Da aviação para o Jiu-Jitsu: Nascido em base aérea, Vinicius 'Magoo' trocou o Céu pelos tatames e hoje é referência no Sul do Brasil

Nascido num hospital dentro de uma base aérea, filho de um piloto da Força Aérea Brasileira, o carioca Vinicius Canevari tinha tudo para seguir a carreira da aviação. Entretanto, aos 16 anos, conheceu outra atividade que o levou às nuvens: o Jiu-Jitsu. Hoje, Vincius, conhecido no meio da luta como "Magoo", é um multicampeão na arte suave, além de ser líder fundador de uma das principais academias do Sul do Brasil.
"Meu pai era piloto e eu nasci no Hospital da Base Aérea do Galeão. Era para a aviação ser minha profissão e o Jiu-Jitsu, meu hobby. Cheguei a fazer cursos de piloto comercial. Com 18, 19 anos eu já tinha esses cursos. E eu já dava aulas de Jiu-Jitsu para crianças. Aos 22 anos eu me mudei para Londrina-PR e continuei dando aula de Jiu-Jitsu para pagar minhas horas de voo. Acabou que parei de voar e fiquei só no Jiu-Jitsu", conta "Magoo".
Como competidor, o carioca radicado em Londrina acumula títulos do Brasileiro, Sul-Americano e Europeu da IBJJF, além de um mundial da CBJJE. Como professor, Vinicius "Magoo" já formou mais de 70 faixas-pretas, que estão espalhadas pelo mundo dando aulas e impactando a vida de jovens através de projetos sociais pelo Brasil.
"O Jiu-Jitsu mudou a minha vida. Eu era um adolescente muito tímido, quase patológico, e ao passo que eu ia treinando, indo bem nos treinos e na competição e sendo elogiado, minha autoestima foi aumentando. Fez um bem enorme na minha vida, muito importante para a minha formação pessoal", exalta o faixa-preta de Eduardo Brigadeiro.
Confira abaixo a entrevista completa com Vinicius "Magoo" Canevari:
Como surgiu sua paixão pelo Jiu-Jitsu?
Em 1989 um amigo me convidou para fazer uma aula de Jiu-Jitsu, algo que eu nunca tinha visto, e foi aí que tudo começou, despretensiosamente, aos 16 anos. Fui treinando, competindo, lutando, tendo bons resultados… O Jiu-Jitsu mudou a minha vida. Eu era um adolescente muito tímido, quase patológico, e ao passo que eu ia treinando, indo bem nos treinos e na competição e sendo elogiado, minha autoestima foi aumentando. Fez um bem enorme na minha vida, muito importante para a minha formação pessoal.
Você tem uma relação muito pessoal com a aviação. Como foi para você ter que decidir focar apenas em uma dessas paixões?
A aviação é uma paixão antiga. Meu pai era piloto da Força Aérea Brasileira, a gente morava próximo à Base Aérea do Galeão, eu vivia lá. Aliás, eu nasci no Hospital da Base Aérea, ou seja, é uma paixão muito antiga. Era para a aviação ser minha profissão e o Jiu-Jitsu, meu hobby. Cheguei a fazer cursos de piloto comercial. Com 18, 19 anos eu já tinha esses cursos. E eu já dava aulas de Jiu-Jitsu para crianças. Aos 22 anos eu me mudei para Londrina-PR e continuei dando aula de Jiu-Jitsu para pagar minhas horas de voo. Acabou que parei de voar e fiquei só no Jiu-Jitsu.
O que motivou a decisão?
Teve uma época em Londrina que surgiu a oportunidade de eu trabalhar voando, fiquei como copiloto de um empresário por quase três anos, fui deixando a academia de lado. Nessa época eu fiquei entre a academia e a aviação, mas como a academia estava mais estruturada, eu decidi ficar com a academia.
Então chegou a ter outras profissões antes de se dedicar exclusivamente às aulas.
Sempre tive a academia, desde 1996. São 25 anos de academia. Sou pioneiro aqui em Londrina. A primeira academia de Jiu-Jitsu em Londrina foi a minha. Fiz faculdade de Fisioterapia, trabalhei no ramo, também passei passei no concurso público para agente penitenciário aqui no Paraná, fui inspetor na maior penitenciária de Londrina. De cinco anos para cá eu me dedico apenas à academia. É o que eu gosto de fazer.
Tem ideia de quantos faixas-pretas você já formou?
Nesses 25 anos de academia eu formei mais de 70 faixas-pretas. Uns dão aula nos EUA, outros na Europa, outros aqui no Brasil.
Qual característica você destaca como fundamental na sua relação com seus alunos?
A característica mais importante entre os meus alunos é o respeito. São 25 anos de academia e o clima daqui eu não vejo em lugar nenhum do mundo, é um ajudando o outro sempre. Isso é reflexo do professor, modéstia à parte. Dou aula para grandes empresários, juízes federais, políticos e gente mais humilde, e todos aqui são tratados iguais, como deve ser na sociedade em geral, embora muitas pessoas não o façam. A gente passa a parte técnica, mas também se preocupa em saber como está a vida da pessoa, e isso é do mais graduado ao menos graduado.
Você também apoia muitos projetos sociais. Como você vê o papel do Jiu-Jitsu na sociedade, como ferramenta de educação?
Esporte é uma forma de diminuir a distância entre as pessoas, a distância social entre ricos e pobres. O esporte ajuda a abrir a cabeça, ensina a disciplina, hierarquia, respeito e dá a muitos a oportunidade de mudar de vida, ainda mais a arte marcial. Quantas crianças a gente já tirou das ruas, do caminho errado… Tenho alunos que têm projetos em comunidades e eu ajudo indiretamente abrindo as portas da academia para aqueles que se destacam mais.
Neste momento de pandemia, o que o Jiu-Jitsu pode fazer pelas pessoas?
Essa pandemia foi uma coisa muito louca, principalmente para quem perdeu a vida ou entes queridos. Sinto que as pessoas têm a necessidade de conversar, de estar junto, se relacionar. Tomamos todos os cuidados nos nossos treinamentos, alunos separados, dando prioridade a exercícios mais seguros. Dessa forma a gente tem contato com as pessoas e isso é importante para dar força para passarmos por essa onda. Mas sinto uma procura muito grande das pessoas pelo esporte.
Quem é seu ídolo no Jiu-Jitsu?
Meu maior ídolo no Jiu-Jitsu sempre foi e ainda é o Rickson Gracie. Ele tinha o Jiu-Jitsu muito para frente, muito perfeito, um fora de série. E ídolo tem que ser ídolo dentro e fora do tatame, e ele sempre levantou a bandeira do Jiu-Jitsu de forma positiva. E também o Roger Gracie, que tem um Jiu-Jitsu à moda antiga, sempre lutando para finalizar.

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