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Análise: Jardim aposta no Flamengo reativo, mas Libertadores pede Pedro

Time carioca teve a posse, mas sentiu falta do camisa 9 na área

PorLucas BayerBelo Horizonte (MG)
13/08/2026 08:29
Atualizado há 0 minutos

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O empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, no Mineirão, deixou o Flamengo vivo na disputa por uma vaga nas quartas de final da Libertadores. Mas, para além do resultado, a partida também deixou uma leitura importante para Leonardo Jardim antes do reencontro entre as equipes, na próxima quarta-feira, no Maracanã: a escolha por começar com Pedro no banco limitou o potencial ofensivo do time justamente em um primeiro tempo no qual o jogo se apresentou de maneira diferente daquela que o treinador aparentemente imaginou.

A opção por Bruno Henrique como referência ofensiva tinha uma lógica. O Flamengo chegava ao Mineirão para enfrentar um adversário forte, em um ambiente difícil e fora de casa. A ideia era ter uma equipe capaz de pressionar a saída do Cruzeiro, acelerar a recuperação da bola e utilizar a velocidade de Plata e Samuel Lino pelos lados. A estratégia de pressão funcionou em determinados momentos, especialmente para dificultar a construção da equipe mineira. O problema apareceu quando o time recuperava a bola.

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O cenário do jogo mostrou um time que, em diversos momentos, tinha condições de controlar a posse e avançar no campo de ataque. E é justamente aí que a escolha por Bruno Henrique como homem mais avançado começou a cobrar seu preço.

Flamengo chegava à linha de fundo, mas faltava quem ocupasse a área

O principal sintoma apareceu em uma situação recorrente durante o primeiro tempo: os jogadores de lado conseguiam chegar ao fundo, mas, quando levantavam a cabeça para procurar uma referência dentro da área, faltava um jogador com a característica de centroavante para atacar aquele espaço.

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Bruno Henrique é um atacante de enorme importância para o Flamengo e tem capacidade para atuar como referência em determinadas circunstâncias. Mas a característica dele é diferente da de Pedro. Não se trata apenas de colocar um jogador mais avançado no desenho tático. Trata-se de entender quem estará dentro da área quando a equipe construir pelos corredores.

E o Flamengo construiu. Por isso, dizer que o time não conseguiu atacar ou que simplesmente não criou oportunidades seria uma análise injusta. A equipe terminou o jogo com 15 finalizações, contra 11 do Cruzeiro, e teve 53,4% de posse de bola.

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A questão foi outra: o Flamengo teve a bola, mas nem sempre conseguiu transformar essa posse em ataques realmente perigosos.

Era uma equipe que chegava, circulava, encontrava os pontas e avançava pelos lados, mas muitas vezes não tinha dentro da área o jogador ideal para completar a jogada.

A pressão funcionou, mas o problema veio depois

Plata e Samuel Lino tinham uma função importante dentro do plano de Jardim: pressionar a saída de bola do Cruzeiro e impedir que o adversário tivesse tranquilidade para construir desde trás. E isso aconteceu.

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O Flamengo conseguiu incomodar a equipe mineira e dificultar sua saída em diferentes momentos. Só que o futebol não termina na recuperação da bola. Depois de recuperar, era preciso saber o que fazer com ela.

E foi nesse momento que o plano começou a perder força. O Cruzeiro também conseguiu se adaptar. Depois do intervalo, Artur Jorge encontrou soluções para reduzir o impacto da pressão rubro-negra e passou a neutralizar melhor a saída pelos lados. Com isso, a pressão de Plata e Samuel Lino perdeu eficiência.

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O Flamengo, então, precisou mudar. Pedro entra e muda o cenário do ataque

A entrada de Pedro foi acompanhada por Lucas Paquetá. Bruno Henrique deixou o campo aos 20 minutos do segundo tempo, enquanto Arrascaeta também saiu para a entrada do meia.

A mudança não foi apenas nominal. Com Pedro em campo, o Flamengo passou a ter aquilo que havia faltado em boa parte da etapa inicial: uma referência clara dentro da área.

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Pouco depois das substituições, Pedro sofreu a falta que originou a jogada do gol de empate. Na sequência, após a bola alçada na área e a cabeçada de Léo Ortiz no travessão, Lucas Paquetá apareceu para aproveitar o rebote e marcar o 1 a 1.

É claro que seria simplista dizer que Pedro entrou e imediatamente "resolveu" a partida. O gol foi marcado por Paquetá e teve participação decisiva de Léo Ortiz. Mas a alteração mudou a forma como o Flamengo ocupava o campo ofensivo.

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Finalmente havia alguém para prender os zagueiros, atacar a pequena área, disputar cruzamentos e oferecer uma referência para os jogadores que chegavam pelos lados.

O Flamengo encontrou, no segundo tempo, o jogador que havia faltado no primeiro.

