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Raul Costa Jr.: o desabafo de Caio

Entenda por que defender a apuração e o fato é o único caminho para salvar a imprensa

PorRaul Costa Jr.
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
24/08/2026 13:32
Atualizado em 25/08/2026 17:11

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Caio Ribeiro revela superstição como jogador, e hoje, comentarista. (Foto: Reprodução)
Caio Ribeiro na bancada do Sportv (Foto: Reprodução)

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Hoje vou pedir licença aos meus leitores e àqueles que gastam seu precioso tempo com este que escreve. Vou pedir licença para falar de um profissional que aprendi a admirar e respeitar durante quase dez anos de convívio muito próximo: Caio Ribeiro, comentarista esportivo da TV Globo.

Para quem não acompanhou, esta semana Caio foi assunto por cobrar, em uma entrevista, o fim da militância no jornalismo esportivo. Caio fez uma crítica veemente aos jornalistas que usam dos espaços que possuem para militar, acabar com carreiras e por fazerem dos espaços palanques ideológicos. Já, para começar, quero dizer que, em mais de três décadas de jornalismo, nunca tive medo de patrulha, muito menos ideológica.

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Sinceramente, acho patrulheiro ridículo, apesar de reconhecer talento em alguns deles, que ainda têm minha admiração e respeito. Mas quem patrulha é aquele que não tem condições de fazer uma defesa lógica dos seus argumentos, visto que patrulha é recurso de idiota, recurso que se aproxima das crianças no "é por que é" ou "não porque não" ou melhor, "fulano é bom porque pensa como eu e ciclano é ruim porque está do outro lado".

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Patrulha na imprensa

Dito isso, Caio é um dos profissionais mais sérios, ponderados e preparados com quem trabalhei. Nunca fomos muito próximos, até pela questão geográfica (ele mora em São Paulo e eu morava no Rio de Janeiro) e pela agenda apertada. Caio foi brilhante quando, esta semana, fez um alerta sobre a patrulha na imprensa brasileira.

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Meu longo tempo de direção em redações, emissoras, na formação de talentos, sempre me levou a conviver com profissionais de esquerda e de direita, profissionais com espírito crítico e profissionais sem tanto espírito crítico.

A crença na liberdade de opinião me levou a defender a opinião clara, direta e aberta, mas desde que feita claramente no espaço de opinião. E sempre garanti que qualquer opinião tem que ser bem embasada e sem paixão. Opinião é opinião, não é simpatia, alinhamento. Hoje, o que vejo é que, em muitos veículos, o lado ideológico é que define opinião.

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Caio Ribeiro falou sobre gol de Messi
Caio Ribeiro durante programa da Globo (Foto: Reprodução / Globo)

Nunca aceitei redator ou repórter querendo fazer panfleto na matéria. Nunca aceitei e nunca aceitarei. Sempre defendi opinião com base em dados concretos: "Acho isso porque tenho confiança nisso e nisso". Vários dos meus grandes amigos na imprensa são fortemente posicionados, tanto à direita quanto à esquerda.

Mas, sempre que trabalharam comigo, nunca permiti que militassem e sempre cobrei muita apuração e certeza no que publicavam. Minha postura intransigente na apuração e na construção da informação sempre me deu tranquilidade de que ninguém trabalhava contra este modelo de forma sorrateira. Nunca, em 30 e poucos anos de jornalismo, alguém disse ou poderá dizer que censurei. Nunca aceitei nada tendencioso.

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Transformação da opinião em causa

O pior é que muitos tentam passar a imagem de que militância é dar opinião. Não é verdade. Militância mesmo é quando se transforma a opinião em causa. E isso não pode ser admitido. Nem para um lado e nem para outro. Militância é desonestidade com o público, é mascarar interesses inconfessáveis confundidos com informação.

Vamos combinar: quem em tempo de redes sociais, em que milhões de pessoas têm espaço para se manifestar, protestar, insuflar, alguns acreditarem que podem vender sonhos sem questionamento é burrice. É o mesmo que pensar ser possível negar uma informação acreditando que ela não fosse circular, que desaparecesse por um passe de mágica. Acordem, os jornais não são mais impressos e a informação chega ao público a cada segundo. Atualmente, somente a cegueira consegue manter "profissionais" que acreditam que é possível esconder os fatos. Ah, os fatos são relativos…

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Não, os fatos podem ter diferentes versões, mas não dá para fugir à realidade, aos números, mesmo que muitas estatísticas sejam duvidosas. Está na hora de crescer. Parabéns, Caio. O teu desabafo é um alerta importante, no momento em que jornalistas profissionais são cada vez mais criticados e cobrados para se diferenciarem de influencers fanáticos por causas.

A única forma de superar estes personagens é uma informação completa, bem apurada e de qualidade, não importando a quem doer. A militância só fará crescer irresponsáveis em busca de cliques, em busca do que pode ser tudo, menos jornalismo. Acabar com a militância nas redações é que salvará o jornalismo. Caio, não é fácil ter coragem de defender a liberdade de todos. A militância fica nervosa. Mas não dá para ter medo.

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Raul Costa Jr. escreve às segundas-feiras no Lance! sobre os vários lados do esporte. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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