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Desgaste, autonomia e pressão: a queda de Marcelo Paz no Corinthians

Decisões contestadas nos bastidores e resultados negativos pesaram para a saída

PorGuilherme Lesnok•São Paulo (SP)
21/10/2026 12:08
Marcelo Paz durante coletiva
Marcelo Paz perdeu força antes de deixar o Corinthians (Foto: Gabriel Silva/RasPress/Folhapress)

O Corinthians anunciou, na noite desta terça-feira (20), a saída de Marcelo Paz do cargo de executivo de futebol. Embora o clube tenha informado que a decisão ocorreu em comum acordo, o Lance! apurou que o presidente Osmar Stabile já havia decidido pelo desligamento do profissional. A saída foi motivada por uma série de fatores que provocaram desgaste nos bastidores do Parque São Jorge.

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Contratado em dezembro de 2025, Marcelo Paz chegou ao Corinthians ciente das dificuldades financeiras que enfrentaria no mercado de transferências. No entanto, os obstáculos para reforçar o elenco, a condução da saída de Fernando Diniz, a chegada de Clarence Seedorf e os resultados negativos no Campeonato Brasileiro contribuíram para a perda de respaldo do dirigente.

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Outro ponto de desgaste foi a relação com os jogadores. Nos últimos meses, a atuação de Marcelo Paz junto ao elenco passou a ser questionada internamente, especialmente pela cobrança dos atletas por uma proteção maior diante da crise esportiva e das críticas direcionadas ao grupo.

A falta de autonomia em determinadas decisões também fez parte do cenário enfrentado pelo executivo. Em negociações importantes, Marcelo Paz chegou a encaminhar acordos, mas não teve a palavra final sobre a conclusão das operações.

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Marcelo Paz, Gabriel Paulista e Osmar Stabile durante coletiva
Marcelo Paz enfrentou limitações financeiras e precisou buscar reforços livres no mercado (Foto: Divulgação)

Dificuldades no mercado de transferências

Um dos principais desafios de Marcelo Paz no Corinthians foi a montagem do elenco. O clube enfrenta um transfer ban imposto pela Fifa, que impede o registro de novos jogadores, situação que limitou a atuação do executivo no mercado durante aproximadamente seis meses.

Mesmo antes da punição, o dirigente já trabalhava com restrições financeiras. Sem recursos para investimentos elevados, o Corinthians priorizou contratações por empréstimo ou de atletas livres no mercado.

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Foi nesse cenário que chegaram jogadores como Matheus Pereira, emprestado pelo Fortaleza, e Allan, cedido pelo Flamengo. Outros nomes, como Jesse Lingard, Kaio César, Pedro Milans e Zakaria Labyad, foram contratados sem custos de transferência.

Além das limitações financeiras, algumas negociações evidenciaram a falta de autonomia do executivo. Um dos episódios envolveu o volante André, que tinha uma transferência encaminhada ao Milan, da Itália. Marcelo Paz chegou a admitir publicamente o avanço das tratativas, mas o presidente Osmar Stabile recusou a proposta e impediu a saída do jogador.

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Situação semelhante ocorreu nas tentativas de contratação de Renê, então na Portuguesa, e Alisson, que atualmente defende o Fluminense.

No caso de Renê, atualmente no Vitória, o Corinthians chegou a encaminhar a negociação, mas não conseguiu concluir o acordo por uma diferença de R$ 700 mil. Já Alisson esteve no CT Joaquim Grava durante as tratativas, mas a transferência acabou cancelada.

A condução das negociações para a renovação contratual de Memphis Depay também provocou questionamentos internos. Marcelo Paz foi cobrado por uma participação mais ativa nas tratativas, que já contavam com o envolvimento do presidente Osmar Stabile.

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Durante o processo, o mandatário chegou a desistir do acordo e o Corinthians anunciou oficialmente que não renovaria o vínculo com o atacante holandês. Posteriormente, porém, Stabile voltou atrás na decisão e acertou a permanência do jogador.

