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A régua que Leonardo Jardim herdou no Flamengo explica a pressão sobre o técnico

Português tem números próximos aos do antecessor no mesmo recorte do Brasileirão, mas atuações recentes aumentam a pressão

PorLucas BayerRio de Janeiro (RJ)
31/07/2026 07:00

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Leonardo Jardim sabia que a régua estaria alta quando aceitou o convite para comandar o Flamengo. O treinador português assumiu um time que havia pintado o Brasil e a América do Sul de vermelho e preto, conquistado o Brasileirão e a Libertadores e ficado a uma disputa de pênaltis de colocar o nome na história como campeão mundial de 2025. Além de herdar um elenco vencedor, Jardim chegou para substituir um treinador que havia criado uma conexão especial com o clube e deixado um trabalho de excelência. É justamente por isso que o momento atual aumenta a pressão sobre o português.

As recentes atuações do Flamengo, com pouca intensidade e distantes do futebol apresentado em seus melhores momentos sob o comando de Jardim, fizeram a torcida questionar o trabalho e, inevitavelmente, comparar o atual treinador com Filipe Luís. A cobrança, porém, passa menos pelos números e mais pela dificuldade de o time sustentar em campo o nível de desempenho que se espera de um elenco campeão.

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Jardim herdou uma régua que já estava no alto

A história recente ajuda a entender o tamanho do desafio. Quando assumiu o Flamengo em 2024, Filipe Luís não era apenas um treinador em início de carreira. Era um ídolo do clube que havia escolhido descer alguns degraus para aprender a profissão antes de chegar ao futebol profissional. Passou pelas categorias de base, conquistou títulos, inclusive o Mundial Sub-20, e construiu uma trajetória que lhe permitiu assumir o time principal.

A oportunidade chegou antes do planejado, mas Filipe aproveitou. Em pouco tempo, conquistou a Copa do Brasil ao lado de jogadores com quem, até pouco antes, dividia o vestiário como companheiro. Depois, levou o Flamengo ao Mundial de Clubes e conseguiu uma vitória marcante sobre o Chelsea. No fim daquele ano, voltou a Lima, palco da conquista de 2019, para levantar novamente a Libertadores. Na sequência, venceu também o Brasileirão.

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A temporada terminou com o Flamengo a uma disputa de pênaltis de conquistar o mundo, diante do Paris Saint-Germain. O trabalho, portanto, não deixou apenas títulos. Deixou uma expectativa.

A continuidade de Filipe Luís era vista como uma possibilidade de manutenção de um modelo que havia funcionado. Mas a temporada seguinte começou com tropeços e vice-campeonatos na Supercopa Rei e na Recopa Sul-Americana. A pressão aumentou até a diretoria decidir pela troca no comando. Foi nesse cenário que Jardim chegou.

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O alerta estava dado desde a chegada

Logo após a contratação do português, o Lance! publicou, em 5 de março, a análise" class="font-bold break-normal hover:underline" style="color:#C3281E"> "Leonardo Jardim herda time e cobrança intensa de Filipe Luís no Flamengo". Na ocasião, o cenário já indicava o tamanho da missão.

"Leonardo Jardim encara um dos maiores desafios de sua carreira. Afinal, assume o atual campeão da Libertadores e do Brasileirão, que por muito pouco não ficou com a taça do Mundial de Clubes. Mesmo diante dessas conquistas, Filipe não suportou a pressão e deixou o clube."

O texto também apontava que, naquele momento, não havia margem para grandes oscilações. É exatamente essa régua que o português enfrenta agora.

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"Com a régua extremamente alta, Jardim terá que entregar alto desempenho, resultados e performance."

Os números não explicam a pressão

Se a análise for feita apenas pelos resultados, é difícil apontar uma crise de grandes proporções. Em 26 jogos oficiais à frente do Flamengo, Jardim soma 16 vitórias, sete empates e apenas três derrotas. O aproveitamento é positivo e está longe de indicar um trabalho em colapso.

Leonardo Jardim no comando do Flamengo
Leonardo Jardim no comando do Flamengo (Foto: Gabriel Machado/AGIF/Folhapress)

Depois da paralisação para a Copa do Mundo, por exemplo, o Flamengo venceu a Chapecoense por 4 a 0 e empatou com São Paulo e Internacional. Não são resultados que, isoladamente, representariam uma sequência desastrosa. O problema está em outro lugar.

