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Exclusivo: pai de Bortoleto, Lincoln Oliveira rebate acusações sobre gestão da Stock Car

Saída da Scuderia Bandeiras da categoria foi marcada por disputas judiciais

PorAnna Carolina RamosRio de Janeiro (RJ)
05/08/2026 08:00
Gabriel Bortoleto e Lincoln Oliveira após competição
Gabriel Bortoleto e Lincoln Oliveira após competição (Foto: Reprodução/Instagram)

As acusações feitas pela Scuderia Bandeiras contra a Stock Car ganharam uma resposta. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o CEO da Vicar, Lincoln Oliveira, rebateu as críticas feitas por Átila Abreu e negou qualquer irregularidade na gestão da principal categoria do automobilismo brasileiro. O dirigente também respondeu aos principais questionamentos levantados pela equipe e comentou as citações envolvendo o patrocínio a Gabriel Bortoleto.

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O time anunciou a saída da competição no início de agosto e, posteriormente, Átila passou a detalhar os motivos da decisão nas redes sociais – o que rapidamente ganhou grandes repercussões. Entre os principais pontos levantados pelo dirigente estão supostas inconsistências tributárias na operação dos pneus, problemas recorrentes no fornecimento de peças e a confiabilidade técnica de componentes fornecidos às equipes, e uma suposta falta de transparência na condução da categoria.

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Lincoln, porém, afirma que as acusações não refletem a realidade da operação da Stock Car. Segundo ele, a Vicar foi surpreendida com a decisão da equipe e mantém todos os seus processos dentro das normas legais e dos padrões de governança adotados pela empresa.

— A gente preza comunicação, desenvolvimento, ética e governança nas operações. Fomos pegos realmente de surpresa. Hoje, ainda não sabemos o real motivo da saída da Bandeiras — afirmou Lincoln Oliveira.

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A crise dos pneus

O principal ponto de divergência entre a Scuderia Bandeiras e a Stock Car envolve a operação dos pneus utilizados na categoria. A equipe afirma ter contratado um parecer técnico para analisar a estrutura tributária adotada pela Vicar e sustenta que o documento identificou potenciais riscos fiscais e aduaneiros no modelo de comercialização dos insumos.

O estudo aponta inconsistências diretas entre o fluxo físico e a documentação da operação, destacando a emissão de faturas de "venda" para bens sob o regime de importação temporária. Embora o parecer ressalte que a palavra final cabe às as autoridades fiscais competentes, a análise classifica o risco tributário e aduaneiro da estrutura como "ALTO". E esse é um dos principais argumentos apresentados por Átila Abreu para questionar a operação – assim como para abandonar a Stock.

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Nelson Piquet Jr, da Scuderia Bandeiras, em ação na Stock Car
Nelson Piquet Jr, da Scuderia Bandeiras, em ação na Stock Car (Foto: Walbron Siquiera/Agência F8/Folhapress)

Por outro lado, Oliveira contesta essa interpretação e garante que a operação segue rigorosamente a legislação brasileira. Segundo o dirigente da Vicar, os pneus permanecem sob regime de importação temporária e não são comercializados diretamente às equipes.

A valor pago pelos competidores, então, não correspondem à compra dos pneus, mas aos custos da operação logística necessária para que eles permaneçam armazenados, transportados, controlados e disponibilizados ao longo da temporada. Lincoln destaca ainda que o modelo é conhecido pelas equipes e vem sendo adotado há anos, segundo ele, dentro das exigências legais.

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— Existe uma instrução normativa da Receita Federal que trata da importação temporária dos pneus. Cumprimos integralmente essa normativa. A equipe não compra o pneu. Ela paga por toda a operação: armazenagem, controle, logística e disponibilização desse material durante o campeonato. Somos auditados, temos controles fiscais e contábeis rigorosos e nunca tivemos qualquer apontamento que colocasse essa operação em risco — afirmou.

Perseguição e Gabriel Bortoleto

Outro tema levantado pela Scuderia Bandeiras diz respeito à relação da Vicar com equipes e colaboradores. Átila afirmou que passou a sofrer perseguições após questionar decisões da categoria e cobrar esclarecimentos sobre contratos e operações. Já Lincoln rejeita essa versão e afirma que a Stock Car apenas segue regras de governança previstas nos acordos firmados com os competidores.

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— Existe um código de ética e de governança como em qualquer organização. O nosso objetivo é preservar a imagem da categoria e dos parceiros. Isso não significa impedir que alguém se manifeste — explicou o dirigente da Stock Car.

➡️ Opinião: com Bortoleto, novatos sobressaem em disputas internas na F1

Durante a entrevista, Lincoln respondeu ainda às citações feitas por Átila envolvendo o patrocínio do Banco BRB à Stock Car e ao piloto Gabriel Bortoleto. Para o dirigente, não existe qualquer relação entre os investimentos feitos pelo banco na categoria e o apoio ao atual piloto da Fórmula 1, destacando que todos os contratos passaram pelos processos internos de compliance da instituição financeira.

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— O BRB é patrocinador da Stock Car porque entende o retorno que a categoria oferece. O Gabriel também teve um patrocínio do banco, como acontece com diversos atletas, seguindo os processos de compliance da instituição. Nunca fomos acionados por qualquer questão relacionada a isso e estamos absolutamente tranquilos.

Com a disputa já esfera judicial, Lincoln considera improvável uma reaproximação entre as partes no curto prazo. Apesar do rompimento com a Scuderia Bandeiras, o CEO afirma que a Stock Car seguirá concentrada na realização do campeonato e reforça que a categoria continuará operando dentro dos padrões técnicos, legais e de governança adotados pela Vicar.

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