Corinthians e Flamengo vivem dilema semelhante antes de clássicos regionais
Neo Química e Maracanã sofrem críticas por condição do gramado
Corinthians e Flamengo entram em campo neste domingo (30) para disputar dois dos mais tradicionais clássicos regionais do futebol brasileiro, mas carregam para dentro de suas casas uma preocupação semelhante. Enquanto o Timão recebe o Santos, na Neo Química Arena, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro enfrenta o Botafogo no Maracanã. Nos dois lados do eixo Rio-São Paulo, porém, o estado dos gramados virou assunto antes mesmo de a bola rolar.
O Lance! esteve neste domingo nos dois estádios e foi possível perceber as condições irregulares dos campos. Na Neo Química Arena, funcionários do Corinthians trabalhavam nos últimos retoques antes do clássico diante do Santos. No Maracanã, a situação também chama atenção e tem sido motivo de reclamações constantes, principalmente por parte dos jogadores.
O problema da Neo Química Arena está diretamente relacionado ao retorno do estádio às partidas oficiais antes da conclusão do processo de maturação agronômica do novo gramado. O campo utiliza um sistema híbrido, formado por ryegrass sobre uma base de areia reforçada por fibras sintéticas. Diferentemente de gramados prontos instalados em placas, esse modelo é desenvolvido por semeadura. A grama precisa germinar, criar raízes e se integrar gradualmente às fibras sintéticas que dão sustentação ao campo. Enquanto o processo não é concluído, a cobertura vegetal apresenta menor densidade e áreas de maior desgaste podem expor parcialmente a camada de areia. Pelas melhores práticas internacionais para esse tipo de superfície, o período ideal para a maturação completa é de aproximadamente oito semanas, ou 56 dias.
No Rio de Janeiro, a discussão ganhou até consequências administrativas. Severiano Braga foi demitido em agosto de 2026 do cargo de diretor de operações e infraestrutura do Consórcio Maracanã, função que ocupava havia oito anos. A saída ocorreu após as fortes críticas ao estado do gramado do estádio, e Luiz Felipe de Barros assumiu o posto.
Os jogadores não escondem a insatisfação. Após atuar no Maracanã, o zagueiro Léo Pereira resumiu o impacto que um campo irregular pode causar, especialmente para uma equipe que tem a posse de bola como característica.
— Um dos pontos que nos atrapalha muito é o campo. É só você entrar ali e ver que o campo está muito ruim para ambas as equipes. Tratando de Flamengo, uma equipe que propõe jogo, que quer jogar, quando chega na cara do gol, é claro que, apesar de toda a qualidade, vai haver finalizações erradas, finalizações fracas — criticou o defensor, em entrevista na zona mista.
Na última semana, o Maracanã não recebeu nenhuma partida. A dupla Fla-Flu, que faz a gestão do estádio, optou por fazer melhorias no gramado. Esse, inclusive, foi o motivo alegado para não liberar o estádio para o confronto do Vasco, pela Copa do Brasil, diante do Vitória.
Neste domingo (30), funcionários faziam os últimos ajustes no gramado antes do clássico entre Flamengo e Botafogo. Mesmo à distância era possível ver alguns focos de areia no campo.
A coincidência ganha ainda mais peso quando se observa a história e o futuro das duas arenas. A Neo Química Arena foi palco da abertura da Copa do Mundo de 2014, enquanto o Maracanã recebeu a grande final daquele Mundial. Em 2027, os dois estádios voltarão ao centro das atenções internacionais como as principais arenas da Copa do Mundo Feminina.
A casa do Corinthians também carregou durante anos um prestígio especial dentro da Seleção Brasileira. No período em que Tite comandou o Brasil, a Neo Química Arena era considerada pelo treinador um dos principais estádios do país e frequentemente aparecia entre suas preferências para os jogos da equipe nacional.
Neste domingo, portanto, Corinthians e Flamengo terão clássicos para disputar, rivais históricos pela frente e a obrigação de buscar pontos importantes no Campeonato Brasileiro. Mas, antes de qualquer drible, passe ou finalização, as duas partidas também deixam exposta uma discussão que une São Paulo e Rio de Janeiro: a qualidade do palco onde o futebol é jogado. Em dois estádios que já receberam os olhos do mundo — e voltarão a recebê-los em 2027 —, o gramado se transformou, ao menos por enquanto, em protagonista indesejado.

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