Uefa abre investigação após denúncia feita por Vini Jr em jogo contra o Benfica
Caso semelhante ocorreu em 2020 na Champions, mas não teve resolução a favor da vítima

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A Uefa emitiu um comunicado oficial nesta quarta-feira (18) sobre a acusação de injúria racial feita por Vini Jr, do Real Madrid, contra Gianluca Prestianni, do Benfica, durante a partida de ida dos playoffs que antecedem as oitavas de final da Champions League. Na ocasião, justamente o camisa 7 marcou o gol da vitória simples dos visitantes aos seis minutos do segundo tempo.
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De acordo com a entidade, um investigador do Comitê de Ética e Disciplina da Uefa foi designado para apurar o caso, após Vinícius afirmar ter sido alvo de comentários racistas por parte de Prestianni. A partida entre Madrid e Benfica ficou interrompida por 11 minutos após o acionamento do protocolo antirracismo de três etapas da organização europeia.
— Os relatórios oficiais das partidas de ontem à noite estão sendo analisados. Caso haja alguma reclamação, um processo será aberto e, se forem aplicadas sanções disciplinares, estas serão anunciadas no site disciplinar da Uefa. Não temos mais informações a fornecer nem comentários adicionais a fazer sobre este assunto neste momento — escreveu a confederação, em comunicado oficial.
O Código Disciplinar da Uefa prevê punições rigorosas para casos dessa natureza. O artigo 14 estabelece suspensão mínima de dez partidas, ou penalidade equivalente, para qualquer indivíduo ou entidade que atente contra a dignidade humana por motivos como cor da pele, origem, religião, gênero ou orientação sexual, desde que o ato seja comprovado.
Desde que chegou ao Real, em 2018, Vini foi alvo de diversos ataques racistas por parte de torcidas adversárias. Pela postura adotada dentro e fora de campo, consolidou-se como um dos principais símbolos da luta antirracista no esporte. Esta, entretanto, é a primeira vez em sua carreira que outro companheiro nos gramados é acusado de ofendê-lo com cunho racista.
Episódios passados ⏮️
Um episódio semelhante já ocorreu em competições organizadas pela Uefa. Em 2020, durante o duelo entre PSG e İstanbul Başakşehir, o ex-jogador Pierre Webó acusou o quarto árbitro romeno Sebastian Colțescu de empregar uma expressão racista ao se referir a ele. O caso ganhou repercussão mundial, mas não resultou em punição esportiva exemplar.
Em relação ao procedimento adotado em casos dessa natureza, outro atleta do Madrid passou por situação semelhante em 2025, durante partida contra o Pachuca, vencida pelos espanhóis por 3 a 1. Na ocasião, o árbitro brasileiro Ramon Abatti Abel fez um gesto em X com os braços para comunicar às demais autoridades do duelo sobre o ocorrido. O zagueiro Antonio Rüdiger havia solicitado um pênalti não assinalado e, ao se levantar, foi questionado pelo capitão adversário, o argentino Gustavo Cabral.
Com a aproximação de Abatti, o defensor merengue foi chamado à parte e informado sobre uma possível injúria, que motivou a ativação do protocolo. Por não ter presenciado a suposta ofensa de Cabral a Rüdiger, o árbitro apenas seguiu a recomendação da Fifa de gesticular às demais autoridades. O alemão deixou o campo indignado após o entrevero.
O que aconteceu ontem? 🔎
A confusão teve início após Vinícius marcar um golaço, aos seis minutos do segundo tempo, e abrir o placar para o Madrid diante do Benfica. Na sequência da comemoração, em que o brasileiro dançou em frente à bandeirinha de escanteio em direção à torcida adversária, atitude que resultou em cartão amarelo. Depois, Prestianni se envolveu em discussão com o camisa 7, episódio que culminou na acusação feita pelo atacante contra o adversário.
No momento em que os jogadores retornavam ao meio-campo, o desentendimento se intensificou; em determinado lance, Prestianni colocou a camisa do Benfica sobre a boca, e Vini dirigiu-se imediatamente ao árbitro. Apesar da ativação do protocolo antirracismo, o juiz não aplicou punição disciplinar ao atleta do Benfica, que permaneceu em campo sem advertência.

Mbappé, Benfica, Mourinho e Vini Jr 🗣️
A situação também mobilizou os torcedores presentes, que passaram a dirigir xingamentos ao brasileiro, alvo de vaias até o fim da partida. O atacante Kylian Mbappé, um dos mais enfáticos na defesa do companheiro, igualmente recebeu manifestações hostis vindas das arquibancadas.
Prestianni utilizou as redes sociais para negar ter proferido ofensas racistas. O Benfica também divulgou o posicionamento do jogador e manifestou apoio público ao atleta, com declaração de defesa após o encerramento da partida. Abaixo, veja as manifestações publicadas nas redes sociais:
Na entrevista após a partida, o técnico do Benfica, José Mourinho, foi questionado sobre a possibilidade de arrependimento por parte de Gianluca. O português adotou tom direto e evitou atribuir culpa, ao afirmar que o argentino apresentou uma versão dos fatos, enquanto Vinícius relatou outra, motivo pelo qual declarou não tomar partido no episódio.
Por fim, o próprio brasileiro se pronunciou sobre o caso após a partida. Em publicação nas redes sociais, o atacante classificou o rival como "covarde" por supostamente tê-lo ofendido com a boca coberta pela camisa, gesto que, segundo ele, teria como objetivo impedir leitura labial.

Além disso, criticou Letexier, que acionou o protocolo antirracismo após a denúncia, mas reiniciou a partida sem aplicar qualquer punição ao atleta do Benfica. Antes do episódio, Vini já havia recebido cartão amarelo por comemoração considerada provocativa pela arbitragem.
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Real Madrid e Benfica voltam a se enfrentar pelo jogo de volta dos playoffs da Champions League na próxima quarta-feira (25), às 17h (de Brasília), no Santiago Bernabéu. O vencedor do confronto poderá enfrentar, na fase seguinte, o Sporting ou o Manchester City.

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