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Lúcio de Castro: Agustín Rossi me fez rasgar uma coluna e escrever outra

Goleiro do Flamengo me obrigou a mudar os planos

PorLúcio de Castro•
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)•
09/10/2026 08:00

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Rossi em Santos x Flamengo
Rossi em Santos x Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Bateu o déjà vu.

O "já visto", aquela sensação de estar vivendo uma situação atual que parece já ter acontecido exatamente da mesma forma antes.

A correria pós-jogo ao apito de Anderson Daronco na noite de quinta-feira (8) para fechar essa coluna acionou o gatilho.

Depois de tantos anos, de novo aquela sensação de adrenalina do deadline, do correr para entregar a matéria ou a crônica do confronto em tempo recorde para o jornal fechar.

Como nos primeiros anos da carreira.

Nem era para ser assim.

Tinha uma coluna pronta e acabada, independentemente do jogo.

Afinal, a proposta aqui não é necessariamente ter o tema quente do dia.

A ideia é contar histórias, análises e afins.

Agustín Rossi me obrigou a mudar os planos.

Diante da monótona repetição de falhas do goleiro, não tem como abordar outro tema.

Porque não são falhas normais.

São falhas por soberba.

A soberba que cega a lucidez.

A soberba que negligencia o espírito coletivo.

Que pode causar o acidente e derrubar o trabalho de tantos, por tanto tempo, em 5 segundos.

Eram 26 minutos do segundo tempo.

Em um palco historicamente difícil de ganhar do adversário, o Flamengo fazia uma grande partida e ganhava por 2 x 0.

Para seguir abrindo vantagem na liderança do campeonato.

Uma partida jogada com inteligência e astúcia.

O time executando com perfeição a ideia de obter vantagem sobre a marcação individual do adversário sempre desmarcando um dos seus.

Sobrava Danilo.

Como sempre sobra a inteligência do zagueiro veterano, parceiro de Jorginho no item "enxergar em campo o que os outros não estão vendo".

Tendo inacreditável superioridade numérica de seis jogadores como opção contra três do adversário, achou legal sair com o que estava marcado mais de perto.

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Mesmo com Jorginho sendo o mais acossado por um oponente, brincou com o fogo em uma bola curta.

E obviamente se queimou.

O Santos rouba a bola (e aqui, diante de tal absurdo, vamos pular o eventual erro do árbitro em não marcar possível falta em Jorginho. A surreal opção de Rossi torna isso menor).

Pênalti e gol do Santos. Jorginho expulso. Obviamente muda o jogo todo. E, diante de tal cenário, acontece o óbvio: o time da casa empata.

Não me lembro de tamanha imunidade para um goleiro em um time grande.

Não foi a primeira.

Nem a segunda.

Nessa hora, é preciso ser mais exato.

A sequência em tão pouco tempo é um tanto inacreditável.

Vamos a ela:

19/11/2025 – Fluminense 2 x 1 Flamengo (Campeonato Brasileiro - 34a rodada)
Após recuo, Rossi tentou dominar a bola fazendo embaixadinha e perdeu o controle. Gol de Kevin Serna.

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17/12/2025 – PSG 1 (2) x (1) 1 Flamengo (Final da Copa Intercontinental)
Rossi protagonizou dois erros. O primeiro ao tentar evitar a saída de bola e deixar o gol aberto para Fabián Ruiz. O gol acabou anulado pelo VAR. No segundo, falhou ao tentar afastar um cruzamento. Gol de Kvaratskhelia.

26/02/2026 – Flamengo 2 x 3 Lanús (Final da Recopa Sul-Americana)
Rossi falhou no primeiro gol do Lanús, em bola curta para Ayrton Lucas.

14/05/2026 – Vitória 2 x 0 Flamengo (Copa do Brasil)
Após cobrança de escanteio, Rossi saiu mal do gol e não conseguiu afastar a bola. Gol de Luan Cândido.

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17/05/2026 – Athletico-PR 1 x 1 Flamengo (Campeonato Brasileiro)
Rossi não consegue defender chute fraco de Mendoza.

23/05/2026 – Flamengo 0 x 3 Palmeiras (Campeonato Brasileiro)
Rossi falhou em dois gols. (Allan e Paulinho).

*Em 10/05/2026 Rossi comete erro ao tentar sair diante do Grêmio, que não converte.

Não faltaram avisos.

Na virada do ano, o torcedor rubro-negro se esgoelava avisando que o Flamengo precisava de outro goleiro.

Na verdade, a sequência acima avisava.

Só a cartolagem rubro-negra não viu.

Deu de ombros.

Especialidade da casa.

Dar de ombros para os clamores de sua gente, mais preocupados em mandar recados, independentemente do custo para essa gente.

Temos sido repetitivos no tema.

Craques inquestionáveis em gestão, insensíveis no social.

Como falamos nesse "Lúcio de Papo" em 1º de setembro.

O que mais chama atenção aqui é terem gasto R$ 34,7 milhões na contratação de Andrew junto ao Gil Vicente no fim do ano passado (R$ 29.504.000,00 em direitos federativos) e mais R$ 5.230.000,00 aos empresários como intermediação, sem que o goleiro seja acionado mesmo diante de tantas falhas do titular.

Da série "coisas da Gávea".

Joagdores de Santos e Flamengo na partida na Vila Belmiro
Santos x Flamengo na Vila Belmiro (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
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