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A insatisfação da torcida passa principalmente pelo desempenho. O Flamengo não tem apresentado a mesma intensidade, a mesma agressividade e o mesmo controle das partidas que marcaram seus melhores momentos.

E, quando um time vencedor deixa de apresentar um futebol convincente, a comparação com o passado se torna inevitável. Nesse caso, o passado recente tem nome e sobrenome: Filipe Luís. O mesmo que antecessores tiveram que lidar com o legado de Jorge Jesus.

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A régua de Filipe Luís também aparece nos números

A comparação com Filipe Luís também encontra respaldo nos números. Nos primeiros 17 jogos de cada treinador no Brasileirão, o atual comandante tem uma campanha bastante próxima à do anterior, mas ligeiramente inferior. Jardim soma dez vitórias, cinco empates e duas derrotas, com 68,7% de aproveitamento, enquanto Filipe tinha dez vitórias, seis empates e apenas uma derrota, com 70,6%. Os dois marcaram 33 gols no período, mas o time de Jardim sofreu 14, contra 12 do antecessor.

Filipe Luís

  1. 10V - 6E - 1D
  2. 70.6% aproveitamento
  3. 33 gols marcados
  4. 12 gols sofridos

Leonardo Jardim

  1. 10V - 5E - 2D
  2. 68.7% aproveitamento
  3. 33 gols marcados
  4. 14 gols sofridos

A diferença, portanto, não é suficiente para apontar uma queda brusca de rendimento. Os números de Jardim são positivos e próximos aos de Filipe Luís. O que pesa, neste momento, é a percepção sobre o desempenho da equipe. A régua deixada pelo antecessor não é apenas de resultados, mas também de atuação. E é justamente nesse aspecto que Jardim ainda busca fazer o Flamengo reencontrar o nível que elevou a expectativa da torcida.

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Pausa pode ser decisiva para Jardim

O empate com o Internacional reforçou uma sensação que já vinha crescendo nas últimas semanas: o Flamengo ainda não reencontrou o futebol apresentado antes da Copa do Mundo. Com menos intensidade, pouca agressividade e distante da identidade que Jardim tentou implementar, o Rubro-Negro terá agora um período raro sem jogos para realizar ajustes fundamentais.

Na prática, os dias de treinamento terão três objetivos principais: integrar novamente todo o elenco, acelerar a recuperação física de jogadores que retornam de lesão e recuperar a identidade de jogo que marcou o Flamengo antes da paralisação.

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O próprio treinador reconheceu que ainda não conseguiu trabalhar com todos os jogadores ao mesmo tempo e que o elenco voltou de períodos diferentes de preparação. Assim, terá a oportunidade de colocar todos na mesma voltagem.

Mais do que isso, será o momento de recuperar uma característica que o treinador considera fundamental em seu modelo: a intensidade desde o início das partidas, com pressão sobre o adversário e capacidade de controlar o jogo.

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Esse período será importante justamente porque Jardim precisa fazer o Flamengo voltar a parecer com o time que ele próprio construiu antes da Copa do Mundo.

A próxima sequência pode aumentar a cobrança

O Flamengo volta a campo no dia 9 de agosto, contra o Vitória, no Maracanã. Até lá, Jardim terá um intervalo de 11 dias entre uma partida e outra para trabalhar.

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Depois, a agenda ficará novamente apertada, com compromissos importantes pelo Brasileirão e pela Libertadores:

  1. 09/08 — Flamengo x Vitória — Brasileirão
  2. 12/08 — Cruzeiro x Flamengo — Libertadores
  3. 16/08 — Mirassol x Flamengo — Brasileirão
  4. 19/08 — Flamengo x Cruzeiro — Libertadores
  5. 22/08 — Cruzeiro x Flamengo — Brasileirão

A sequência, portanto, pode representar uma espécie de divisor de águas para o treinador. Leonardo Jardim não chega a esse momento com números ruins. Pelo contrário. O problema é que, no Flamengo, números positivos podem não ser suficientes quando o desempenho não acompanha a expectativa.

O português assumiu um time campeão da América, do Brasil e que esteve a minutos de conquistar o mundo. Herdou, portanto, não apenas um elenco vencedor, mas uma cultura recente de excelência.

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Agora, terá 11 dias para tentar recuperar aquilo que mais tem feito falta ao Flamengo: a sensação de que o time sabe exatamente como quer jogar e consegue impor isso aos adversários. É essa resposta, mais do que qualquer estatística, que pode determinar os próximos capítulos de Leonardo Jardim no Flamengo.

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