Os últimos impactos (e riscos) do dinheiro do Golfo Pérsico no mundo dos esportes

Grupos do Oriente Médio inflacionam pagamento de atletas e podem estar destruindo equilíbrio competitivo

PorLance!Rio de Janeiro (RJ)
16/05/2023 13:45
Messi x Cristiano Ronaldo
Messi e Cristiano Ronaldo são exemplos da influência do dinheiro árabe no futebol (Foto: AFP)

Não é novidade a influência do dinheiro do Golfo Pérsico no mundo dos esportes. Há mais de 10 anos, grupos dos Emirados Árabes, Qatar e Arábia Saudita investem bilhões de dólares para deixar suas marcas no cenário esportivo global e se tornaram protagonistas do universo dos negócios, com a aquisição de clubes e a organização de grandes eventos.

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O panorama recente, no entanto, apresenta riscos. Enquanto uma série de clubes e atletas desfrutam das riquezas do Oriente Médio, existe a preocupação de que o poderia financeiro do Golfo Pérsico possa estar inflacionando o mercado e destruindo o equilíbrio competitivo.

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O impacto foi mais perceptível no futebol. Além da Copa do Mundo 2022 no Qatar, uma vasta quantia de capital foi aportada para transformar PSG e Manchester City em potências mundiais. Astros como Messi e Cristiano Ronaldo também foram atraídos pelo dinheiro da região. Nos últimos anos, a repercussão se estendeu para outros esportes, como automobilismo, boxe e até o golfe, por exemplo.

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Os investimentos do Golfo Pérsico no esporte

Os investimentos do Golfo Pérsico no esporte podem ser dividido em alguns tipos. O mais conhecido é a aquisição de clubes no futebol europeu, que começou em 2008 com a compra do Manchester City pelo Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan e sua empresa de private equity com sede nos Emirados Árabes Unidos.

Desde então, novos grupos do Oriente Médio entraram no futebol europeu e se tornaram proprietários de clubes. Em 2011, o PSG foi vendido para a Qatar Sports Investments, uma subsidiária do fundo soberano do país, e, em 2020, o Newcastle United foi adquirido pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. 

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Além do investimento na compra de clubes, os países do Golfo Pérsico aportam milhões na realização de grandes eventos. A Copa do Mundo no Qatar é o principal exemplo, mas não o único. Em 2022, foi lançado o LIV Golf Tour, torneio financiado pelo governo da Arábia Saudita que conta com premiações milionárias e atraiu estrelas esporte para longe do PGA Tour.

Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo foi atraído pelo dinheiro da Arábia Saudita (Foto: AFP)

Por fim, outro tipo de investimento é diretamente em atletas. Em janeiro deste ano, o Al Nassr, com apoio do governo da Arábia Saudita e da liga local, fechou a contratação de Cristiano Ronaldo com uma proposta salarial exorbitante - cerca de 200 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) por ano. Atualmente no PSG, controlado por uma empresa do Qatar, o argentino Lionel Messi é embaixador do turismo na Arábia Saudita e também recebeu uma proposta recorde para atuar no país do Golfo Pérsico a partir da próxima temporada.

Os riscos do dinheiro do Golfo Pérsico no esporte

A principal preocupação em torno do dinheiro do Golfo Pérsico no esporte tem sido o equilíbrio competitivo. Com capital ilimitado, os clubes com investimento árabe têm formas de driblar o Fair Play Financeiro e conseguir juntar bons jogadores para melhorar o desempenho em campo. Um exemplo são contratos de patrocínios falsos para inflar artificialmente as receitas e permitir um maior investimento em contratações.

Além disso, acredita-se que os grandes gastos dos proprietários do Oriente Médio estejam inflacionando o mercado em todos os setores, desde os valores das transferências até os salários dos jogadores. O Manchester City, por exemplo, contratou Jack Grealish por US$ 139 milhões, um valor recorde para o Reino Unido. Com Messi, Mbappé e Neymar, o PSG tem três dos quatro jogadores mais bem pagos do futebol no seu elenco. Esses tipos de acordos redefinem o mercado do futebol.

De acordo com estudo da Forbes, o dinheiro do Oriente Médio no golfe e no futebol fez com que as estrelas do esporte ganhassem mais do que nunca. Os 10 atletas mais bem pagos do mundo receberam, ao todo, cerca de US$ 1,1 bilhão nos últimos 12 meses - veja a lista aqui. Além dos já citados Messi e Cristiano Ronaldo, outros nomes da lista têm relação com o dinheiro árabe: Mbappé, que atua no PSG, e os golfistas Phil Mickelson e Dustin Johnson, que aceitaram o convite para jogar no LIV Golf Tour.

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