Seedorf e Marcelo Paz em conversa com jogadores do Corinthians
Marcelo Paz passou a ser cobrado pelo elenco do Corinthians (Foto: Divulgação)

Demissão de Fernando Diniz e pressão da torcida

A condução da permanência de Fernando Diniz foi outro fator determinante para o desgaste de Marcelo Paz. Após a derrota para o Fluminense, na Neo Química Arena, o executivo ouviu o elenco e defendeu a continuidade do treinador, apesar dos resultados negativos.

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Naquele momento, o Corinthians teria aproximadamente 15 dias sem partidas por causa da Data Fifa. A avaliação era de que o período permitiria ao técnico trabalhar com o grupo, corrigir problemas e implementar suas ideias de jogo.

Entretanto, Fernando Diniz já enfrentava críticas internas, e a decisão de mantê-lo não era unanimidade nos bastidores. O entendimento de parte das pessoas próximas à presidência era de que o clube precisava de uma mudança imediata no comando técnico.

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A aposta de Marcelo Paz não apresentou o resultado esperado. Logo após a Data Fifa, o Corinthians foi derrotado pelo Internacional, por 2 a 1, no Beira-Rio, e Fernando Diniz acabou demitido.

Com isso, o período sem jogos, que poderia ter sido utilizado por um novo treinador para iniciar seu trabalho, foi dedicado a um profissional que deixaria o clube logo na retomada do calendário. A decisão passou a ser apontada internamente como um erro de avaliação do executivo.

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A contratação de Clarence Seedorf também gerou questionamentos nos bastidores do Corinthians. O nome do holandês não foi unanimidade internamente, principalmente pelo longo período de afastamento da função de treinador e pela ausência de trabalhos de destaque em sua carreira à beira do campo. Antes de ser anunciado pelo clube, em 11 de outubro, Seedorf não comandava uma equipe desde 2019, quando deixou a seleção de Camarões. A escolha ocorreu em meio à crise esportiva e à luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Além dos questionamentos de pessoas ligadas à gestão de Osmar Stabile, Marcelo Paz passou a enfrentar pressão direta das arquibancadas.

Recentemente, representantes das torcidas organizadas se reuniram com o presidente, no Parque São Jorge, para cobrar mudanças no departamento de futebol. Entre as exigências apresentadas estava justamente a saída de Marcelo Paz.

A cobrança ampliou o desgaste do dirigente em um momento no qual o Corinthians já enfrentava dificuldades esportivas, financeiras e políticas.

Protesto dos torcedores do Corinthians
Torcidas organizadas do Corinthians cobraram a saída de Marcelo Paz (Foto: Alex da Matta / Departamento de Comunicação do Gaviões)

Resultados e zona de rebaixamento também pesaram

O desempenho do Corinthians ao longo de 2026 também contribuiu para a saída de Marcelo Paz. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo departamento de futebol, os resultados dentro de campo aumentaram a pressão sobre a gestão e colocaram em discussão as decisões tomadas pelo executivo.

Em 56 partidas disputadas na temporada, o Corinthians soma 20 vitórias, 16 empates e 20 derrotas, com aproveitamento de 45%. A equipe marcou 59 gols, média de 1,1 por jogo, e sofreu 56, aproximadamente um por confronto.

No Campeonato Brasileiro, o cenário é ainda mais delicado. Após 31 rodadas, o clube conquistou apenas oito vitórias, nove empates e 14 derrotas, com aproveitamento de 35%. Foram 32 gols marcados e 39 sofridos.

Os números colocam o Corinthians na 16ª posição, apenas uma acima da zona de rebaixamento. A proximidade com os quatro últimos colocados transformou a permanência na Série A na principal preocupação do clube nesta reta final de temporada.

A sequência recente agravou a situação. Nos últimos nove compromissos pelo Brasileirão, o Corinthians acumulou oito derrotas e um empate, com aproveitamento de apenas 4%. Nesse período, a equipe marcou oito gols e sofreu 19.

O empate por 1 a 1 com o Vitória, na segunda-feira (19), na Neo Química Arena, ampliou a série sem vitórias e manteve o clube pressionado na luta contra o rebaixamento.

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