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De Gisele Bundchen a Vanderlei: os 10 anos da abertura dos Jogos Rio 2016

Evento no Maracanã teve ídolos da música, escolas de samba e ganhou destaque mundial

PorBeatriz PinheiroSão Paulo (SP)
10/08/2026 10:00
Vanderlei Cordeiro recebe a tocha olímpica das mãos de Hortência durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016
Vanderlei Cordeiro recebe a tocha olímpica das mãos de Hortência durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016

Há exatamente uma década, o Estádio do Maracanã foi palco de um dos momentos mais marcantes de sua história. Pela primeira vez, um país sul-americano sediava as Olimpíadas. Na noite de 5 de agosto, a Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016 reuniu ícones como Vanderlei Cordeiro, Gisele Bündchen e Paulinho da Viola em um mesmo evento, celebrando esporte e cultura.

Comandado pelo trio de diretores Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington, o evento oficializou a abertura dos Jogos para mais de 10 mil atletas de 207 delegações, alcançando bilhões de espectadores ao redor do mundo. Mesmo com um orçamento menor do que os das edições anteriores de Pequim e Londres, a cerimônia driblou os limites financeiros com soluções visuais, focando na história da formação do povo brasileiro e em um alerta sobre o aquecimento global. Uma década depois, aquela noite continua viva na memória do esporte.

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Gisele é a Garota de Ipanema

A supermodelo Gisele Bündchen também teve seu momento de destaque na cerimônia. A gaúcha representou Helô Pinheiro, a musa inspiradora de "Garota de Ipanema", de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Usando um vestido dourado desenhado pelo estilista brasileiro Alexandre Hercovitch, a modelo cruzou, deslumbrante, a maior passarela de sua vida: ela desfilou ao longo dos 105 metros do Estádio do Maracanã.

Recentemente, Gisele usou suas redes sociais para relembrar momentos do ano de 2016 e, é claro, não poderiam faltar menções à Cerimônia de Abertura das Olimpíadas. A modelo postou uma foto nos bastidores do evento, usando o icônico vestido, e revelou que, no dia seguinte, teve seu desfile "imitado" pela filha caçula Vivi, que na época tinha apenas quatro anos.

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— Tive a honra de representar o Brasil na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, um momento que levarei comigo para sempre. Ver a Vivi fazer sua própria passarela no dia seguinte foi pura magia - escreveu.

A cena do desfile foi tão marcante que ganhou até "repeteco" na Cerimônia de Abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, um mês depois. Desta vez, foi o mascote Vinicius quem roubou a cena, usando um vestido metalizado, igual ao modelo feito para Gisele, dando show de carisma e fofura.

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A supermodelo Gisele Bundchen usando o vestido dourado nos bastidores da Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016
A supermodelo Gisele Bundchen usando o vestido dourado nos bastidores da Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016 (Foto: Reprodução/ Instagram)

Maracanã virou Sapucaí

Grandes estrelas de diferentes gerações da música brasileira comandaram a festa no Maracanã. O primeiro foi Paulinho da Viola, que abriu a cerimônia cantando o Hino Nacional. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta performaram "Isto Aqui o Que É", de Ary Barroso, enquanto Jorge Ben Jor cantou o sucesso "País Tropical", acompanhado pelo público. A noite ainda teve apresentações de Ludmilla, Karol Conká, além de um "duelo" entre Marcelo D2 e Zeca Pagodinho.

O espetáculo não ficaria completo sem a presença do samba e carnaval brasileiros. Após a tradicional entrada das delegações, cerca de 500 ritmistas de 12 escolas de samba do Rio de Janeiro transformaram o Estádio do Maracanã na Sapucaí, com um desfile único para encher os olhos do mundo.

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Infográfico detalha momentos marcantes dos Jogos Rio 2016
Infográfico detalha momentos marcantes dos Jogos Rio 2016

A caminhada mais importante

Um dos momentos mais emblemáticos na Cerimônia de Abertura de Jogos Olímpicos é o desfile das delegações. A responsável por levar a bandeira brasileira no Estádio do Maracanã foi Yane Marques, medalhista de bronze do pentatlo moderno em Londres, quatro anos antes.

— Ser porta-bandeira foi, de verdade, um marco inesquecível para a minha vida. Ali, eu não era Yane pentatleta, levando uma bandeira apenas. Eu representava um país de atletas e de pessoas que torcem, se envolvem e colaboram. Técnicos, famílias, tanta gente - relembrou.

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Uma década depois, Yane é a primeira mulher a ocupar a vice-presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB) na história, dando sequência àquela caminhada de 2016.

— Olho para aquelas imagens com um orgulho danado, que só cresce. Quero sempre sonhar com esses atletas que representam o Brasil, esse sentimento de coletividade não muda nunca - completou.

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Yane Marques, porta-bandeira do Brasil nos Jogos do Rio
Yane Marques foi a porta-bandeira do Brasil nos Jogos do Rio (Foto: Rodolfo Buhrer/COB)

Redenção de Vanderlei Cordeiro

A expectativa era grande para saber quem teria a honra de acender a pira olímpica — um caldeirão de fogo, cercado por uma escultura cinética e metálica, que refletia e amplificava o brilho das chamas, remetendo ao sol.

O primeiro a entrar no estádio carregando a tocha olímpica foi Gustavo Kuerten, aclamado pelo público. Ele parou apenas quando encontrou Hortência, a Rainha. Beijou as mãos dela e entregou a chama olímpica, com uma reverência. A campeã mundial do basquete cumprimentou a torcida e correu alguns metros até entregar a tocha para uma lenda do esporte: Vanderlei Cordeiro de Lima.

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O maratonista protagonizou uma cena que chocou o mundo nos Jogos de Atenas 2004. O brasileiro liderava a prova, quando foi agredido e tirado da pista pelo irlandês Cornelius Horan. Mesmo assim, Vanderlei se tornou um exemplo de resiliência ao retornar para a prova e ainda conquistar a medalha de bronze.

Nada mais justo, portanto, que ele fosse o responsável por acender a pira olímpica. Dez anos depois, Vanderlei lembra do momento em que recebeu a tocha das mãos de Hortência e subiu as escadas para acender a chama olímpica como a grande redenção de sua carreira e da vida pessoal.

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— Foi o momento mais glorioso da minha carreira e da minha vida. Jamais imaginei que eu pudesse vivenciar aquele momento. Não sei quando nós vamos poder vivenciar os Jogos Olímpicos no nosso país novamente. Rompemos muitas barreiras para vivenciar esses Jogos, que marcaram as vidas de muitos atletas. Ali, foi quando eu recebi o meu grande reconhecimento dentro do esporte, talvez tenha sido o maior reparo dos danos sofridos em 2004 - relembrou.

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