CBF anuncia a profissionalização da arbitragem da Série A do Brasileirão
Grupo de árbitros receberá remuneração fixa e bonificação por desempenho, além dos valores já pagos por jogos

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Desejo antigo de torcedores, dirigentes e da própria classe, a arbitragem do Brasileirão, enfim, será profissionalizada. A partir de março deste ano, todos os jogos da Série A serão comandados por árbitros com, espera-se, dedicação exclusiva. Isso inclui o juiz principal, os auxiliares e o responsável pelo VAR. O anúncio foi feito pela CBF na tarde desta terça-feira (27). A entidade irá gastar R$ 1 milhão por mês para bancar os salários do grupo, que contará com 72 profissionais.
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Pelo projeto, o grupo de árbitros receberá uma remuneração fixa da entidade, além dos valores que eles já recebem normalmente pelos jogos que apitam. Haverá ainda uma bonificação por desempenho. Com isso, a CBF entende que os árbitros terão segurança financeira e poderão se dedicar apenas ao apito. A expectativa é que o contrato seja assinado em fevereiro, e o ranking dos profissionais começará em março.
- Esse é um movimento que carrega uma diferença fundamental em relação às outras mudanças que já implementamos, porque aqui estamos falando de pessoas que estão, literalmente, no centro do campo quando as partidas começam, mas que, por décadas, viveram na periferia das atenções da CBF, só ganhando relevância quando cometiam erros. E por que erraram? Primeiro, claro, por sermos seres humanos, todos nós erramos e continuaremos errando. Mas, muitas vezes, porque faltava apoio, faltava investimento, faltava preparo físico, faltava instrução técnica, faltava tranquilidade financeira, faltava apoio psicológico, tecnologia, saúde. Faltava uma trilha de desenvolvimento. Não mais - iniciou Samir Xaud, presidente da CBF.

- Uma categoria tão importante, os árbitros do melhor futebol do mundo, não poderia continuar assim. E essa gestão resolveu atacar esse problema já nos primeiros dias. Intensificamos treinamentos técnicos e encontros presenciais, ampliamos investimentos, aproximamos a arbitragem do centro das decisões e trouxemos tecnologia. O impedimento semiautomático já está sendo instalado em nossos estádios e, em breve, será uma realidade. A partir de agora, árbitros centrais, árbitros assistentes e árbitros de VAR da Série A do Campeonato Brasileiro, homens e mulheres, terão contrato com a CBF. Vão contar com remuneração fixa, cota por jogo e uma rede de apoio que incluirá preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo, além de avaliações periódicas, técnicas e físicas. Serão, de fato, profissionais - completou o presidente.
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Chamado de "Árbitros PRO", o grupo de elite terá 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 que atuam apenas com o VAR. Todos os brasileiros que integram o quadro da Fifa foram selecionados para a equipe, além dos profissionais que mais atuaram e tiveram boa avaliação da CBF nas temporadas de 2024 e 2025.
A profissionalização, porém, exigirá contrapartidas dos árbitros. Eles terão de realizar uma rotina semanal de treinos, com plano individualizado de preparação física. Também terão suporte com psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. Os árbitros ainda receberão relógios inteligentes que farão monitoramento de sono e de atividades físicas, cujos dados serão avaliados pela equipe de Ciências do Esporte da CBF.
Além disso, todos eles terão de passar por quatro avaliações oficiais, que serão realizadas na Granja Comary, em Teresópolis, ou em outro CT indicado pela CBF. As avaliações incluirão testes físicos e de simulação de jogo. Quem não atingir as metas estabelecidas será afastado até ser aprovado.
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Acesso e descenso
O contrato de profissionalização dos árbitros que a CBF oferecerá é de "prestação de serviços". Assim, por lei eles poderão seguir exercendo atividades paralelas. Mas o desenho do projeto praticamente inviabiliza isso — e incentiva a dedicação exclusiva.
Isso porque, além da remuneração fixa garantida, do bônus por desempenho e da rotina de atividades semanais, os árbitros estão suscetíveis a ficarem de fora do quadro de profissionais na temporada.
O projeto prevê "pelo menos" dois rebaixamentos e duas promoções por ano. Ou seja, os dois com pior desempenho não terão o contrato renovado ao fim da temporada, sendo substituídos por árbitros que ficaram de fora e foram bem avaliados na Série B ou outros campeonatos nacionais.
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Mudanças no VAR
Anunciado no fim do ano passado como grande novidade para o Brasileirão deste ano, o impedimento semiautomático ainda não tem data para ser implantado. A CBF alega que "não basta apenas ligar na tomada"; é preciso ter garantia de que o sistema será corretamente operado, o que demanda tempo de treinamento e segurança tecnológica.
Mas outras mudanças no VAR "clássico" já poderão ser vistas a partir das primeiras rodadas do Brasileirão. A cabine de revisão para o árbitro, por exemplo, deixará de ficar próxima aos reservados e será levada para o lado oposto — à exceção de estádios em que isso não seja viável. É certo, porém, que não ficará mais próxima aos locais onde ficam jogadores reservas e treinadores, para diminuir a pressão sobre os árbitros no momento da revisão.
Além disso, as decisões do VAR serão anunciadas pelo árbitro no retorno ao gramado, para que o público conheça já no momento o entendimento da marcação.
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