aconteceu ainda na infância. Gabi conta que sofreu com situações de bullying na ginástica e decidiu experimentar o skate quando uma pista começou a ser construída perto de sua casa.
— Eu fazia ginástica dos meus 6 aos 12 anos. Sofri meio que um bullying na ginástica e estavam fazendo a pista de skate perto de casa. Comecei a me interessar, parei de fazer ginástica e fui andar de skate.
A mudança não foi recebida sem dúvidas. Segundo Gabi, a própria mãe questionava se aquela era realmente a modalidade que ela queria seguir e chegou a ouvir que skate seria "coisa de menino". A atleta, porém, não se deixou afastar pela opinião dos outros.
O que começou como uma brincadeira rapidamente ganhou outro significado. Cerca de um ano depois de começar a andar de skate, Gabi foi campeã brasileira e decidiu seguir na modalidade.
— Eu não ligava muito pelo que as pessoas falavam. Tinha coisas que falavam mal e muitas pessoas falavam bem. Era mais uma brincadeira e, um ano depois, comecei a andar de skate, fui campeã brasileira e desde então segui firme e forte — contou.
Um sonho olímpico que mudou de modalidade
A ginástica ficou para trás, mas o desejo de chegar aos Jogos Olímpicos permaneceu. Gabi explica que, para ela, a Olimpíada sempre representou um objetivo desde a infância. Em Paris 2024, esse sonho finalmente se concretizou. Agora, porém, a atleta busca uma nova classificação, desta vez com um significado diferente.
— Se eu conquistar essa vaga, obviamente vou estar muito feliz, porque vai ser um sonho realizado da Gabi adulta. A Gabi de Paris foi um sonho de criança, porque eu era ginasta. Quem era ginasta sempre queria ir para uma Olimpíada. Agora vai ser um sonho da Gabi adulta — afirmou.
A brasileira também espera chegar a Los Angeles em melhores condições físicas. Depois de conviver com dificuldades ao longo da carreira, ela quer disputar uma nova edição olímpica sem lesões e em plena forma.
— Quero competir sem lesões, estando 100% no meu corpo. Vou estar bem feliz. E acho que estar competindo em Los Angeles, no berço do skate, vai ser muito style de estar ali presente.
Fora da Seleção, Gabi encontrou motivação para voltar
O caminho até o atual momento também teve obstáculos. Depois de ficar fora da Seleção Brasileira, Gabi admite que ficou decepcionada e chegou a questionar se ainda acreditavam em seu potencial. Os resultados obtidos ao longo dos últimos meses, no entanto, abriram novamente as portas da equipe nacional.
— Quando recebi a notícia de que eu não ia mais fazer parte, fiquei triste, desapontada, porque pensei que eles não acreditavam mais no meu potencial. Mas, após os resultados que tive durante o ano, recebi a notícia de que ia voltar a integrar a Seleção. Fiquei bem feliz — relatou.
Para ela, o período longe da equipe serviu como combustível. Gabi reconhece que, antes de Paris, estava mais acomodada e que a ausência da Seleção a fez buscar uma evolução pessoal e esportiva.
— Eu nunca imaginei que ia ficar fora da Seleção. Ficar fora me fez me puxar mais, acreditar mais em mim e querer mais as coisas.
Agora, a skatista aparece como uma das principais brasileiras na corrida por uma vaga nos Jogos de Los Angeles. A disputa interna, porém, não é encarada como uma rivalidade. Ao lado de nomes como Rayssa Leal e Pâmela Rosa, Gabi vê a concorrência como parte natural do processo.
— O Brasil sempre teve um skate bem forte e, no feminino, também estamos acompanhando agora. Eu não vejo como rivalidade. Skate é dia: tem dias em que a gente acerta uma manobra de primeira e dias em que não. Todas têm potencial de estar ali. Quem for se dando bem nos campeonatos vai conseguir sua vaga.
Maternidade também mudou sua relação com o esporte
Além da transformação esportiva, Gabi viveu outra grande mudança fora das pistas: a maternidade. Ela descobriu a gravidez pouco antes dos Jogos de Tóquio, justamente quando atravessava um momento importante da carreira. O adiamento do sonho olímpico foi difícil e a atleta admite que passou por um período emocional delicado.
—Na época eu fiquei muito chateada, quase tive depressão, entrei num estágio meio difícil. Mas, graças a Deus, passou. Entendi que a Liz veio para me deixar mais forte e mais focada em mim mesma.
Com o apoio da família, Gabi conseguiu retornar ao alto rendimento, disputar os Jogos de Paris e agora perseguir novamente a classificação olímpica. A filha também passou a fazer parte da motivação dentro da pista.
— Na hora da competição, sei que tenho que focar na competição, mas tenho alguém para alimentar. Então não foco só em mim, mas nela. A maternidade me deu essa visão de um todo, de que eu não sou sozinha mais. Tenho que fazer por mim e por ela.

Experiência como aliada
Aos poucos, Gabi também passou a ocupar um papel de referência entre as skatistas brasileiras. Mais experiente que boa parte das concorrentes, ela acredita que a trajetória acumulada ajuda principalmente no controle emocional.
— Eu acho que sou mais forte mentalmente. Consigo controlar um pouco o meu nervosismo e, às vezes, ajudo a acalmar as meninas. É normal a gente estar ali dando suporte uma para a outra.
O próximo desafio será o Mundial de Assunção, importante etapa da corrida olímpica. Gabi não pretende mudar a receita que a trouxe até aqui.
— Vou fazer o que sempre venho fazendo: andando de skate e focada no que quero. Vou tentar fazer uma final, uma semifinal, pensando uma coisa de cada vez. Quero dar o meu melhor naquela pista e representar o Brasil da melhor forma.
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