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Análise tática do Guffo: a evolução do Corinthians de Diniz

A defesa sólida está tornando o Timão competitivo de verdade sob o comando do treinador

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
10/08/2026 18:59

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Fernando Diniz durante partida do Corinthians
Fernando Diniz durante partida do Corinthians (Foto: Maxi Franzoi/AGIF/Folhapress)

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Fernando Diniz no Corinthians era para ser um romance de posse de bola, envolvimento estético e jogadas labirínticas pelo meio. E em parte é. Mas o que está tornando o Timão competitivo de verdade sob o comando do treinador é algo que poucos esperavam ver num time de Diniz: uma defesa sólida. Os números são eloquentes. Em 17 jogos, 10 clean sheets. Média de 0,71 gol sofrido por partida. O Corinthians é a equipe com mais jogos sem sofrer gols na temporada. Quem acompanha o futebol brasileiro sabe que isso, vindo de um técnico conhecido pelo jogo aberto e pela aversão ao chutão, é uma evolução tática digna de nota.

O mecanismo dessa solidez passa por um encaixe defensivo confirmado na vitória por 2 a 0 sobre o Bragantino. Diniz armou o time num 4-4-2 sem a bola, com Pedro Raul e Garro na primeira linha de pressão. O que diferencia esse Corinthians dos times anteriores do treinador é a qualidade da cobertura. Breno Bidon, que teoricamente é um meia de ponta, recua para fechar o corredor interno como um terceiro volante. Raniele, Allan e Carrillo cumprem o mesmo papel com senso de urgência impressionante. Em nenhum lance da partida contra o Bragantino o adversário teve superioridade numérica no setor da bola. Quatro corinthianos contra um atacante na área. Cinco contra dois no cruzamento. A compactação é quase militar.

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Qual foi a virada de chave do Corinthians?

E aqui mora a virada de chave. O Diniz que o Brasil conhecia não dava chutão. Era um princípio quase filosófico. Hoje, o Corinthians dá chutão quando precisa, coloca todo mundo atrás da linha da bola e não tem vergonha nenhuma de fazer isso. A eliminação para o Internacional na Copa do Brasil doeu, mas aconteceu justamente quando o time abriu mão dessa contenção e foi jogar aberto no Beira-Rio. Tomou 2 a 0 e não recuperou em casa. A lição está dada: quando o Corinthians se fecha, é uma pedreira. Quando se abre, fica mais complicado.

Ofensivamente, os números sustentam a evolução. Média de 1,35 gol marcado por jogo e 1,22 de xG por partida, o que indica que o time cria chances de qualidade, volume real e finaliza com eficiência. São necessárias 11,4 finalizações para cada gol marcado, um número aceitável para um time que mistura construção posicional com cruzamentos para Pedro Raul. O xGA de 1,18 mostra que as chances cedidas são controladas, e a baliza zerada em 10 de 17 jogos confirma que a defesa funciona como sistema, virou identidade. A posse média de 57,9% revela que o time continua dono da bola, mas agora sabe o que fazer quando a perde.

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Projetando o resto da temporada

A projeção para o restante da temporada passa por dois desafios distintos. No Brasileirão, a briga é por vaga na Libertadores, e o Corinthians tem padrão de jogo para chegar no G6. Na Libertadores, o confronto contra o Rosario Central é favorável no papel, mas exigirá exatamente o que vimos contra o Bragantino: compactação defensiva impecável, transição rápida, e a capacidade de sofrer sem desmontar. O Rosario Central é um time que propõe o jogo e gosta de ter a bola. Se o Corinthians repetir o erro de abrir demais as linhas como fez no Beira-Rio contra o Inter, a viagem à Argentina pode ser um pesadelo.

O Corinthians de Diniz deixou de ser um time de posse estéril para se tornar uma equipe que sabe o que fazer com e sem a bola. A evolução tática mais importante deste Brasileirão pode estar acontecendo em Itaquera. O cenário é promissor: time classificado na Libertadores, subindo na tabela e com uma identidade que mescla estética e pragmatismo. O risco é claro: a dependência de um elenco curto e do rendimento individual das principais estrelas pode cobrar a conta no segundo turno. A expectativa é que Diniz continue refinando esse equilíbrio entre posse e contenção, porque quando o Corinthians acerta esse encaixe, vira um time difícil de ser batido por qualquer adversário no futebol sul-americano.

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Pedro Raul marcou em dois jogos seguidos pelo Corinthians
Pedro Raul comemora seu gol em jogo do Corinthians contra o Bragantino pelo Brasileirão (Foto: Theo Daolio/Ekobanpress/Folhapress)

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