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Reginaldo Leme conta bastidores de 'briga' entre Senna e Piquet na F1

Disputa pela vitória na Hungria aumentou a rivalidade entre tricampeões mundiais

PorAnna Carolina RamosRio de Janeiro (RJ)
24/07/2026 08:00
ayrton senna nelson piquet
Ayrton Senna e Nelson Piquet em pódio da F1 (Foto: Reprodução)

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Havia um tempo em que o Brasil era o grande protagonista da Fórmula 1. Não por sua quantidade de pilotos na pista, mas, sim, por sua impressionante qualidade. E foi justamente entre dois dos grandes nomes brasileiros da categoria que aconteceu a maior ultrapassagem de todos os tempos em uma corrida: Ayrton Senna e Nelson Piquet. Para além das disputas na pista, como conta Reginaldo Leme, a rivalidade não se encerrou nos limites do automobilismo.

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O ápice desta "briga" foi, sem sombra de dúvida, a disputa pela liderança no Grande Prêmio da Hungria de 1986. Na classificação, quem levou a melhor foi Senna, que conquistou a pole position e garantiu a vantagem na largada. Logo atrás, porém, vinha Piquet – que sairia de Budapeste com mais um troféu para o currículo.

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Apesar dos problemas na largada, Nelson rapidamente voltou a focar em superar seu compatriota, que corria tranquilo na ponta. A qualidade da Williams passou a fazer a diferença no início da volta 12, quando Senna viu a liderança ser perdida pela primeira vez. O cenário mudou novamente 24 voltas depois, com o pit stop de Piquet.

A vantagem conquistada por Ayrton não foi suficiente para segurar o rival, que voltava à pista com pneus novos. Na volta 55, Piquet tentou atacar, mas Senna não facilitou e conseguiu manter o adversário atrás. Duas voltas depois, uma nova tentativa. E que tentativa!

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Piquet chegou ainda mais forte para a disputa e, dessa vez, encontrou uma maneira improvável de completar a manobra. O piloto da Williams passou por fora, contornou a curva lado a lado com Senna e conseguiu assumir a liderança em uma das ultrapassagens mais marcantes da história da Fórmula 1. Veja o momento da investida abaixo:

A cena foi tão impressionante que Jackie Stewart chegou a comparar a manobra a um "looping com um Boeing 747". Depois de garantir a posição, Piquet ainda provocou Senna com um gesto obsceno. Ayrton não conseguiu responder e terminou a corrida em segundo lugar. Piquet, por sua vez, confirmou uma vitória histórica na Hungria.

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Bastidores da F1 cheios de intriga

Com o fim da corrida, os pilotos seguem alguns protocolos definidos pela Fórmula 1, como a cerimônia do pódio, por exemplo. Para os jornalistas, porém, o objetivo após uma corrida é entender os dois lados das histórias e dos momentos que ficaram marcados dentro da pista. E esse era o foco de Reginaldo Leme depois da bandeirada naquele intenso GP da Hungria.

— Ao terminar a corrida, eu fui falar com o Senna e com o Piquet. Eu fui fazer entrevista com eles. E, cara, eu tive que aliviar um pouco os termos, principalmente os que o Piquet usava. Ele chegou a falar assim: "Eu fiz aquilo para mostrar àquele 'irresponsável' qual era o limite, o que podia e o que não podia fazer na Fórmula 1". Na verdade, ele usou um palavrão, mas o sentido era esse. Risos — contou Reginaldo, em entrevista ao Lance!.

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As críticas, porém, não ficaram apenas com Piquet. Do outro lado da disputa, Senna também não parecia disposto a simplesmente aceitar a derrota. Para o piloto da Lotus, a ultrapassagem só havia sido possível graças à clara diferença de desempenho entre seu carro e a Williams do compatriota.

— E o Senna rebatia, né? Dizia: "Ele passou porque tinha melhor carro, não sei o quê". Eu ainda falei para ele: "Mas ele passou duas vezes". Aí rebateu: "Ele tem mais experiência". Coisas assim que eu me lembro, mas os dois usavam muito palavrão — relembrou o jornalista.

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Ayrton Senna comemora vitória na F1
Ayrton Senna comemora vitória na F1 (Foto: Miguel Costa Jr./AFP)

Rivalidade das pistas às entrevistas

A troca de provocações não terminou naquele domingo. Senna e Piquet eram dois dos principais nomes da Fórmula 1 nos anos 1980 e, naturalmente, acabavam constantemente comparados. A rivalidade entre os brasileiros também era alimentada pelas declarações públicas, que continuaram mesmo depois de ambos deixarem de disputar posições na pista.

Anos mais tarde, em entrevista ao "Blog do Ico", do portal UOL, Piquet voltou a falar sobre a relação com Senna. Ao relembrar a ultrapassagem na Hungria, o tricampeão explicou que o gesto obsceno feito após a manobra foi uma resposta ao comportamento do rival durante a disputa.

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— Ele sempre foi muito sujo na sua carreira. Ganhou o campeonato de F-3 porque ele bateu no Martin Brundle, em Brands Hatch, na última corrida, acabou com o carro em cima. Fez o mesmo com Prost em 90 para ganhar o campeonato. Eu não concordo com isso. Quer ser campeão? Tudo bem. Mas precisa ser limpo. Ele não era limpo na pista. Foi por isso que mostrei o dedo do meio para ele — disse o piloto.

Na sequência, Piquet explicou como enxergou as duas tentativas de ultrapassagem em Budapeste. Para o brasileiro, Senna tentou repetir a mesma defesa nas duas ocasiões, mas acabou surpreendido quando o rival mudou o caminho e atacou por fora.

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— Senna era um piloto horrível, era fácil ultrapassá-lo. Você viu toda a ultrapassagem? Você viu as duas voltas anteriores? Olhando com calma, na primeira vez eu tento por dentro, e ele me empurra para o lado sujo da pista. E na segunda vez ele tenta fazer o mesmo. Mas, ao invés de ir para a direita, eu coloco de lado pela esquerda e ele não esperava isso.

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