Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Exclusivo: pai de Bortoleto, Lincoln Oliveira rebate acusações sobre gestão da Stock Car

Saída da Scuderia Bandeiras da categoria foi marcada por disputas judiciais

PorAnna Carolina RamosRio de Janeiro (RJ)
05/08/2026 08:00
Atualizado em 05/08/2026 10:58
Gabriel Bortoleto e Lincoln Oliveira após competição
Gabriel Bortoleto e Lincoln Oliveira após competição (Foto: Reprodução/Instagram)

Há meses, a Stock Car vive cercada de polêmica. O auge dos desentendimentos foi a saída da Scuderia Bandeiras em julho. Depois de disputas judiciais por discordâncias de novas regras e de reclamações por se sentir prejudicada com decisões de pista, a equipe de Átila Abreu abriu mão da disputa. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o CEO da Vicar, Lincoln Oliveira, rebateu as críticas, negou qualquer irregularidade, e comentou as citações envolvendo o patrocínio a Gabriel Bortoleto, seu filho.

— A gente preza comunicação, desenvolvimento, ética e governança nas operações. Fomos pegos realmente de surpresa. Hoje, ainda não sabemos o real motivo da saída da Bandeiras — afirmou Lincoln Oliveira.

continua após a publicidade

➡️ Tudo sobre os esportes olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico

Átila detalhou os motivos da saída da Stock Car nas redes sociais. Entre os principais pontos levantados pelo dirigente, estão supostas inconsistências tributárias na operação dos pneus, problemas recorrentes no fornecimento de peças, a confiabilidade técnica de componentes fornecidos às equipes, e uma suposta falta de transparência na condução da categoria.

A crise dos pneus

O principal ponto de divergência entre a Scuderia Bandeiras e a Stock Car envolve a operação dos pneus utilizados na categoria. A equipe afirma ter contratado um parecer técnico para analisar a estrutura tributária adotada pela Vicar e sustenta que o documento identificou potenciais riscos fiscais e aduaneiros no modelo de comercialização dos insumos.

continua após a publicidade

O estudo aponta inconsistências diretas entre o fluxo físico e a documentação da operação, destacando a emissão de faturas de "venda" para bens sob o regime de importação temporária. Embora o parecer ressalte que a palavra final cabe às as autoridades fiscais competentes, a análise classifica o risco tributário e aduaneiro da estrutura como "ALTO". E esse é um dos principais argumentos apresentados por Átila Abreu para questionar a operação – assim como para abandonar a Stock.

Nelson Piquet Jr, da Scuderia Bandeiras, em ação na Stock Car
Nelson Piquet Jr, da Scuderia Bandeiras, em ação na Stock Car (Foto: Walbron Siquiera/Agência F8/Folhapress)

Por outro lado, Oliveira contesta essa interpretação e garante que a operação segue rigorosamente a legislação brasileira. Segundo o dirigente da Vicar, os pneus permanecem sob regime de importação temporária e não são comercializados diretamente às equipes.

continua após a publicidade

A valor pago pelos competidores, então, não correspondem à compra dos pneus, mas aos custos da operação logística necessária para que eles permaneçam armazenados, transportados, controlados e disponibilizados ao longo da temporada. Lincoln destaca ainda que o modelo é conhecido pelas equipes e vem sendo adotado há anos, segundo ele, dentro das exigências legais.

— Existe uma instrução normativa da Receita Federal que trata da importação temporária dos pneus. Cumprimos integralmente essa normativa. A equipe não compra o pneu. Ela paga por toda a operação: armazenagem, controle, logística e disponibilização desse material durante o campeonato. Somos auditados, temos controles fiscais e contábeis rigorosos e nunca tivemos qualquer apontamento que colocasse essa operação em risco — afirmou.

continua após a publicidade

Perseguição e Gabriel Bortoleto

Outro tema levantado pela Scuderia Bandeiras diz respeito à relação da Vicar com equipes e colaboradores. Átila afirmou que passou a sofrer perseguições após questionar decisões da categoria e cobrar esclarecimentos sobre contratos e operações. Já Lincoln rejeita essa versão e afirma que a Stock Car apenas segue regras de governança previstas nos acordos firmados com os competidores.

— Existe um código de ética e de governança como em qualquer organização. O nosso objetivo é preservar a imagem da categoria e dos parceiros. Isso não significa impedir que alguém se manifeste — explicou o dirigente da Stock Car.

continua após a publicidade

➡️ Opinião: com Bortoleto, novatos sobressaem em disputas internas na F1

Durante a entrevista, Lincoln respondeu ainda às citações feitas por Átila envolvendo o patrocínio do Banco BRB à Stock Car e ao piloto Gabriel Bortoleto. Para o dirigente, não existe qualquer relação entre os investimentos feitos pelo banco na categoria e o apoio ao atual piloto da Fórmula 1, destacando que todos os contratos passaram pelos processos internos de compliance da instituição financeira.

— O BRB é patrocinador da Stock Car porque entende o retorno que a categoria oferece. O Gabriel também teve um patrocínio do banco, como acontece com diversos atletas, seguindo os processos de compliance da instituição. Nunca fomos acionados por qualquer questão relacionada a isso e estamos absolutamente tranquilos.

continua após a publicidade

Com a disputa já esfera judicial, Lincoln considera improvável uma reaproximação entre as partes no curto prazo. Apesar do rompimento com a Scuderia Bandeiras, o CEO afirma que a Stock Car seguirá concentrada na realização do campeonato e reforça que a categoria continuará operando dentro dos padrões técnicos, legais e de governança adotados pela Vicar.

Sugerida para você!

Mais LANCE!