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Dia da Saúde Mental: os bastidores de medalhistas olímpicos

De dramas com lesões a apresentações de 'uma chance só', Adriana Samuel, Maurren Maggi e Arthur Zanetti abordam o impacto do psicológico no esporte

PorDavi Caldas•São Paulo (SP)
10/10/2026 10:00

Supervisionado porThiago Fernandes,
Adriana Samuel estava na final histórica das Olimpíadas no vôlei de praia em 1996, com duas duplas brasileiras (Foto: Reprodução/Adriana Samuel)
Adriana Samuel estava na final histórica das Olimpíadas no vôlei de praia em 1996, com duas duplas brasileiras (Foto: Reprodução/Adriana Samuel)

Diversos estudos já comprovaram a importância da saúde mental para a prática do esporte, principalmente em alto rendimento. Nos últimos anos, exemplos como o de Gabriel Medina e Simone Biles, que se expressaram sobre o tema, ganharam força na mídia, enquanto outros atletas sofrem com questões mentais em silêncio, muitas vezes após casos de lesões.

Nas Olimpíadas de 1996, Adriana Samuel fez história ao se tornar, junto com as outras finalistas, a primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha olímpica. A ocasião ocorreu no vôlei de praia, em uma final entre duas duplas nacionais, premiando não só Adriana, como também Mônica Rodrigues, sua dupla, além de Jaqueline Silva e Sandra Pires, as campeãs.

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Quatro anos depois, a conquista já era passado e a situação era completamente diferente. A ex-jogadora já estava em uma nova dupla, justamente com a Sandra, que a venceu em 1996, e passou por um dos momentos mais difíceis da carreira de um atleta: uma lesão.

"Eu tive um desafio pessoal nessa Olimpíada", destacou Adriana Samuel, em entrevista exclusiva ao Lance!, explicando que se machucou nas vésperas dos Jogos de Sidney. A lesão na panturrilha foi responsável por tirá-la da reta final do circuito mundial, essencial para garantir a classificação da dupla. Apesar da posição favorável, a dupla de Mônica e Ana Paula estava logo atrás e, caso garantisse um bom desempenho no restante das etapas, poderia ultrapassar e "eliminar" Adriana e Sandra.

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Mas, mesmo com a classificação olímpica em risco, a reação da atleta lesionada foi se distanciar o máximo possível daquele universo: "Toda sexta-feira a Sandra me ligava, dando notícia, mas eu me desliguei totalmente do circuito mundial. Falei: 'Vou focar na minha recuperação'; mas ela me ligava e falava: 'Dri, elas perderam'; na semana seguinte, ela falava: 'Caramba, elas estão na semifinal'. Depois de um tempo, elas já não tinham mais chance de nos alcançar e a gente conseguiu a vaga para Sidney, mesmo sem ter jogado as últimas etapas."

Ao relembrar essa história, Adriana Samuel comentou o quão incrível foi a sensação de superar esse desafio e garantir a viagem para mais uma Olimpíada. Em Sidney, a atleta voltou a conquistar uma medalha, agora de bronze. "Eu posso dizer que o meu aproveitamento em termos de Jogos Olímpicos é 100%, porque eu só joguei as duas (1996 e 2000) e conquistei medalha nas duas Olimpíadas", complementou, com um sorriso no rosto.

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Nos Jogos Olímpicos Sidney 2000, Adriana Samuel e Sandra conquistaram o bronze para o vôlei brasileiro (Foto: Reprodução/X/Time Brasil)
Nos Jogos Olímpicos Sidney 2000, Adriana Samuel e Sandra conquistaram o bronze para o vôlei brasileiro (Foto: Reprodução/X/Time Brasil)

Outra mulher histórica que passou por um momento parecido foi Maurren Maggi. A atleta foi campeã em 2008, nos Jogos de Pequim, mas passou por momentos de incerteza antes da eternização olímpica. Em 2000, Maurren se machucou durante o torneio de Sidney e teve que abandonar a competição. Em 2004, fora novamente, mas por um motivo muito mais alegre: uma gravidez.

— Você só se abala no momento em que se machucou. Duas horas depois, você já tem que pensar na recuperação e no que você vai fazer para voltar. Não tem tempo para se lamentar — explicou Maurren Maggi.

E seu discurso é coerente com o que ocorreu. Só oito anos depois de um dos períodos mais complicados de sua carreira é que a atleta voltou ao maior palco esportivo do mundo; e foi campeã do salto em distância. Maurren perdeu uma Olimpíada por conta de uma lesão, mas também venceu uma outra justamente por não ter se abalado e ter se preparado para disputar esse mesmo palco novamente.

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Psicológico dos atletas: além da lesão

Apesar de as lesões representarem bem a questão psicológica que um atleta deve superar em sua carreira, elas não são as únicas preocupações. Campeão olímpico da ginástica em 2012, Arthur Zanetti explica como a própria competição em si é uma superação mental.

Sob extrema pressão, o atleta tinha que colocar anos de prática em poucos segundos de apresentação durante os seus torneios. "Eu valorizo muito esportes de 'uma chance só'. Na ginástica, você tem 50 ou 40 segundos para fazer o que treinou em vários anos. Então é manter a cabeça no lugar. Se deixar cair nessa pressão, você não vai conseguir fazer o seu melhor", alertou. Em grandes competições, a tática que Zanetti utilizava era encarar aquele desafio como "mais um dia normal de treino", algo que o ajudava.

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