Nova camisa do Fluminense custa 11 dias de trabalho para quem recebe salário mínimo
Lançamento não foge à lógica de outros grandes clubes do Brasil

A nova terceira camisa do Fluminense chegou às lojas com referências às Laranjeiras, o primeiro escudo da história do clube e uma pergunta que vai além do design: quanto tempo um torcedor que recebe o salário mínimo no Rio de Janeiro precisa trabalhar para comprar o uniforme?
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A discussão sobre o aumentos dos preços de produtos relacionados aos clubes de futebol no Brasil não são novidade. O lançamento mais recente do Tricolor é apenas mais um exemplo que não foge a regra de que as camisas lançadas nos últimos anos não são feitas para todos.
No caso do uniforme verde do Flu, apresentado nesta quinta-feira (23), a versão Jogador, igual à utilizada pelos atletas em campo, custa R$ 599,99. Considerando o valor diário do salário mínimo de 2026, fixado em R$ 54,04, seriam necessários pouco mais de 11 dias de trabalho para pagar a peça.
O cálculo considera o valor bruto previsto no decreto que estabeleceu o salário mínimo nacional em R$ 1.621. Não entram na conta descontos previdenciários nem gastos essenciais do trabalhador, como alimentação, moradia, transporte e contas domésticas.
A camisa Jogador corresponde a aproximadamente 37% de todo o salário mínimo bruto de um mês. Já a versão Torcedor, vendida por R$ 429,99, consome cerca de 26,5% da renda mensal. A infantil representa aproximadamente 22,8%, com preço de R$ 369,99.
O Fluminense não anunciou uma versão Estádio para o terceiro uniforme. Nos lançamentos das camisas tricolor e branca, no início da temporada, esse modelo foi vendido por R$ 299,99, equivalente a aproximadamente 5,6 dias de trabalho.
Camisas principais têm os mesmos preços
A terceira camisa segue a tabela adotada pela Puma nos primeiros uniformes da parceria com o Fluminense. A versão Jogador também custa R$ 599,99, enquanto a Torcedor é vendida por R$ 429,99 e a infantil por R$ 369,99.
A diferença entre as categorias está principalmente no tecido, nas tecnologias utilizadas e no acabamento. A versão Jogador é exatamente a mesma utilizada pelos atletas. Os modelos Torcedor e Estádio são adaptações produzidas para reduzir o preço final.
Aumento em relação ao início da parceria com a Umbro
A comparação com o primeiro lançamento da antiga fornecedora mostra que o uniforme ficou mais distante do trabalhador que recebe o piso nacional. Em maio de 2020, a camisa de jogo do Fluminense produzida pela Umbro custava R$ 259,90.
Naquele período, o salário mínimo era de R$ 1.045, com valor diário de R$ 34,83. Assim, a camisa representava aproximadamente 7,5 dias de trabalho e consumia perto de 24,9% do salário mínimo mensal. O preço nominal da camisa aumentou cerca de 131% no período. O salário mínimo, por sua vez, subiu aproximadamente 55%.
Com contribuição de 7,5% para o INSS, o salário líquido aproximado de quem recebe o mínimo cai para R$ 1.499,42. Nesse cenário, a camisa Jogador representa cerca de 40% do valor disponível após o desconto. Mesmo a versão Torcedor comprometeria aproximadamente 28,7% do salário líquido.
A conta ainda parte de uma situação hipotética na qual toda a renda poderia ser destinada ao produto. Para a maior parte dos trabalhadores, o dinheiro utilizado na compra precisa disputar espaço com despesas básicas.
Estreia do Fluminense com a nova camisa
A nova camisa será utilizada pela primeira vez contra o Bahia, no dia 29 de julho, pelo Campeonato Brasileiro. Antes disso, o Tricolor entra em campo contra o Grêmio, no domingo (26), também pelo Brasileirão.

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