Lúcio de Castro: 'Madame diz que a raça não melhora'
Abel Ferreira e sua verborragia estão no meu cardápio tem tempo

A monotonia e o marasmo sem fim da Data Fifa permitem maior distância do factual, viajar por outros temas sem que necessariamente eles tenham ocorrido ontem.
Abordar aquilo que você está para falar há um tempo, mas o calendário não deixa.
Pois muito bem…
Abel Ferreira e sua verborragia estão no meu cardápio tem tempo.
Mas não queria falar sobre isso logo após algum jogo.
O tema se sustenta sozinho, independe de um fato ou jogo específico, tamanho é o número de vezes em que o treinador perde a linha.
Falemos de Abel Ferreira e de seu assistente João Martins.
Abel Ferreira veio, viu e venceu no Brasil.
Junto com João Martins.
Ganhou quase todos os títulos possíveis.
Irretocável em conquistas, ainda que o futebol exibido muitas vezes seja bem abaixo do potencial que os elencos de que dispõe permitem, é fora do campo que costuma derrapar.
Ou na beira dele.
Permanentemente suspenso por seus impropérios contra árbitros, é faltoso também nas palavras que costuma proferir sobre o país que o recebeu.
E sobre sua gente.
Logo no primeiro ano por aqui, afirmou que "faltava trabalho diário" em Pindorama e lamentou a "falta de mentalidade
europeia".
Seus disparates sobre o Brasil seguiram e seguem.
Por vezes seu assistente João Martins assume o posto.
De técnico e dos vitupérios proclamados.
Há poucos dias, após o jogo contra o São Paulo, não se intimidou em desfiar com autoridade um nonsense digno de corar até mentes menos favorecidas de massa cinzenta.
Disparou na coletiva:
"Na universidade eu tive uma disciplina que era 'História do Esporte'. E há um estudo que diz que o futebol é a cara da sociedade do país. O futebol da Noruega é a cara da sociedade da Noruega, o futebol de Portugal é a cara de Portugal e o futebol do Brasil é a cara da sociedade do Brasil. Eu sempre gostei de estar informado, adoro ver Globo News e CNN Brasil. Se olharmos para as notícias de hoje em dia… Está tudo dito."
As falas de ambos poderiam valer um verdadeiro tratado histórico e sociológico. Não merecem.
Carregadas de preconceitos e de um profundo sentimento colonizador, merecem mesmo o desprezo.
Estou certo de que nem o clubismo mais doentio que atravessa nossos tempos e polui a capacidade de visão dos fatos das pessoas concorda com isso.
Salvo para aqueles que adoram se rebaixar para esses neocolonizadores.
A dupla por vezes me lembra a madame cantada por João Gilberto.
Deixemos para o gênio da raça a resposta:
"Madame diz que a raça não melhora/Que a vida piora por causa do samba/
Madame diz o que samba tem pecado/Que o samba, coitado, devia acabar/
Madame diz que o samba tem cachaça/ Mistura de raça, mistura de cor/
Madame diz que o samba democrata/ É música barata, sem nenhum valor/
Vamos acabar com o samba/ Madame não gosta que ninguém sambe/
Vive dizendo que samba é vexame/ Pra quê discutir com madame?"
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