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Pedro, do Flamengo, durante partida contra o Cruzeiro, pela Libertadores, no Mineirão
Pedro, do Flamengo, durante partida contra o Cruzeiro, pela Libertadores, no Mineirão (Foto: Gilson Lobo/Folhapress)

A escolha por Pedro no banco tinha justificativa, mas o jogo pediu outra coisa

É importante fazer uma ressalva. Pedro não vinha de uma atuação brilhante contra o Vitória. No triunfo por 2 a 0 no Maracanã, no último domingo, o atacante não teve uma participação de grande destaque. Jardim, portanto, tinha elementos para pensar em uma alternativa para o duelo no Mineirão. O próprio treinador vinha utilizando variações no ataque e já havia apostado em Bruno Henrique como referência em outras oportunidades.

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A questão é que Libertadores, Mineirão e Cruzeiro exigiam uma leitura específica do jogo.

Quando a bola começou a rolar, o Flamengo não encontrou o cenário de um time predominantemente reativo, obrigado a correr atrás do adversário durante grande parte do tempo. Pelo contrário.

O Rubro-Negro teve a bola, conseguiu avançar e encontrou espaços pelos lados.

E, nesse contexto, a presença de Pedro fazia ainda mais sentido.

Não necessariamente porque Bruno Henrique tenha feito um jogo ruim. A discussão é coletiva e estratégica. O problema é que o modelo escolhido deixou o Flamengo com menos presença de área em uma partida na qual os jogadores de lado frequentemente encontravam condições para cruzar ou atacar o último terço.

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Jardim precisou corrigir a própria rota

É justamente por isso que a sensação depois do empate é curiosa. O Flamengo não saiu do Mineirão com um resultado ruim. Pelo contrário. Buscar o empate depois de sofrer o gol de Arroyo manteve a decisão completamente aberta para o Maracanã. O Cruzeiro chegou a sair na frente no início do segundo tempo, mas o time carioca respondeu e conseguiu buscar o resultado.

Ainda assim, fica a impressão de que havia espaço para algo além do empate. Porque o próprio jogo mostrou isso.

Jardim começou com uma proposta que fazia sentido diante do adversário e do contexto. Mas, conforme o jogo se desenrolou, percebeu que o Flamengo precisava de outro tipo de presença ofensiva. A entrada de Pedro e Paquetá foi uma correção necessária.

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O português não teve medo de mexer e buscar uma solução diferente. Mas a análise que fica é justamente sobre a necessidade de ter percebido isso desde o início.

Em um jogo tão importante, o Flamengo talvez não pudesse abrir mão de Pedro por tanto tempo.

E Paquetá?

A situação de Lucas Paquetá é diferente. O meia ainda está retornando de um problema físico e não estava necessariamente em condição ideal para começar uma partida de alta intensidade como aquela. Depois do apito final, inclusive, deixou evidente o desgaste físico e reconheceu que sentiu a parte física durante o confronto.

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Por isso, a escolha de Jardim por não utilizá-lo desde o início é mais compreensível.

Já a ausência de Pedro no time titular tem discussão.

O camisa 9 é um jogador que muda o comportamento da equipe adversária simplesmente pela presença. Sua capacidade de ocupar a área, fazer o pivô, segurar os zagueiros e atacar cruzamentos oferece ao Flamengo uma possibilidade que nenhum outro atacante do elenco entrega da mesma maneira.

E isso ganha ainda mais peso quando o time tem jogadores como Plata e Samuel Lino capazes de atacar os corredores.

Se o Flamengo vai jogar com amplitude, precisa ter alguém dentro da área. Essa é a principal lição que o Mineirão deixa.

No Maracanã, cenário deve ser diferente

A tendência é que o segundo jogo apresente uma partida diferente. O Flamengo terá o Maracanã, sua torcida e a obrigação de assumir ainda mais o controle do confronto. A expectativa é de um time mais dominante, com maior volume de posse e Cruzeiro ainda mais preocupado em defender e explorar os espaços deixados pelo adversário.

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Nesse cenário, a presença de Pedro se torna ainda mais importante. A equipe precisará de amplitude, circulação, paciência para encontrar espaços e, principalmente, uma referência dentro da área para transformar todo esse volume em gol.

Paquetá também surge como candidato a ganhar espaço entre os titulares, embora a questão física precise ser considerada. O meia entrou no segundo tempo, marcou o gol de empate e mostrou novamente o impacto que pode ter no time. Ao mesmo tempo, o desgaste apresentado depois da partida reforça que a decisão sobre sua titularidade precisará passar também pela condição física.

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O confronto está aberto. Mas o empate no Mineirão deixou uma mensagem clara para Jardim: quando o Flamengo tiver o controle do jogo, não pode ter apenas a bola. Precisa ter presença na área.

E, nesse aspecto, Pedro parece ser uma peça praticamente indispensável para o plano que o Flamengo deverá apresentar no Maracanã.

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