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Raul Costa Jr.: o drama de 30% dos clubes da Série A

Olhando de fora, como meros torcedores, fica difícil entender aonde chegará o futebol brasileiro

PorRaul Costa Jr.
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
14/09/2026 18:33

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Arte sobre clubes de futebol endividados
Um terço dos maiores clubes brasileiros está em situação de quase miséria (Arte feita por IA) 

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Muito se fala sobre as dívidas dos maiores clubes do futebol brasileiro. Alguns, com dívida passando dos bilhões de reais, parecem zumbis: caminham pelo campeonato sem muito rumo, com estranhos movimentos em que melhoram numa semana e tudo parece resolvido, e, em outros momentos, se mostram em situação quase falimentar. 

Olhando de fora, como meros torcedores, fica difícil entender aonde chegará o futebol brasileiro. De cabeça, sem estudar muito, no atual campeonato da Série A, pelo menos Corinthians, Grêmio, Inter, Santos, Vasco e São Paulo enfrentam problemas com dívidas bilionárias (mesmo que se diga que o problema do São Paulo é menos grave, sendo apenas "um problema de liquidez"), a verdade é que um terço dos maiores clubes brasileiros está em situação de quase miséria. 

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Isto sem falar no Atlético Mineiro, que, nos últimos meses, tomou um "chega prá lá" dos sócios da SAF (Família Menin), que cobraram uma arrumação das finanças do clube com cortes de gastos e mais eficiência no uso dos recursos, e no Fluminense, que teria aumentado a dívida em R$ 200 milhões nos último ano.

Em muitos destes clubes falta dinheiro para salários, contratações (vários destes sofrem transfer ban), manutenção dos estádios e investimentos em melhoria no departamento de futebol. A CBF vem agindo através da agência de regulação financeira, a ANRESF, que começa a cobrar dos clubes índices de solvência que garantam a competitividade. Isto é muito bom e, certamente, trará resultados a longo prazo. Mas, agora, olhando os clubes sofrendo para terminar o ano, a questão que me vem à cabeça é: como chegaram a este ponto? 

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O Vasco, lutando há meses com uma dívida e imbroglio jurídico, para escapar do rebaixamento, e o Inter também. O Grêmio dispensou muitos e contratou outros, o que parece ser um movimento de lucidez.

Mas nada disso responde: como isso começou? Por que empresários tão competentes e respeitados, tão rigorosos no comando de suas empresas, se transformam quando gerem clubes? Por que admitem salários milionários quando não pagariam nem perto destes valores no seus negócios próprios?

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Se você quer pensar em desonestidade, está errado. Pode haver um caso ou outro, mas a grande maioria é de pessoas corretas e muito bem intencionadas, apaixonadas pelos clubes. Talvez passe por aí parte da resposta: apaixonados ficam sensíveis e descontrolados. Apaixonados perdem a razão diante de qualquer ameaça a à sua paixão. Mas alguns dirão que isso é bom, já que se conhece por pressão da torcida por resultados. Pode ser outra parte da explicação, mas também não é tudo. A busca por resultados não está diretamente ligada a contratações milionárias e nem excesso de contratações. 

Outros dizem que é desorganização. Olhando para clubes de Série A é difícil aceitar isto. São clubes que movimentam orçamentos maiores que municípios brasileiros, e isto exige um grau grande de organização.

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Então, onde está a origem desta desorganização clubista? Eu defendo que passa pela falta de instrumentos de controle interno, o que resulta em dirigentes (na maior parte das vezes amadores) comportamentos passionais de torcedor. Nenhum clube efetivamente tem instrumentos de controle interno que barre contratações abusivas ou em excesso. E, entre os instrumentos de controle, tem que haver um interno, mas que reside dentro de cada um: autocontenção. 

O programa eleitoral de quem disputa a presidência de um clube tem que ter clareza de que não cometerá abusos. Além dos instrumentos internos adequados, a autocontenção é que pode mudar muito estes clubes. Mas isto é difícil quando o orçamento é jogado fora na primeira crise, na primeira ameaça de maus resultados. Longo caminho até mudarmos leis e quadro. Até lá, muito dinheiro jogado pela janela.

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